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Fiz o Enem seis anos depois - e conto o que achei, como me saí, a aventura

10.25.2015 -

Era 2009. Eu estava no último ano do Ensino Médio, ansiosa para os vestibulares que se aproximavam e louca para que acabassem as aulas de Química, Física e Matemática - matérias que nunca foram minhas grandes amigas. Porto Alegre (capital do Rio Grande do Sul) ainda era minha casa e, naquele ano, o Enem havia ganhado protagonismo entre os processos seletivos: com uma boa nota, talvez conseguisse uma vaga em uma universidade pública.

Para não me atrasar, lembro que sai horas antes da prova de casa. Faria a prova num complexo educacional muito longe. Apesar de ter saído de casa cedo, cheguei em cima do laço no meu local de prova e um dos professores do meu cursinho me levou - praticamente correndo - até meu prédio e sala para que eu realizasse o exame tranquilo.

Passados seis anos do dia que fiz o Enem pela primeira vez. Lá fui eu de novo fazer a prova. Posso dizer que aprendi a administrar melhor meu tempo, mas o medo das matérias de exatas ainda é uma marca própria.

O dia anterior
Sexta-feira pré-Enem. Trabalhando em um site em que o assunto é educação - e o enfoque vestibular - não poderia ser um dia tranquilo, certo? Aqui na redação, ficamos atentas às possíveis novidades soltadas pelo MEC ou o pelo Inep , programei postagens nas redes sociais para o final de semana, fiz uma notinha e alguns cards para o Instagram. Apresentei o último hangout antes da prova, às 19h. E, para desestressar, jantei na casa de amigos às 20h30.
Confesso que cuidei para que a alimentação fosse o mais leve possível – uma das dicas que demos aqui no Guia do Estudante, inclusive - e evitei excessos: uma pizza vegarella de alho-poró, uma tortinha de limão também vegana, água, muita água mineral. Por mais animada que estivesse a conversa, me despedi cedo. Sem sono, assisti um filme antes de dormir e por volta da 1h da manhã já estava entregue à Orfeu, o deus do sono segundo a mitologia grega.

A manhã da prova
Despertei às 9h. Porém, fui levemente dominada pelo combo frio + cobertor. Consegui pular da cama só às 10h. Tomei um banho rápido, sequei os cabelos e fui direto para o supermercado. Morar longe dos pais tem dessas coisas, é preciso se virar quando o assunto é geladeira cheia (e a minha, nesse caso e semana, estava de dar pena). Aproveitei e pensei em lanches rápidos de serem degustados na hora da prova, assim como simples de se carregar até o local. Conversei com amigas, falei com minha mãe pelo telefone, fiz um almoço leve e rápido. Logo depois, separei os documentos necessários, duas canetas pretas, uma garrafinha de água. Prendi os cabelos, afinal, tenho mania de jogá-los de um lado a outro de hora em hora e escovei os dentes. Revi o percurso. Com a confiança de uma iniciante, me fui.

O caminho, a chegada
Dei uma das maiores sortes este ano: meu local de prova era a cerca de 10 minutos a pé de onde moro. Mesmo assim, saí de casa com uma hora de antecedência. Imaginei o tumulto que se formaria na entrada, a dificuldade para achar a sala, a tranquilidade de já estar sentada e em paz uns bons minutos antes das 13h, horário em que os portões se fechariam em 2015. Tranquila, passei em frente ao Cemitério do bairro junto com muitos outros jovens que realizariam o exame por ali. Ao chegar no Mackenzie – meu local de prova -, avistei muitos familiares em companhia dos candidatos, uma galera sem o cartão de confirmação, completamente perdida, e gente ouvindo música como quem se concentra para lutar pelo cinturão dos sabichões do ano. Todos ainda fora dos prédios. Ganhei outras duas canetas pretas transparentes de uns rapazes na entrada da universidade, assim como um abanador para espantar o calor, a ansiedade, o nervosismo. Sem rostos conhecidos, me encaminhei para o prédio 45, andar 5 e sala 117.

Alguns percalços
Consegui me dirigir até os elevadores com alguma rapidez. Entulhado de pessoas, ele foi parando de andar em andar, até chegar no penúltimo, onde eu deveria descer. Três garotas estavam em fila, em frente à minha sala de prova, aguardando a fiscal conferir seus nomes e documentos. Receosa, o único fator que me deixava ansiosa era justamente este: fui furtada há dois meses e, por conta da greve dos Correios, minha certidão de nascimento demorou horrores para chegar até São Paulo. Ou seja, eu estava sem RG. Na leva, minha carteira de trabalho também se foi. Li no edital do exame que existia a possibilidade de fazer o Enem com boletim de ocorrência de, no máximo, três meses atrás. Levei junto a certidão e carteirinha da faculdade, afinal, alguma foto talvez fosse necessária para provar que eu era a dona de tais papeis.

Chegou minha vez e a fiscal pediu que eu aguardasse um dos fiscais oficiais, que costumam perambular pelos corredores, vestidos de preto. Pensamentos como "já era, não vai rolar a prova" ou "é agora que eu perco a chance de ver o Enem mais de pertinho" atravessaram minha cabeça, antes tranquila. Um rapaz apareceu e pediu que eu o acompanhasse. Descemos juntos até o primeiro piso, numa sala onde ficam os organizadores. Lá, registrei meu boletim de ocorrência e os ouvi falando sobre estudantes que reclamavam com cartões de inscrição em mãos por não terem seus nomes nas salas indicadas e afins. Muitos deles nem ao menos tinham visto sua Página do Participante, no site do próprio Enem. Outros, perdidos, ameaçavam futuros processos e saíam esbaforidos do prédio. Eu, finalmente, pude subir e sentar para esperar que minha prova fosse entregue.

Camilas e mais Camilas
Há algo de muito estranho em estar presa por horas dentro de uma sala de aula lotada com pessoas com nomes iguais ao seu. Meu sentimento junto a todas aquelas Camilas era de estranheza: havia meninas muito mais novas, poucas mais velhas, de diversas etnias e vestidas dos mais diferentes estilos. No fundo, torcia para que todas fossem tão legais quanto eu e evitassem abrir salgadinhos barulhentos, marmitas fedidas ou espirrassem de cinco em cinco minutos. Eu estava um pouco errada. Apesar de escolher a carteira delicadamente, tive o azar de uma das minhas charás adorar Cheetos e suco de caixinha. Na diagