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Calmila responde: amiga solteira x amigas que namoram

5.17.2012 -

Olá Camila! Tudo bem? Sou muito fã do seu blog e sempre que tenho tempo, leio todos os seus textos. O que me fez criar coragem, depois de ver como você ajuda e aconselha quem escreve para você, a “dividir” o que está acontecendo comigo.

Olá querida, tudo bem sim, e contigo? Ó, que coisa boa.. Pois vamos ao problema.

Bem, minha vida mudou muito do final do ano passado até agora. Perdi duas das minhas melhores amigas, por pura bobagem e aquele orgulho besta de ambas as partes. Fiquei realmente muito triste com isso, muito mesmo. Não que eu nunca tivesse perdido amigas antes, o que é algo sempre ruim, mas nunca sofri tanto como nesse caso (ainda bem que tinha outras amigas com quem contar).

Putz. Mas sabe, pelo que tenho notado, tem muito acontecendo por aí. Parece que a gente anda num momento meio de triagem, separar o joio do trigo - ou, quem nos é caro, e quem nem tanto. Acontece, né. Entristece sempre.

Eu nunca tive um círculo muito grande de amizades, e isso não me incomodava, porque acredito que amigos verdadeiros a gente conta nos dedos, como dizem por aí. Só que nesse ano tudo ficou pior: minha melhor amiga começou a namorar um cara de uma cidade vizinha.

Sim, amigos mesmo, a gente aprende que se conta nos poucos dedos de uma mão só. E, como habitual, o drama da amiga que namora, o relacionamento entre as duas que muda, uma parte fica ressentida enquanto a outra não entende e corre atrás enlouquecidamente, essas coisas. É bizarro e nem mesmo deveria existir esse abismo entre quem já foi tão importante pra nós e quem está sendo então (o namorado). Falo como parte de namorada, pois também tenho uma melhor amiga e, sim, mudam algumas coisas mesmo. Quem não vê, se engana direitinho.

Não entenda mal, eu gosto dele e fico realmente feliz por ela ter achado alguém que a faça bem. Mas o problema é que ela começou a se afastar de mim, por sair com ele e mais uma amiga dela que namora o amigo dele. Programa de casais.

Ah, daí complica mesmo. Vocês passaram a continuar se vendo como antes, quase todo dia, se ligando de vez em quando? O assunto dela passou a ser só o cara e coisas do tipo? Acho que você pode ter se sentido um pouco "excluída", o que é normal, mas na maioria das vezes tem como conciliar o momento de estar com uma melhor amiga e outros de se reservar só pro boy. A gente vai aprendendo. Mas se, ela passou a fazer SÓ coisas de casal, mudou contigo e etc, fica complicado.


Outra amiga minha também namora, e a outra está indo pelo mesmo caminho. O que acontece é que eu nem vejo mais elas, não saímos juntas e estamos todas meio que afastadas.

Alguns chamam de vida de adulto, e que aí pelos vinte e poucos anos, começa a acontecer. Se a amizade era forte mesmo, passa por momentos ruins, como qualquer relacionamento (mãe e filha, irmãos, e namorados, também), mas retoma. Volta. Às vezes, até mais fortalecida que antes. Fazer outras amigas, conhecer gente e se ocupar geralmente tem o efeito de despertar em quem anda afastado uma vontade incontrolável de tentar voltar a ser como era antes. Geralmente.

Eu que já namorei enquanto elas estavam solteiras, sempre saia com meu namorado e com elas. Acho pura bobagem quem se fecha no namoro e esquece que existem outras pessoas. Até porque, o namoro não vai durar para sempre, e quando estiverem solteiras vão procurar as amigas que deixaram para trás.

Pois é, verdade. Como eu disse antes: tem como conciliar, sim. Chame essas amigas suas que estão um pouco ceguinhas para programas de dia, de tarde, leves, pra dormir na sua casa, coisas do tipo, que são as mais recomendáveis quando a gente tá comprometida e louca pelo cara. A maioria dos homens não curte que a guria vá em balada com as amigas, como antes (aqui no RS, em Porto Alegre e, os casos que conheço). Barzinho, deixam com aquele pé atrás de não voltar tão tarde e ligar às vezes, perguntar como está e tal. Tente fazer dar certo, sabe. Não se emburre pelo fato de só você não estar comprometida. Como já esteve, sabe bem que tem como dar atenção a todos e ser amada por vários.

Agora me vejo sozinha, sem nem ter com quem ir em alguma festa e ainda tenho que escutar delas coisas do tipo: “Por que você não arruma um namorado?” “Por que você anda sumida?”

Que triste. Acho que, tu pode continuar tendo essas amigas, claro. Mas sempre tem aquela colega da faculdade que é bacana e poderia muito bem sair pra balada. Ou aquela amiga de infância que ficou esquecida, a vizinha de prédio, enfim, quem possa sair conosco e ser uma ótima parceira de noite, de bar, de vida noturna para solteiras. Se você não quer um namorado e nem pintou ninguém interessante, relaxe. Não é porque todas estão compromissadas que se torna obrigação sua achar um cara decente às pressas.

E o pior é que elas não entendem o meu lado... Eu sou bem tímida, não sou daquelas que vão a alguma festa e já saem de lá com um cara. Na minha cidade as pessoas que vão a festas só querem curtição, e nada mais sério. Agora fico nessa vida patética, esperando minha faculdade começar, vendo minhas amigas duas vezes ao mês e sem nem ao menos ter companhia pra sair. Não sei se ficando mais na minha eu estou agindo da forma correta... Não sei mesmo! Me ajuda Camila?
Obrigada desde já! Sou uma grande fã sua e me identifico muito com seus textos.
Beijos.

Então. Disse antes, mas não custa repetir. É tímida? Vá se despindo disso aos poucos (conselho pra vida, a gente perde muito tempo ficando só com a gente mesma). Sem forçar, mas com vontade mesmo. Arrisque uma frase, um sorriso no ponto de ônibus, conversar com futuros colegas da faculdade que daqui uns dias começa - junto com a vida nova e a possibilidade de conhecer gente interessante e que tem a ver com você. Até é válido tentar uma retomada com as amigas que namoram. Mas aos poucos, com cuidado, e sem muita expectativa (uma hora elas se tocam). A gente vê a solidão como algo assustador, mas nada é melhor do que não depender da vontade, opinião e capacidade dos outros, nadinha nesse mundo. Como a gente, só nós. A forma fica no lixo. Boa sorte, e espero ter ajudado, guria. Um beijo!

Quer enviar também o seu dilema, pergunta, desabafo? Escreve bonitinha pra camilapaier@gmail.com e aguarde!

Calmila responde: Casar, morar juntos ou simplesmente, viver?

3.05.2012 -

Camila, você é muito talentosa, curto demais seus textos. Justamente por este seu talento todo é que venho te pedir uma opinião de amiga pra amiga (apesar de não sermos).

Claro, guria. Vamos lá então.

Primeiro de tudo, alguns adendos: namoro há quase quatro anos; ambos temos 19 anos; fazemos faculdade (faltam 2 anos pra cada, terminar); ele trabalha, por enquanto eu não; vamos ao cinema todo sábado; dormimos juntos uma vez a duas vezes por semana; temos uma certa rotina, mas não vemos problema nenhum nisso, somos dois românticos caseiros incuráveis (hehe) e, até a aí tudo bem, concorda?

Concordo, sim. Parece ser um relacionamento bem saudável. Ainda mais por ter durado quatro anos. O ritmo de vida dos dois é parecidos, se vêem com uma rotina boa de sábados e afins, e ok: é um namoro como qualquer outro que está dando certo. Até aqui, tudo ótimo.

Porém, o problema é justamente este: por sermos tão caseiros e tal, nossos pais acham que devemos arrumar logo "nossa vida" (leia-se: devemos ficar noivos, comprar uma casa e blá, blá, blá). Para eles, namoramos há uma eternidade e temos uma certa intimidade, por isso deveríamos "ajeitar" a nossas vidas - sem nem ao menos perguntar o que achamos da ideia.

É uma ideia consensual dos pais do casal? Poxa, acho meio triste esse pensamento retrógrado. Vocês são super novos para pensar em qualquer coisa seríssima. Estão bem assim, e evoluindo aos poucos, como os melhores relacionamentos devem crescer. Pressa pra quê? Pra daqui três ou quatro anos a pressão ser "um netinho"? Quem namora são vocês dois, e não os quatro genitores de ambos. Essa vida de estudo-trabalho cansa também, e pelo amor de deus: não estamos mais na década de 50, onde mulher que ia morar junto tinha que seguir "as normas da sociedade" e noivar, pra depois casar e, só então, viver com o amado. Façam o que VOCÊS tiverem vontade e deu. Ponto.

E não, definitivamente, não é isso que queremos. Queremos viajar primeiro, viver muitos anos juntos, construir uma vida legal antes disso tudo, sabe? Não na base de obrigações. Nem grávida estou, e pela nossa vontade - e se tudo der certo - demorará muitos longos anos para que isso aconteça.

Vocês estão é certos, sabe? Claro, dá uma vontade de viver juntinho sempre, rola aquele aperto na hora de dar tchau e uma eforia desmedida e ansiosa sempre que vamos nos ver a cada dois ou três dias separados. Mas, ás vezes (e, principalmente, na nossa idade) é isso que mantém aceso relacionamentos. Eu acho que as fases da vida de cada um devem andar alinhadas ao que temos como prioridade e nossas vontades. Então, viagem muito, curtam bastante um ao outro, sintam-se livres dessas obrigações passadas de estilo de vida e que muito pouco tem a ver com a modernidade dos dias de hoje. Preservar o amor que vocês tem com paciência e parcimônia é que deve ser a maior preocupação aí. Deixar que os pais se metam demais é um erro, o amadurecimento da relação tem que vir de vocês, oras.

Por isso, peço a sua opinião: já que somos maiores de idade e temos uma graninha, seria sensato arrumar um lugar bacana pra morar (seja alugar uma casa, por exemplo), e esperar toda a revolta familiar do "morar antes de casar"( isso porque já dormimos debaixo do mesmo teto sob o consentimento de todos da casa), ou sucumbir a vontade deles, do "casar pra depois morar" e dançar conforme a música, sem confrontações, sem gritaria, sem chororô?

Olha, tu perguntou pra uma revoltada de carteirinha. Não ajo conforme o que os outros esperam. Vou levando o barco conforme eu, e com quem me relaciono, desejarmos. Acho que vocês devem fazer o que bem entender e o que, a dupla romântica, achar melhor, né. Pensa comigo: quem sabe de vocês, são os dois. E não pai, mãe, tio, papagaio, irmão ou seja lá quem. Se vocês querem morar juntos, ver no que dá, pode ser válido mesmo. Com a grana de vocês, tentar é uma alternativa bacana, se vocês almejam algo mais sério pra logo mesmo. Agora, sucumbir a vontade alheia pode ser um veneno lento ao bom do que vocês tem. A convivência diária é muito mais intensa que se ver de dias em dias. E pra tomar uma decisão dessas, é preciso ter ao menos uma grande certeza, coisa que parece não ser o caso de vocês. Essa é a minha opinião. Converse com o gato, e se ele estiver na mesma frequência, deem um jeito de frear essa vontade louca dos pais de vocês, ou simplesmente não deem ouvido. Um dia a ficha deles cai. Toda boa sorte do mundo e muito amor procês dois, lindona!

Quer enviar o seu dilema/pergunta/desabafo pra mim também? Escreve linda pra camilapaier@gmail.com que daí, é só aguardar!

Calmila Responde: início de relacionamento, drogas e dúvidas

1.26.2012 -

Oi Camila,

Antes de tudo queria agradecer por responder meu e-mail e dizer que uns tempos atrás, vasculhando na internet, encontrei teu blog e desde então ele está entre minhas páginas favoritas. Me indentifico bastante com teus textos, sempre me ajudam.

Que linda, olá. E muitíssimo obrigada! Espero que possa ajudar direitinho.

Já iniciei um e-mail pra ti mas, não tive coragem de mandar e se tratava da mesma pessoa que vou citar abaixo, só que agora preciso mesmo de uma opinião.

Certo, então vamos lá.

Namorei com um garoto por 2 anos e gostava muito dele. Terminamos ano passado, em julho. Depois dele, pensei que não gostaria mais de ninguém da mesma forma.

Natural pensar assim, hoje em dia é normal vivenciar o romance como se fosse o último. Mas o bom é que sempre depois do fim, a vida dá um jeito pra gente de recomeçar. Mesmo que demore ou a gente se frustre, enfim.

No tempo que estive solteira, fiquei com alguns caras interessantes mas não quis manter algo a mais por simplesmente 'enjoar'. Era do nada, simplesmente não queria mais.

Não eram tão interessantes assim, então. Não a ponto de te fazer apaixonada.

Saí pra um lugar aqui na minha cidade que não curto muito - acredito que foi o destino - mas lá conheci um garoto. Nós não ficamos. No outro dia, ele me adicionou no Facebook, conversamos e nos demos muito bem. Pouco tempo depois começamos a sair.

É legal quando algo começa aos poucos. E a gente vai dando tempo pra saber bem o que tá fazendo, com quem está lidando. Ele demonstrou que queria contato com você e que tinha persistência e atitude, coisas que a gente não tolera em homens que não possuem. Até aqui, bem ok.

No começo, pensei que enjoaria - como já havia ocorrido com outros - mas não. Começei a gostar dele, por um milagre divino. Reconheço que sou um pouco difícil de lidar, e como disse acima, pensei que não gostaria mais de ninguém da mesma forma que meu ex. Estamos saindo há quase 2 meses, já conheço os amigos dele e as respectivas namoradas, a mãe, o avô, o irmão, o primo. Ele me pediu em namoro e disse que, após o namoro de 5 anos, passou 3 anos solteiro e também nunca tinha gostado de alguém como sentia por mim. Não aceitei por não ter muito tempo que nos conhecemos, nem coragem, pra entrar em um relacionamento agora.

Well. Você não enjoo dela. Pelo visto, nem um pouquinho. Ele demonstrou que queria compartilhar um pouco da vida contigo, e já te apresentou família e tudo, e deve ter a levado pra churrascos e festas de amigos, onde tu figurou como uma possível namorada, conhecendo as outras do grupinho. Depois de três anos solteiro, pelo visto escolheu você. E por que, mesmo assim, falta "coragem" pra assumir algo com o moço, menina? A gente morre de aflição e se sente enroladas quando o cara não nos pede nunca em namoro mas, se é o contrário e ele se decide rápido demais, nos assustamos também. Sim, somos mulheres e um poço de contradições, confusões e afins. Mas, não entendi a parte da coragem, não. Será que não foi tu mesma quem colocou na cabeça isso de que seu ex é intocável e nenhum cara fará com que tu sinta mais do que sentiu por ele? Ou será que o cara é bacana, e tudo, mas não é tanto assim e você está começando a enjoar ou já sabe que pode iniciar esse processo de desejar coisa nova daqui a pouco já? Coisas que só tu pode saber, mas acho válidos questionamentos para fazer à ti mesma, guria.

O problema é que quando o conheci, sabia que ele fumava cigarro e bebia. Conversamos sobre isso e ele diz que quer diminuir o vício, para começar a parar. Nos últimos dias descobri, por si só, que ele também fumava maconha. Eu não curto, nunca experimentei, e não sinto a menor vontade. Falamos sobre isso novamente, e ele disse que ia diminuir o 'ritmo' com o tempo, mas acredito que de uma droga pra outra é um passo.

Então, acho que o problema está aqui. Que hoje 99% dos jovens bebem, temos que concordar. Admiro você por não fazer uso. Cigarro, nunca experimentei. Nem seque cogitei, tenho nojo de fumaça e acho o cheiro péssimo. E sim, concordo contigo que da maconha para ir pra cocaína, ou LSD e Extase é um passo mesmo. Convivi com pessoas que usavam (colegas, alguns poucos amigos), e a maioria se perdeu dentro do mundo paralelo em que pessoas - geralmente, fracas - usufruem de drogas. Não recrimino, não sou contra, nem nada disso. Só acho que há tantas alternativas de felicidade e diversão hoje em dia nessa vida que, se drogar é um pouco burro. Uma escolha falha. Enfim, acho que o que mais te incomoda é que é, sim, complicdo levar um relacionamento com alguém que tem abusado dos usos ilícitos. Como saber o momento em que está "limpo", ou não? E se diz que vai parar, por que não começa já? Hoje, é algo que pesaria na minha decisão de estar com alguém ou não. Nem tanto o fato da bebida, que se não for alcoolismo, considero até um pouco banal pros jovens de hoje. Mas mais pelo cigarro (que destrói os órgãos internos, deixa um cheiro e gosto da boca péssimos e é um nojo) e pela maconha (que ok, dizem que não faz tão mal assim, mas como disse a amiga, é um passinho pra demais drogas). Você já conversou, e ele disse que ia ir diminuindo. Mesmo assim, você parece não aceitar nem mesmo isso - e ele parece ter diminuído mas muito, muito pouco. Já conversou por duas vezes sobre o assunto, e não obteve muita mudança. Se fosse você, tentaria dar uma afastada, pra ver o que sinto. Caso fosse forte demais o gostar e essas coisas de amor, diga que para você ter algo sério e sólido, isso é muito importante. Daí, só esperando pra ver a reação do rapaz.

Ele é um amor de pessoa comigo, me trata super bem, é carinhoso e nos damos muito bem. Tô gostando, mas não sei se devo continuar algo com medo do depois, sabe? Não sei o que pensar, nem o que devo fazer. Me ajuda.

Do depois tu dizes de sei lá, ele ficar cada vez mais adicto? Pode acontecer. Mas se ele disse que ia ir diminuindo, talvez você deva dar um voto de confiança ao moço. Por algumas semanas, ou meses. Tente fazer com que o assunto não se torne um tabu entre vocês, e diga que, pro que ele precisar, você o ajuda. Pense em alguns meios para que ele substitua as drogas por outras coisas (chiclete por cigarro, chocolate por maconha - talvez eu esteja sendo ingênua, mas dizem que pode dar certo). Como descreveu, pelo visto isso a incomoda bastante, deixe isso claro, mas de forma sutil. Ele vai entender, e se quiser estar mesmo contigo, vai acabar se viciando cada  vez mais em ti e largar toda e qualquer drug do caminho. Conheço alguns casos em que isso aconteceu, ou seja: é possível sim, ainda mais que ele é jovem. Desejo boa sorte pra ti e muita disposição, não desista assim tão fácil de algo que tem a feito feliz. Tentar é sempre válido. Um beijo!

Quer enviar a sua pergunta/dilema/desabafo para mim também? Escreve linda pra camilapaier@gmail.com e então basta esperar!

Calmila Responde: Atrações, desafios e achar algo que dure

1.17.2012 -

Olá Camila querida!  Antes de tudo, começo lhe parabenizando por tanto talento e por tanta sabedoria que estampa nos textos que você disponibiliza para nós, seus leitores. Além disso, esse tempinho que você disponibiliza para responder nossos dilemas é digno de receber as mesmas parabenizações. Um antecipado e cheio de carinho: obrigado.

Amada, muito obrigada. Coisa ótima ler isso, só me faz continuar em frente.

Mas vambora, é o seguinte: não namoro e nunca namorei. E, embora tenha tido atrações por meninos que inicialmente me pareciam interessantes, nenhum deles me fez querer seguir com algo duradouro.

Hoje em dia, algo normal. Bom que tu se colocas em primeiro lugar e não se entrega de bandeja assim, a qualquer um. 

Pois bem. Entre essas tentativas de interesses permanentes, comecei a conhecer um menino que estudava junto comigo e já despertava em mim olhares de interesses. Ficamos. Ele: charmoso, prestativo e de atitude. Eu, tentando encontrar depois de nossa ficada motivos plausíveis para justificar o fato dessas qualidades não terem despertado vontade nenhuma de seguir com algo em frente. Resultado: já deixei claro que não pretendia nada. A atração que inicialmente eu tinha por ele? Simplesmente se foi junto com mais um tentativa. Uma situação assim pareceria normal, se não se repetissem com tanta constância. É sempre assim, querida: Me interesso, sinto vontade, me aproximo e, quando obtenho reciprocidade, desestimulo e não sinto vontade de intensificar o relacionamento.

Resumindo: obtém o que almeja, consegue e, de repente, já parece desinteressante. Já passei por uma fase parecida. Fazia dos meus relacionamentos este mesmo molde que tu. E olha, simplesmente passou. Talvez fosse uma safra bem ruim de gente desinteressante aparecendo quando eu só queria alguém fizesse o mundo brilhar. Ou, quem sabe, o problema era comigo - me achando superior e colocando num pedestal, ou louca por desafios - sei que, passou.

Medo eu sei que não é, não tenho medo. Adoro novidades. Para as amigas, um tanto de frieza e desapego. Eu mesma: não sei o que é. E é aí que te peço um opinião: quando é que a gente sabe que uma atração não é só atração e pode ser algo mais? A gente descobre isso previamente ou é válido começar algo mesmo não sentindo se vai perdurar?

Também acho que não seja medo. Como disse: pode ser que você esteja indo aos lugares errados, ou, as pessoas erradas estejam querendo, insistentemente, perseguir você. Acontece. Ou mesmo, pode ser que seu subconsciente fale mais alto e a faça repelir todos esses, justamente por querer alguém, mas não saber aí dentro de ti, com que qualidades, o que prezar, enfim. Acredito que quando atração é só isso e nada mais, nenhuma pulga fica atrás da orelha, tu não pensa praticamente nunca na pessoa, e mesmo quando ela convidar para algo, rejeitar será a única opção para ti. Atração que acaba depois de alguns beijos é algo que, a meu ver, não dá mesmo para insistir que dure "na marra". Química acontece, ou não. Acho simples. Agora, dentre esses caras todos que tu consegues conquistar, nenhumzinho merecia uma atenção em especial? Um olhar mais criterioso, uma chance a mais? Questione-se.

Embora não me martirize por isso, gostaria de saber sua opinião. Mais um vez obrigado, desde já, e só para concluir: mesmo à distância, te admiro muito e embora pareça tolo, seus textos amorosos e felizes despertam boas sensações em mim. É bom te ver escrever textos assim. Te desejo felicidade Camila. Mesmo. Não querendo ser clichê, mas só reforçando: obrigado querida, obrigado.

Uma querida tu! Hehe, mas então.. Em primeiro lugar, não se martirize por coisa dessas. Nunca. Quando tiver que acontecer, ocorre. Num piscar de olhos, tu vai te ver tão apaixonada e feliz que nem vai pensar em hipóteses ou simplesmente nessa atração inicial que sempre acaba findando. Vá a lugares que tenha gente a ver contigo. Conheça pessoas, mesmo que não tendo aquela fagulha primária de que parece incendiar. Se dê chances necessárias, tente conhecer bem quem quer o mesmo em relação à ti. Mas ainda assim, vá com calma. Como eu disse, quando tiver que aparecer, surge. Esperei até os 19 anos para ter meu primeiro namorado. De resto, só porcaria nessa minha vida anterior ao - que posso dizer hoje, com seus defeitinhos e mil qualidades - "amor de verdade" (porque só é real aquele que não é de conto de fadas). Ou seja, uma hora, simplesmente vem. Boa sorte nessa vidinha, e precisando, aqui estarei!


Quer se jogar nos conselhos também? Escreve bem linda pra camilapaier@gmail.com que eu respondo assim que der. Meu beijão procês!

Calmila Responde: Ex que canta e insegurança

1.13.2012 -

Oi Camila,

Primeiramente, eu sou uma fãzona sua! Fascinada pelas coisas lindas que escreve...E diante de tantos conselhos que vejo você dando, resolvi escrever! Finalmente!

Oba! Pois então, vamos lá, guria.

Algo me atormenta. Eu namoro há 8 meses. Nosso relacionamento é ótimo, é normal. Temos nossas discussões e ciúminhos, mas nada fora do comum. Enfim, acho que a insegurança é toda minha. E isso acontece porque a ex dele é bonita. E ainda é cantora.

Ah, senhor do céu. Ex, como vocês sabem, é algo que eu considero hard level quanto à conviver/aguentar/ficar bem sobre. É um saco? Sim. Piora mesmo quando é bonita, e mais, cantora (não deve ser uma Paula Fernandes da vida - não que eu goste, mas ela está na mídia - mas, sendo famosinha já só na cidade onde vivem, deve dar aquela invejinha de leve, um cutucão na vaidade e coisa e tal. Afinal, somos mulheres, né?

Popular aqui na cidade, sabe? Vive cantando por aí, se apresentando. Gravou um CD e mandou para toda a família dele! Eles namoraram por 2 anos e meio.

É bastante tempo, pros relacionamentos de hoje. Natural que uma convivência tenha sido fortalecida com os pais e familiares do teu namorado. Por mim, desde que enviasse só à família, estaria ótimo. O preocupante mesmo é o contato com o teu lindo, daí sim.

Isso não importa, pois eu também tive um relacionamento de 4 anos, e nem ligo mais para o meu ex! É atá engraçado, eu nem lembro direito das coisas que fazíamos juntos.

Lembre então: se tu, que namorou quatro anos, já superou totalmente e hoje (amém!) consegue viver teu presente em paz, com seu namorado pode ser o mesmo, não acha? Às vezes, por mais gata, bem sucedida ou querida que uma mulher é, falta algo. Assim como pra gente, quando um cara é bonitinho, trabalhador, mas não é completo. Beleza e uma linda voz não são as referências mais importantes quanto a amor, não acha?

Enfim, o que me atormenta é que quando começamos a namorar, ela ligou para ele (sendo que ela, já namorava outro há 1 ano) para perguntar se realmente ele estava comigo. Pensei, afinal: o que ela tem a ver com isso? Fiquei meio brava com ele, mas feliz por ele ter me contado.

Eu também acharia, no mínimo, estranho. O que ela quer confirmar, se já seguiu com a própria vida? (ou parece ter, pelo menos). Que situação chata. E daí, se ele estivesse com você? O que pode ter acontecido é que, seu namorado, no passado, pode ter gostado bastante dela. Agora, com ele realmente estando feliz e achado alguém bacana, ela viu que perdeu a total admiração que tinha dele, que hoje baba por ti. Mulher odeia perder, nem que já esteja com outro, ou o cara não interesse mais. O fato é esse, talvez. Mas que foi uma atitude metida, foi. Talvez ele nem tivesse culpa, achei legal ele ter te contado também. Mostra que o relacionamento de vocês está baseado em confiança, né?

Agora em dezembro, ela ligou de novo para dar feliz aniversário para ele. Achei o cúmulo do desrespeito!

De novo? Realmente, que fazida, essa menina. Ou vai ver, ela é quem não conseguiu esquecer ele. Ou só valorizou agora que ele está contigo. Duas opções sem volta. Sabe o melhor que tu pode fazer? Teu namorado muito feliz. Pra que ele nem cogite volte com essa mocinha que canta e faz pequenas maldades. Se foque nisso, ao invés de pensar em como ela é isso e aquilo.

Conversei com meu namorado, ele disse que não ia atender mais quando ela ligasse. Disse que também nem liga mais para ela. Que me ama muito, que sempre vai me respeitar e blá blá blá.

Ok, acho justo. Mas ele chegou a ligar pra ela alguma vez, estando já contigo? Ex não é amigo, não quando se está namorando. Eu acho que só depois de muito tempo é que se consegue manter uma relação de amizade com alguém com quem você já teve intimidade sem acabar confundindo as coisas. Bom, o importante é que, pelo visto, o contato entre eles morreu - o que é ótimo pra ti.

Decidimos ir viajar, fazer nossa primeira viagem para a praia, com casais de amigos. Estávamos fazendo altos planos, ver o pôr-do-sol, beijar com o gostinho salgado do mar hahaha essas coisas de quem se ama! Mas no nosso 4º dia de praia, caminhando pela areia..E advinha quem aparece? A guria sozinha, com a família dela, na mesma praia! E pior: no guarda-sol ao lado do nosso. Ele foi lá, cumprimentou todos, e eu fiquei olhando e boiando.. Porque ele soltou da minha mão para ir lá. Estiquei a minha canga, e fiquei ali, sentadinha e chateada. Senti que o comportamento do meu namorado mudou. Ele nem veio ficar comigo neste dia., ficou jogando bola com os meninos. Justo nesse dia que ela estava lá, eu esperava mais dele. Entende?

Que infeliz coincidência. Bom, o clima deve ter ficado péssimo, mas.. Você não tinha muito o que fazer, né? Eu entendo, eu entendo. E concordo que ele deveria ter pensando em como você se sentiria, com o inimigo ao lado e ele longe. Deve ter sido mesmo uma droga. Vocês conversaram sobre isso depois? Às vezes, falando do jeitinho certo e num tom de voz aceitável - sem surtar - os rapazes conseguem nos entender. Ele pode nem ter notado o que fez (mas claro, deveria ter). Sobre ele ter ido dar oi e conversar um pouco com a família dela, também acho normal e até um pouco uma questão de educação, são conhecidos.

Fiquei muito insegura, cheia de dúvidas. Bem no dia do Réveillon, brigamos, e ele pareceu não ligar para o que eu tava sentindo. Disse que é paranoia minha.

Típica frase de homem machão. Mas enfim, será mesmo? Pode ser que sim, a gente gosta de enfiar minhocas na própria cabeça, e às vezes, alimentá-las, só para não acreditar em perfeição e tal.

Passou, resolvemos essa briga. Ontem mesmo ele disse que achava a Cléo Pires perfeita. E eu,  particularmente não acho. Tem outras atrizes que eu babo muito mais como Paola Oliveira, Juliana Paes, Isis Valverde, Carolina Dickmann. E vi uma foto da ex dele, achei ela meio parecida com a Cléo! Já fiquei pensativa, pois eu sou, loirinha, branquinha, 1,55 de altura, 49kg...

Ah, daí já acho que é paranoia mesmo. Teu namorado deve achar essas outras que tu citou lindas também. Eu sou do time que "baba" na Cléo, admito, mas não justifica nada. Também acho as outras bem bonitas. A ex-namorada ser "parecida" com a atriz também já acho que é coisa da sua cabeça. Não quer dizer, em hipótese alguma, que ele ainda a ame.

Eu sempre fico com ciúmes, e tenho medo de a minha intuição estar certa. Ele JURA que não. Tu sabe como é mulher né? Cheias de pontos de interrogação. Será que é paranoia mesmo? Queria sua opinião, que para mim, sempre foi tão inteligente e sábia! Obrigada por tudo. Até pelo o que você já escreve, que eu adoro! Beijos!

Minha querida: nós mulheres adoramos um drama, certo? Então, em minha opinião, talvez seja um pouquinho de imaginação demais sua, coisa que a sua cabeça plantou, enfim. Se ele está com você, é porque a escolheu. Dê um voto de confiança a ele. Caso isso persista, diga na lata tudo isso que me contou. Ele merece saber o que te aflige, ainda mais, porque pode fazer com que sua essa sua insegurança. Deixe que ela continue cantando e fazendo seus shows longe, e sendo morena mais longe ainda (me identifico com as loiras de plantão hahaha). Cuide de você e trate de fazer o seu namorado cada vez mais feliz. Acho que é a melhor dica que posse te dar. Com o tempo, ele tende a querer cada vez mais te ver sorrir também. E ah: trate de melhorar essa sua auto-estima. Gaste tempo pensando em como você é linda e pode ser cada vez mais, apenas do seu jeitinho. E em quanta sorte o cara tem de estar ao seu lado. Enalteça as suas qualidades. E boa sorte!

Quer enviar também o seu drama, dilema, pergunta pra que eu responda? O e-mail é camilapaier@gmail.com e é só escrever bonitinho e aguardar que daqui a pouco está aqui!

Calmila Responde: O que uma boa conversa resolve

1.12.2012 -

Oi Camila,


Primeiramente, quero te dar os parabéns pelo blog, adoro seus posts e vivo recorrendo a eles. Parabéns pela inteligência, criatividade e sentimentalismo.


Ó, que linda. Obrigada!

Namoro um menino há uns 2 meses. Namoramos sério, em casa. A família dele me adora, me dei muito bem por lá. Tenho 16 anos e ele 18. É o meu primeiro namorado, antes eram só casinhos, mas mesmo esses casinhos foram poucos. Não sou ingenua, mas não tenho experiencia nesses assuntos mais íntimos, e sou virgem. Confesso que tenho um certo medo de que ele não seja o cara certo, mesmo que conforme o tempo ele venha ganhando minha confiança e vem provando gostar de mim.



Achei tudo normal por enquanto. É seu primeiro namorado, e tu tem 16 anos. É bacana o fato de ele ser mais velho e entender isso de você se preservar e à sua virgindade. Que bom que você se valoriza.


Ele já namorou duas outras vezes, uma delas durou 1 ano e alguns meses. Acontece que além de confusa em relação aos meus sentimentos, eu sou medrosa. Meu namorado me trata bem, nos divertimos muito, rimos demais sempre que nos vemos, acredito que nossa maior qualidade é que acima de tudo, somos ótimos amigos. Só que, ele é muito ciumento, e às parece que ele vai matar um. Até acabei me afastando de algumas pessoas pra evitar futuros desentendimentos.


Putz. Concordo que ciúmes assim são um saco. Também detesto. Mas sabe, demonstra que ele sente algo por ti, na pior das hipóteses. Um ciúme, quando bem controlado, pode até dar um gostinho a mais num relacionamento, de vez em quando. Pelo lado ruim, se ficar cada vez pior e ele se tornar agressivo, convém tomar cuidado mesmo - homem quando não pensa, só age. 


Acontece que eu nunca deixei de fazer nada por ninguém. Eu sei que namoro é uma relação onde as duas pessoa precisam ceder em alguns momentos, mas não vejo isso da parte dele. Temos muitas manias em comum, e até alguns pensamentos de vida, porém nossos gostos, estilos, atitudes, amigos e lugares que frequentávamos são totalmente diferentes. Não me acho tão nova pra pensar no meu futuro, como por exemplo na minha profissão. Ainda não decidi o que de fato quero ser, mas faço curso técnico, pesquiso, me interesso por esses assuntos.. Enquanto ele, já vai fazer 19 anos e não esta nem aí. Não sei se cobro muito dele, e sei que o mais importante numa relação é nos sentirmos bem com uma pessoa. Tenho medo que isso mais pra frente possa ser um problema. 


Claro, precisamos ceder sim, afinal: são duas pessoas totalmente diferentes lutando e cuidando de um bem em comum, que é o sentimento compartilhado. Ótimo que você tenha noção disso, guria. Quanto ao fato de terem gostos totalmente distintos, use isso à favor do relacionamento de vocês: aprenda com coisas que ele curte, dê uma chance aos lugares que ele gosta de ir. E converse com ele pra que isso seja recíproco. Vocês dois só tendem a ganhar com uma atitude dessas, no lugar de ficar se martirizando por não serem idênticos. Agora, assim.. Quando estamos com alguém, pensamos sim, em futuro - acho natural. E talvez seja um pouco de imaturidade da parte dele que não consiga ser trabalhada. Fale com ele a respeito. Se já houve alguma conversa do tipo, tente o ajudar, dando dicas do que você acha que combina com ele (como profissão), ou diga para ele ir a um psicólogo fazer um acompanhamento vocacional - eu mesma fiz e foi ótimo. Se nada disso adiantar, é esperar que a vida dê um rumo a ele. Ou pelo menos mostre um caminho.


Adoooro estar ao lado dele, gosto dele de verdade. Se depender de mim, esse namoro vai durar, e queeeem sabe mais pra frente virar algo mais.. Mas a falta de atitude em relação a ele mesmo, e a falta compreensão da parte dele às vezes me magoa. Quero que nós dois cresçamos juntos. Não quero mudar ele, gostaria que essa mudança ocorresse por livre e espontânea vontade. Só sei que o medo de ir me envolvendo cada vez mais anda me pertubando... o que eu faço? Me da uma luz. Obrigada por me "ouvir", beeeijos.


Olha, o que posso te falar.. Nem sempre um casal está em sintonia de vida, sabe. De vez em quando um anda numa fase ruim, e o outro não. Resta ao "contente e satisfeito" apoiar aquele que não anda tanto assim. Acho que relacionamentos tem que ser feitos disso: de amar o outro tanto, tanto, que a gente até se anula um pouquinho de vez em quando, ficando preocupadas, conversando bastante, enfim. Talvez, tudo que ele precise, é uma luz, um auxílio. No que tu puder, deveria tentar ajudá-lo. Mas como disse, se ele é quem não quer saber de nada, não acha importante pensar no próprio futuro e coisas do tipo, daí não tem mesmo muita solução. Ele pode mudar com o tempo, mas somente tu pode saber se te convém esperar por essa mudança enquanto você vai tecendo sonhos, ilusões e sentimentos ao lado do querido. Uma boa conversa resolve quase tudo nessa vida: desde um ciúme desnecessário e é que bom que diminua a um desleixo quanto ás próprias aspirações. Válido tentar, minha dica! Boa sorte, e um beijinho!


Quer enviar a sua dúvida, dilema ou pergunta também? O e-mail é camilapaier@gmail.com e eu estou aguardando você! 

Calmila Responde: A ex-biscate e o passado que incomoda

1.03.2012 -

Querida Camila, sou uma grande fã sua. Parabéns por esse dom tão lindo.

Lindona, muito obrigada! Sempre fico feliz ao ler isso.

Já comecei a escrever vários e-mails pra ti, mas nunca cheguei ao final de nenhum deles, até que comecei a me questionar o porque e talvez tenha encontrado. O problema não é nenhuma situação, nem algum cara: o problema é comigo.

Acho que se tu pensou bastante, e então admite, já é um grande passo para uma mudança, não é?

Quando "comecei" minha vida amorosa, quer dizer, quando me apaixonei pela primeira vez, e segunda e a terceira, foi uma sequência de decepções sem tamanho. Quando eu achava que poderia confiar na pessoa, que conseguiria me abrir novamente, lá vinha outra bomba.

Ou seja: você escolhia a dedo os cafajestes. É complicado mesmo, porque quando tu deverias ter moldado e firmado a sua conduta perante o amor dali em diante, não conseguiu o fazer bem. Mas, vamos lá. Continue.

Acredito que isso tudo acabou me endurecendo muito - sem melosidades poéticas, é fato, endureci mesmo, desacreditei demais de tudo. Os casamentos da minha família também nunca foram um bom exemplo para que eu acreditasse em amor e essas coisas todas, cresci vendo pessoas que eu amo magoando pessoas que eu amo, cresci vendo que o amor deixa a gente muito vulnerável e nunca quis ser assim. E acho que em parte, tenho culpa por todas as decepções amorosas que tive, por não querer parecer vulnerável nunca me entreguei por inteiro, e no fundo estava sempre esperando alguma traição, alguma decepção, não conseguia confiar.

A gente tende a endurecer mesmo, no setor da vida que for, quando se machuca. Seguir os padrões da família ou de quem convivemos, contudo, é apenas uma das milhares opções que temos. Se você não se dava, estava sempre com medo, ou internamente sabia não poder confiar, é porque havia algo errado mesmo. E não tinha como receber algo em troca.

A última (e fatal) relação amorosa que tive, me fez chutar o balde, e então comecei a usar os caras que sentiam algo por mim: ia pra balada, bebia demais, não me valorizava. Uma catástrofe. 

Putz. Pegou o caminho errado, sinto dizer. Mesmo quem sofre um monte ou descrê da vida, sei lá, há tantos outros rumos, não acha? Esse com certeza é o mais fácil de entrar, mas o mais complicado de tirar de ti. Ou seja, do que te rotularam. Como confiar em quem aprontou todas, não deu valor a quem deveria e muito menos a si mesma? Acho que é tudo consequência de um passado não tão distante.

E no meio disso tudo, claro que acabei me envolvendo sentimentalmente com canalhas galinhas ridículos, e sofrendo mais ainda para não perder o costume. Resumindo: fiz a minha fama.

Como dizem por aí: depois de feita a fama, o futuro é a lama. Algum dia o mundo divertido onde biscatear por aí e achar que vive no Mean Girls ia terminar, né? E a gente, às vezes, deve pensar mais pra frente. Pra que decair na vida se é só esperar que ela pode nos surpreender? Agora é sair do barro.

Até que, decidi sossegar, lidar com meus sentimentos de maneira menos infantil, e comecei a me envolver com um cara legal, mas legal mesmo, sem antecedentes ruins, e que também tinha sofrido muito, assim como eu. Ele sabia do meu passado/presente, e isso era um problema e tanto. Um problema que não foi mais difícil de superar do que meus habituais problemas com ciúmes, desconfiança, etc etc. 

Eu imagino. Tu confiaria cegamente em namorar um cara que não vale nem o que come? Eu, com certeza, não. E mesmo se fosse um cara, não conseguiria namorar alguém que já pintou o sete e bordou biscatices noite afora. Passado importa sim, e é uma hipocrisia a gente dizer e acreditar nesse papo de que as pessoas mudam - ainda mais em tão pouco tempo - e que, do nada, você resolveu se comportar. Deveria ter feito isso antes, com todo o respeito. É uma culpa que, infelizmente, vai seguir contigo por um tempo, até que tu estabilizes a tua vida e isso fique num passado bem lá atrás. Eu penso sempre: é isso que eu quero contar pras minhas filhas futuramente? Que peguei um zilhão de caras e abria as pernas pra qualquer um? Nunca quis, nunca fiz e contarei coisas bem diferentes, ainda bem. É só analisando o passado de alguém que a gente consegue entender o momento presente dela. Ou seja: importa.

Mas estávamos conseguindo levar, aos trancos e barrancos, apenas me irritava um pouco o fato de ele não perder a oportunidade de jogar na minha cara tudo que "aprontei" no passado. 

E vai ser sempre assim quando tu te relacionares com caras que saibam do teu "passado negro". Homens não perdem essa oportunidades, mulheres são bem mais compreensivas. A prova disso é que, os caras cafajestes acabam conseguindo encontrar namoradas fiéis, loucas por eles, e até mesmo cornas que aceitem a vida de bon vivant que levam. Já quem pega o rumo de querer ser devassa por uns tempos..Demora. A não ser que encontre um cara de outra cidade e que esse fique um bom tempo sem saber do que aprontaste lá atrás.

Até que no ano novo, foi o fim: não conseguimos passar juntos e ele ficou com outra menina. 

O que também não justifica, mas enfim, ele talvez nunca tenha confiado em ti. Não por não gostar, mas por simplesmente não conseguir. Foi errado, mas erro maior ainda é um casal passar distante nessas festas de ano novo. Se ficaram longe, que não saíssem pra balada separados, pelo menos. Ele deu justificativas pra isso? Estava contigo, tinha um compromisso, e mesmo sabendo do seu past tense, aceitou namorar. Quis isso. Injustificável.

E ainda falou pra mim, se achando na razão, tudo por causa do meu passado. Obviamente decidi esquecer mais essa história, e dei um fora nele. Mas mesmo assim não consigo me sentir bem comigo mesma, me sinto culpada por tudo que eu fiz, e por ter dado errado também dessa vez.

Olhe, se sentir culpada pelo passado, acho ok. Mas pelo relacionamento ser frustrante, não. Pelo que li e compreendi, já havia algumas coisas erradas, e quando tem coisa que não deve demais junta, acaba cedo. Se ele jogava isso na sua cara com frequência, uma hora nem você mesma ia aguentar mais. Ou tu encontras alguém que aceite (ou não saiba), ou infelizmente, de vez em quando vão comentar sobre ou se sentirem tristes pelo que já aconteceu antes deles.

Mas o problema maior é essa minha dificuldade em me envolver, em confiar, e quando consigo fazer isso, sempre levo um golpe mais forte. Sempre me apaixono pelo errado, e quando aparece alguém bom e que me ame, estou sempre muito ocupada lambendo as feridas do último golpe. Não quero mais isso, mas não sei o que fazer, não sei com mudar esse meu jeito, apagar essa impressão que tiveram de mim.

Apagar, não vai ter mesmo como. Vai demorar até que tu sare totalmente, de todos esses "golpes" do destino, e também que tu encontre alguém que não ligue pra tudo isso. Então, enquanto isso não te ocorre, acho que o melhor que tu tens a fazer é não atropelar nada: cuide de ti. Não queira tanto se apaixonar, se você ainda nem consegue ser louca por você mesma. Esqueça a cilada de um amor perfeito e maior que tudo isso, antes que esse carimbo do passado te suma da alma. O melhor a fazer é focar nos estudos, na vida profissional, nas suas amigas e na família, enquanto se prepara para que algo bom de verdade te aconteça.

E agora que ainda estou apaixonada por esse último menino, também não sei o que fazer com o sentimentos que tenho certeza de não serem igualmente recíprocos. Sinto que tudo isso que faço é uma constante desvalorização de mim mesma, sempre acho que não sou merecedora de alguém que me ame, de um relacionamento bom e saudável. Acho que sou seriamente desequilibrada hehe.

Ainda vale tudo que disse acima: até que tu te coloques em primeiro lugar, ninguém vai o fazer. Assuma seus erros como vitórias para formar um caráter bacana de quem tu hoje é. Te goste acima de qualquer cara - ainda mais desse que, parecia muito legal, mas pelo último ato mostrou que não é tanto assim. Dê um tempo para si mesma, o amor pousa na gente bem de leve, quase sem fazer com que a gente sinta, pra não nos assustar. Só assim um equilíbrio entre o seu amor próprio e o de um mero alguém é realmente possível.

Sei que tu não vais fazer nenhum milagre, só queria uma opinião de alguém tão conhecida no assunto. Obrigada pela paciência linda, beijão.

Capaz, queridona. Espero que os conselhos sejam válidos. Descansa esse corpinho e também a mente que partir pro lado negro da força e biscatear por aí não tá com nada, não tá na moda e fica só na boca do povo, ok? Um beijão e boa sorte!

Quer enviar o seu dilema/ dúvida/ pedido de ajuda idem? Escreve bem linda pra camilapaier@gmail.com e é só ir acompanhando e aguardando que daqui uns dias tá aqui também!

Calmila Responde: A querida e o coitado típico

12.30.2011 -

Oi Guria, 
Primeiramente, gostaria de agradecer por este ano de 2011, pelos seus textos, tweets e afins. Tua paciência e solidariedade de doar um tempo do seu dia para responder e aconselhar à muitas leitoras em situações tensas!  


Ó, mas muito obrigada, dona moça.


Meu agradecimento vai um pouco mais além, afinal é a segunda vez que te escrevo. Segui seu conselho quando me respondeu sobre a ciumeira do meu querido e, it works! O ciúmes já não era mais um problema, foram outros fatores que me levaram a refletir e repensar a possível continuidade ou não de uma caminhada juntos, e eis o meu desabafo e pedido de ajuda.


Vambora, então.


Quatro meses de namoro, tudo estava correndo bem...Se não fosse pelo "coitadismo" dele (sim, depois de ler o seu texto sobre o assunto decidi que era a melhor hora para escrever). Por 4 meses acho que pude sentir o que é "ser o homem da relação" e você entenderá bem o porque disse isso. 


Ui, medo. Vamos adiante ver o porque então.


Sempre fui uma pessoa positiva, "pra cima", que gosta de rir e fazer piada até da própria desgraça, alegre, e super ativa com tudo, tentei fazer da minha vida uma aventura a cada dia, correndo, conquistando e lutando até o fim por algo que queria muito! Essa sou eu: típica sonhadora que, quando quer algo, não apenas sonha, mas torna real. Já ele, é uma pessoa "tranquila", prefere o silêncio. Sempre com um motivo para lamentar e cheio de crises existenciais e problemas familiares. Um Don Juan, galanteador com as palavras (aliás, sabe usá-las como ninguém) mas com atitudes de menino, e não de homem. 


Daí, realmente complica. Acho difícil lidar com os problemas alheios. Tá certo, ter um companheiro ao lado ameniza, faz com que a gente se sinta mais confortáveis, enfim. Agora, cada vez que surge algo, mínimo ou não, fazer disso um mimimi que não acaba nunca, não dá. Cadê momento de felicidade à dois que antes existia, né? É complicado ver morrer assim relacionamentos porque as pessoas querem ser 2 em 1. Individualidade, gente, é bacana também e deixa que o namoro respire.


Todo mês (sim, TODO mês) tinha algo para se lamentar: era o fato de termos vidas diferentes financeiramente (ele tinha uma condição inferior à minha, o que pra mim não é algo tão relevante assim) ou o fato de estarmos em cidades diferentes...


A vida financeira ser diferente é um pouquinho hard level, ok. Mas nada que muito amor não supere. Essa coisa de relacionamentos entre classes sociais distintas tem muito que a telenovela injetou no comportamento cultural do povo, não acham? Hoje em dia, se as pessoas se esforçam, isso quase nem transparece mais - a não ser que seja algo absurdamente desnivelado. Agora, cidades diferentes, pra mim ainda é o que já disse: BEM complicado. Em algum momento acaba sendo péssimo e a distância abre a porta para a carência que deixa a janela aberta, e quando vê, já era o relacionamento.


E quando ele não tinha esses espasmos emocionais, de repente apareceu (do nada) a mãe dele (que o abandonou com a irmã há uns 3 ou 4 anos atrás) que encontrava-se no hospital por causa de um acidente de carro e..E enfim: sempre um chororô diferente, todo mês! Naturalmente eu, como uma boa namorada, sempre apoiei e ajudei, consolei e fiz de tudo que estava ao meu alcance, mas tem uma hora que cansa né? E essa hora chegou... 


Se a vida dele tá sendo barra e coisa e tal, ele vai ficar ainda mais arrasado e ser mais "coitado" do que já aparenta. Agora, se está fazendo o encantamento em relação ao amor que sentiam sumir, não tem mesmo jeito. A gente já tem problema demais pra que, a pessoa que a gente escolheu pra dar leveza ao dia-a-dia o pese. Se quiser terminar, a hora é mesmo agora. Final de ano cai bem pra essas situações.


Se for pra ser assim 2012 inteiro, prefiro parar por aqui. Triste, mas não posso carregar um fardo maior que meus ombros conseguem suportar. E depois de demoradas conversas por telefone, ele disse que viria pra minha cidade para terminar de modo decente, afinal, terminar por internet e telefone é muito comodo. Tudo bem, aceitei. 


Só espero que ele não te faça mudar de ideia. Claro, é mesmo uma covardia acabar por telefone, celular, internet. Mas sabe, ao vivo a gente tende a não cair a ficha, a cair na conversa, cuidado. Vá certa do que quer.


Acredito que seja a melhor forma, até porque, tem coisas que a gente se adapta, mas caráter e personalidade são coisas imutáveis e se quatro meses já foram iguais, porque deveria acreditar que seria diferente daqui pra frente? 


Verdade, eu concordo. Não acho que o falte esses dois componentes, mas sim que, ele não dá crédito à si mesmo. E conviver com quem a gente constantemente tem que ficar colocando pra cima é dose, né? Não nos acrescenta, assim como a pessoa não evolui.


E tem outros dois fatores que agravam a situação: meus pais não aprovam nosso namoro (mas permitem mesmo assim) e ele não tem o perfil de trabalhador (não quero alguém rico, mas que seja trabalhador, que se sujeite) e como conviver assim, eu trabalhando e lutando pelo meu espaço na sociedade, ralando o dia todo e ele no facebook e twitter o dia todo, estudando à noite e dando aula de Ed. Física uma ou duas vezes na semana? (até porque ele não se sujeita em trabalhar em outra coisa que não seja "na área dele")


Ah, daí não dá MESMO. Os pais não aceitarem mas vocês conseguirem contornar a situação, ok. Agora, isso de ele ter uma tendência ao vagabundismo também é algo que não rola. Como pensar em futuro com quem não se esforça? Ainda mais quando a gente o faz. Não, não, não..Procure alguém que seja como tu, que compreenda o teu esforço. Acho que te darás melhor.


Ok, ele vem amanhã e resolveremos tudo, sem levar problemas para o ano que se iniciará...Mas como dizer pra ele tudo o que te disse? Não sei como colocar em palavras concretas e coerentes na hora H. Me dá uma luz amiga! 


Olhe, só fale. É isso. Você quer terminar mesmo. Não serão amigos de uma hora pra outra, né? Ele já vai estar com raiva, acho que é a deixa perfeita para que você transpareça tudo isso que me contou: que era um peso ele colocar um tanto dos próprios problemas em você, que ele não se esforçava para ser alguém na vida, que ainda tem os seus pais que não aprovam, enfim..Acredito que esteja bem nítido que tu consegues coisa melhor e que, se ele sofre MESMO de coitadismo, era só um vampiro emocional desses que sugam todas as nossas energias boas, até não poderem mais. Enfim, boa sorte, um ÓTIMO 2012, acho que dará tudo certo e o melhor a se fazer é ser sincera - pra ver se ele amadurece um pouco e pra ficar como dica pros relacionamentos futuros do próprio. Beijoca!


Quer também participar do Calmila Responde? Vem bem linda com a história redigida em e-mail pra camilapaier@gmail.com e espere que daqui um pouco, aqui está.

Calmila Responde: Reciprocidade, uma importância

12.29.2011 -

Oi Camila! Sou leitora do seu blog há um bom tempo e, consequentemente, me sinto íntima para pedir um "help" pra você.

Se lê há tempos, é digno mesmo. Pois então, que comece o dilema.

Comecei um namoro e estava tudo às mil maravilhas, mas ele mudou do nada e começou a ser frio. 

Indecisão, insegurança? Ou arrependimento?

Pediu um tempo e ficamos quase um mês separados, porém, nos falávamos todos os dias e ele sempre disse que me amava.

Que tempo foi esse? Quando se dá um tempo de um relacionamento - coisa que também não consigo acreditar, quando o casal volta, NUNCA é a mesma coisa - é pra sumir mesmo do campo de vivências do outro, certo? E ainda dizia te amar. Olha, pra mim, ele pediu para vocês se afastarem temporariamente, foi curtir a vida por aí e, como desejava te manter bem ali, na palma da mãozinha dele, ficava com esses "eu te amo" desnecessários para ver você quando bem entendesse.

Um dia desses, o garoto aparece chorando, pedindo desculpas e querendo voltar. 

Só eu que vi certo desequilíbrio emocional no rapaz? Como ser feliz com alguém inconstante a esse ponto? Acho complicado.

Por amar - ou somente gostar muito - voltei, e estamos levando nosso relacionamento. O problema é que o dito cujo insiste em ficar de papinho com várias, e eu não aguento mais. Quando reclamo, ele diz que sou muito melosa e que ele não gosta disso. Quando não reclamo ele diz que não me importo com ele, que não o amo mais. Sinceramente? Não sei mais o que fazer.

Acabe. É simples. Ele parece reclamar até se você respira, e amiga, isso de dar papo pra várias não é algo normal, não. Que namorado decente faz isso no mundo? Temos que ser observadoras sim, e se você nota isso, imagina o que ele pode fazer nas suas costas, sem que tu nem imagines..

Queria que ele demonstrasse para mim o mesmo que demonstra para outras, no mínimo um afeto, mas ele não consegue, parece que tem medo de demonstrar e acabar se machucando. O certo não seria esse medo ser meu?

O certo seria nenhum dos dois ter medo de demonstrar nada. Quando gostamos de alguém, isso se torna algo espontâneo. Fique atenta mesmo, pois se você sente essa falta de reciprocidade do garoto, é porque geralmente já se deu demais onde ele em nada contribuiu para fazer você se sentir única. Se ele não demonstra, será que gosta mesmo de você ou é imaturo demais para ter qualquer relacionamento ainda? Pra mim, que não conheço o cara mas estou lendo aqui, fica uma mistura das duas opções, sendo sincera.

Feminismo à parte, mas cá entre nós: mulheres tem muito mais medo de se entregar por completo. Eu tinha que estar com medo e não estou, me entreguei para esse relacionamento e até agora, não recebi nada em troca. Esperava um pouco mais de sentimento da parte dele, ou melhor, atitude. O que eu faço pra ele demonstrar? Me ajuda.

Não existe receita milagrosa, e muito menos feitiço. Assim como não tem maneira que o obrigue a demonstrar, as coisas tem que acontecer por natural. Se ele não demonstra e isso te deixa mesmo muito triste, a ponto de questionar o quanto se doa e se sentindo inferior, meio babaca, acabe. As pessoas sentem umas pelas outras e gostam de demonstrar. Se ele não se preocupa com isso ou faz pouco caso, repense bem, se esse é o homem que vai te trazer alegrias, que pode construir contigo uma história bonita, ou que realmente se preocupe contigo. Na minha opinião, tu mereces coisa melhor. Acho que levar um namoro assim é bem difícil, e só dá espaço para que a insegurança, o medo, e a rejeição plantem suas ervas daninhas e criem ninhos de minhoca na sua cabeça. Espero que eu tenha ajudado, e boa sorte, guria!

Quer enviar a sua história/dúvida/dilema também? É só escrever bem linda e com discernimento, bom português e sem se prolongar demais que daqui uns dias aqui está! Envie para camilapaier@gmail.com e just wait!

Calmila Responde: Traição, namoro à distância e a culpa

12.27.2011 -

Olá, Camila! Acompanho seu blog há algum tempo e diante da minha indecisão, do momento que estou enfrentando, decidi enviar o email. É sempre bom ouvir a opinião de alguém que admiramos. Enfim, minha história é longa e cheia de pontos de interrogação.


Mas então bora lá tentar desvendar esse enigma, né?

Namoro há quatro anos com o mesmo menino, ou seja, desde os 16. Meu namorado é uma pessoa admirável, parecido comigo em diversos aspectos, querido, me apóia sempre e nunca me deu motivos para desconfiar do seu caráter. No início do relacionamento, me mostrei uma namorada ciumenta (também pela imaturidade, afinal, nunca tinha namorado antes), implicava com coisas banais e por N motivos. Terminamos após quase dois anos de namoro e nos afastamos por seis meses. 



A imaturidade era algo normal, você era novinha quando começaram. Voltar depois de afastamento é que acho complicado. Reatar, inclusive, é algo que não recomendo e nem confio: penso que quando algo tem que acabar, é porque teve motivos - e foi a hora certa. E mesmo porque, sempre quando retomamos algo depois de um espaço de tempo onde preenchemos com outras pessoas, costumes diferentes, experiências novas, tanta coisa se perde no meio do caminho, não é mesmo? Mas continuemos.


Nesse meio tempo, conheci e me encantei por outro rapaz, bem diferente de mim. Sempre fui tímida ao extremo, com um círculo de amizades mínimo. Passei minha adolescência trocando baladas e meninos por livros e noites na frente da tv. Ao meu contrário, ele era popular, conhecido, já havia vivido muita coisa, conhecido muitas pessoas. Dono de um currículo enorme, estava sempre rodeado de muitas garotas. 


Opostos tendem a se atrais, mas só permanecem juntos se estiverem mesmo dispostos, como diz alguma frase que circula por aí. O diferente nos encanta, mas será mesmo que tem força suficiente para se manter? Fica a dúvida.


Enquanto eu estava solteira (quando havia rompido meu namoro), o interesse partiu apenas da minha parte. Conversamos pouco, mas o encantamento imediato só partiu de mim. O tempo passou, e logo voltei a namorar. Sofri muito durante o término e me senti imensamente feliz quando voltamos. Tudo ia bem, até que em uma conversa no MSN, esclareci para este outro rapaz minha fascinação e ele enfim disse que sentia por eu ter voltado a namorar, pois gostaria de ter me encontrado. Sentia muito pelo que nunca havia acontecido.  


E quando você foi iniciar essa conversa, estava namorando, certo? Se sim, me explica, amada: por quê? Poxa, se voltou com o "mor" não era pra nem pensar em mais ninguém, não concorda? Desculpem se sou cega e fidelíssima ao extremo quando apaixonada, mas pra mim apenas a pessoa existe e deu. O resto masculino do mundo - e as piriguetes - que se explodam.


Desde então, me senti confusa e levei a história em 'água morna'. Continuei mantendo as conversas, confessando que me sentia dividida. 


Wrong, wrong and wrong way...Tipo da coisa que não se faz, até porque, se fosse o TEU namorado, aposto que rolaria briga, né? Achei muito feio, sorry.


Certa noite, meu namorado que mora em outra cidade, disse que não poderia vir no fim de semana e então, decidi sair um pouco com algumas amigas pra fazer qualquer coisa simples.


Algo a ser chamado a atenção: eu não acredito em namoro a distância. É, isso mesmo: descreio. Isso sempre acaba acontecendo. Quem precisa ir buscar amor onde não vive é porque muito já colheu na própria cidade, essa é uma das minhas teorias - mas que, parece não se aplicar nesse caso, ok. Mas gente, não insistam: sempre acaba dando merda. É assim, numa saída banal pra fazer qualquer coisa que não seja estar com o namorado, opa, traiu. Namorem se realmente puderem ter tempo e ficar com a pessoa sempre. Do contrário, é complicado demais manter acesa a confiança, o amor e o desejo. Fora as piriguetes, é claro. Sempre algo a se comentar.

Como uma peça pregada pelo destino, encontrei o dito cujo na primeira esquina e, ao me ver sozinha, logo me chamou para conversar. Com o coração prestes a pular pela boca, fui sem pensar duas vezes. Ele foi claro, disse que não se importava com o meu namoro, que gostaria de ficar comigo. Não resisti e aceitei. Minha consciência 'dizia', 'gritava' que aquilo era errado, mas ao mesmo tempo, sentia que era necessário.


Putz guria. Me perdoa se eu for grossa, mas é que poxa, dá até certo nojo de ler essas coisas - mentiria se dissesse que não. Traição é o tipo da coisa que eu me recuso a entender e fico puta. Realmente incompreendo POR QUÊ, guria. É sério. Se tinha esse desejo e mantinha essas conversas, que acabasse o relacionamento vigente e fosse ser feliz, afinal, era um alerta de que, com o seu cornamorado não estava rolando.


Não podia manter um namoro com aquele ponto de interrogação, aquele desejo pelo que poderia ter sido e não foi. Era necessário passar por aquela situação para que visse o que era melhor. Enfim, sei que pode parecer errado, mas foi o que pensei na época. 


Acho que não ameniza o que tu fizeste, mas talvez sirva como consolação, sei lá. Nunca passei por isso, e realmente, acho que não conseguiria. Penso que sempre há um jeito de que a gente possa frear essas vontades repentinas e que depois virão só arrependimento. Enfim, feito, acho que terias é que terminar com o namorado. Pensa também nele, coitado. E falar a verdade, que é pra não sobrar remorso nenhum dentro de ti.


Me senti extremamente culpada depois. Contei tudo para minha mãe, a única pessoa que iria me ouvir sem me julgar. Decidi deixar aquele momento arquivado na lembrança, como único, raro e bonito, mas levar meu namoro em frente, porém o problema seguiu comigo - os pontos de interrogação se multiplicaram e não consegui esquecer o rapaz em questão, assim como tinha a certeza de que não queria terminar meu namoro.


Por honra e respeito ao teu namorado, na minha opinião, o melhor era ele saber e deixar que ele terminasse contigo se não conseguisse perdoar.


Acabei cometendo o tal erro mais algumas vezes, fiquei com o moço e no fim das contas, saia com a sensação de que aquilo havia terminado ali, mas sempre procurava notícias através de redes sociais, mensagens no celular, ligações, notícias recebidas através de amigos em comum e etc. 


Ou seja, você até quis que acabasse ali. Mas não. O inconsciente procurava a sarna pra se coçar e os estragos a serem feitos. Acho complicadíssimo, mas mantenho minha opinião. Deu peninha do seu namorado.


Ele continuou seguindo da mesma forma, ficando com várias, frequentando noitadas, bares, sempre na companhia de vários amigos. Meu namoro resistiu à tudo. Algumas vezes, confesso que descontei no meu namorado a minha dúvida, camuflada em distância, brigas, indiferença. 


Mais pena do seu namorado que, por mais que more em outra cidade, parece realmente gostar de você. É complicada mesmo essa carência que a gente sente e não consegue suprir, e de repente, acha que quem estar perto acaba servindo, quando tudo que sobra no final é culpa e remorso. Achei tudo triste.


Iniciei um tratamento psicológico, pois não aguentava mais viver com aquilo. Segundo a terapeuta, eu sofria pois idealizava o rapaz como alguém perfeito, gostava do proibido e apesar de amar meu namorado, era escrava das minhas idealizações e desprezava o que estava ao meu alcance, pelo simples fato de já possuir. 


Concordo duas vezes: por ter procurado ajuda e uma opinião neutra e com a sua terapeuta. Mas acho também que é um tanto que imaturidade sua, e que, com o tempo, tu conquistas.


No fim das contas, quando olho para o lado, quando vejo um companheiro, um amigo, um exemplo, alguém que poderia passar a vida toda, quando me vejo velhinha, vejo meu namorado ao meu lado. Apesar de não ser perfeito, de estar longe do que imaginei um dia, ele é a pessoa que escolhi. Parece feio dizer isso, logo após relatar que o trai. Um amor egoísta, que feriu, que quebrou um elo quando cometi o erro de ficar com outro mesmo estando com ele (que não sabe e nunca saberá dessa situação). Me sinto culpada, suja, quando penso no que fiz, mas enfim, gostaria de pedir sua opinião de tudo isso. Não consigo me afastar do outro, para quem sou a última opção. Não sei exatamente o que, mas qualquer palavra, por mais simples que seja, significa muito, pois me sinto perdida em meio a uma situação que eu mesmo criei. Agradeço desde já.
Beijos, beijos.


Poxa, menina...Então. Fui pontuando ao longo do que me escreveste, como de costume, mas acho que, sabe o que é? Acho que tu deve curtir um desafio, isso sim. E ter uma auto-estima baixa, e estar com ela ainda mais lá no chão depois de tais acontecimentos. Tem contigo alguém que parece dar valor, que te curte, cuida e gosta, mas aceita ser pisada por um cara que não está nem aí, o típico bon vivant que toda mulher tem em sua história. Como já disse: fale ao seu namorado. A culpa diminuirá, e a consciência, ficará vazia. Limpinha. Foi bem feio mesmo o que fizeste, esqueceu a razão sabe-se lá aonde, mas: para não estragar ainda mais, para não deixar que outras pessoas o façam, fale você. Arque com as consequências dos seus atos, é assim que a gente cresce. E então, espere que o seu namorado decida se deseja continuar como seu parceiro, se além de aceitar, perdoa, ou se ele prefere ser chamado de ex. Dê ao menos esse gostinho a ele, já que o estrago foi você quem fez. Se gosta tanto dele como diz, o quer sendo otário por anos a fio? Acredito que não. Por mais duro e difícil que seja, espero que meus conselhos tenham servido para algo. E boa sorte!


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Calmila Responde: E então, ela descobriu a senha do namorado no Facebook...

12.25.2011 -

Oi guria, tudo bem? 
Adorei saber que você também é gaúcha, acompanho teu blog já faz um tempo mas sempre sinto vergonha de comentar nos teus posts, teu talento é incrível, não tem um dia que não passo por aqui, mas tá, vou parar de enrolar.

Que lindinha. Adoro ver as gaúchas que leem cada vez mais aparecendo por aqui. Então, vamos lá que eu também não curto enrolação.

Namoro um cara já fazem 3 meses, tenho 17 anos, sou virgem e ele tem 20. Tive um outro relacionamento, assim, sério, que durou dois meses e só. Ele teve um que durou 1 ano e 2 meses. Sou tri ciumenta, e sofro por antecipação, isso é muito difícil pra mim.

Entendo bem o ciúme e a ansiedade, estamos quase dentro do mesmo clube. Três meses de namoro, idades praticamente regulares, prossigamos.

Há um tempo - não me pergunte porque - descobri a senha do facebook dele. 

Cagada. Cagada, cagada e cagada. A gente namora, mas tem que ter uma vida paralela à da pessoa. Não tenho e não faço a mínima questão de ter a senha do meu namorado. Além de achar ridículo os casais que trocam e entram frequentemente para "rondar" o perfil alheio. Enfim, não faz meu tipo. Eu tenho até é medo de acessar e descobrir facetas, falas e contatos que meu namorado estabelece e que podem me frustrar, admito. Mas então, a sua desconfiança agiu com má fé - um pouquinho foi, vai - e você teve acesso à parte do mundo secreto do seu lindo. E claro que isso só podia feder ainda mais.

Acho que foi uma das piores coisas que já fiz, e não tô exagerando. 

Eu realmente imagino.

Da primeira vez que entrei, vi nas mensagens ele dizendo a um amigo que é apaixonado por mim. Fiquei tão, mas tão feliz... 

Ótimo. E é lógico que existiria uma segunda vez.

Da segunda, o vi dizer que pretendia ter a nossa primeira relação sexual em breve. Válido, gosto demais dele.

Concordo. Três meses está em tempo, homem quando não tem sexo procura aonde possa encontrar. Só isso que tenho a dizer.

Mas o problema veio na terceira vez que entrei na conta dele. O vi conversar com um amigo sobre um "passeio". O amigo perguntou como havia sido, e ele disse que a guria era muito chata, que disse pra ela que tinha namorada e que não ia só dar "beijos" nela (fiquei sem saber se o "nela" era "n'eu", ou "nela" mesmo). 

Tô chocada, tô pasma e acho que, assim: podia ser nela, guria. Ele não te chamaria de chata, e deve "passear" com você com frequência. Putz.

Que essa guria diz uma coisa pelo msn, e ao vivo faz outra. E aí ele a levou pra casa. Camila, comecei a pensar e a tentar entender, porque parecia tudo muito confuso. 

Eu já teria tido um ataque com ele, diria que li, e que ele estava me traindo. Porque, olha amiga..Complicado, hein. Pra mim, essa garota não era você, ele tava atrás de sexo - deve ser alguma que ele já tem noção de que o "acesso" seja fácil - e enfim, pelo que descreveste a chance de ele ter traído é grande (na minha opinião).

Pensei que ele estivesse buscando sexo fora do nosso relacionamento, já que comigo ainda não conseguiu, mas por uma questão de tempo. Prometi pra mim mesma nunca mais fazer isso, de entrar no facebook. Sabe, tenho um blog, e atualizo constantemente. No dia em que fiz essa burrada de invadir a privacidade e colocar coisa na cabeça que não existe, escrevi. Preferi guardar comigo essa desconfiança que talvez não faça sentido algum e não disse nada a ele. Comigo ele é um anjo, a pessoa mais querida e atenciosa que já conheci. Sempre arruma um jeito de tocar no meu cabelo e diz constantemente que me ama, pede, implora que eu não o deixe e que quer passar o resto da vida ao meu lado. 

Eu já disse que desconfio MUITO da perfeição amorosa? Então.

Eu noto claramente a sinceridade em seus olhos, e sou perdidamente apaixonada por ele. Quando estamos juntos, somos um. Aí longe, eu sinto essa desconfiança, mas quando estamos perto, parece tudo mentira. Decidi, infelizmente, entrar no facebook dele pela quarta vez.

Lá vem, gente. Eu sabia que amor demais não podia ser tão amor quanto um amor normal - e saudável - deve ser.

Encontrei lá, nas mensagens, uma colagem do que eu havia escrito, era um trechinho pedindo a fidelidade dele. Foi a ex quem enviou, e disse no final: "P.S.: Você está fazendo isso errado, panaca hahahahaha" Não soube o que concluir. Só pensei "Puta merda, pra que fui fazer isso outra vez?"

Puta merda também repeti eu aqui. Acho que, sendo sincera e tentando falar isso de uma maneira que não te machuque, talvez tu seja corna e todo mundo saiba - menos tu. Até a ex, gente. Fala sério. Se ele mantém contato com a ex, fala de uma garota que não parece ser você num papo estranho com o amigo e demonstra excessivamente que te ama, cuidado, guria! Por favor. A culpa não é sua de ter descoberto a senha. Vai ver foi o destino você desconfiar ou saber o quanto antes disso tudo pra poder se afastar e se tocar.

Desculpa o vocabulário, mas me diz o que se pensa numa hora dessas? Já não é de hoje que eu vejo essa ex se metendo na vida dele. No aniversário dele, ele estava lá em casa e ela ligou. Achei também um sms de "Feliz aniversário, panaca" no celular com o nome dela. Nome não, apelido. E quando estamos juntos, tudo isso se anula, ele me ama e eu fico sem saber se ele é um ótimo ator, ou se eu sou uma péssima namorada ciumenta que fica vendo coisa onde não tem. Eu sei lá se fico pensando demais, isso é perigoso pra mim às vezes. Olha, isso é o que mais me aflige no momento Camila. Obrigada, e um beijo enorme da tua leitora gaúcha e envergonhada.

Então. Fui opinando ao longo do que a menina escreveu, como de costume, mas é isso. Converse com ele. Encare frente à frente. Entre uma última vez, imprima as coisas que viu e leu - provas concretas não deixam dúvidas - e fale com ele. Por mais doloroso que seja admitir para ele que você descobriu a senha dele e fuxicou e viu coisa que não te fez bem. Na minha opinião, a sua intuição é que faz a confiança diminuir porque, lá no fundo, sabe que aí tem. Acho que olhos nos olhos e verdades postas à mesa, tu saberás bem o que fazer como prosseguir, parece ser uma garota bem inteligente. Boa sorte, viu? Beijoca!

Quer enviar o seu drama/dilema/dúvida também? Escreve bem lindo pra camilapaier@gmail.com e depois basta aguardar na fila, que tá grandinha e só aumenta!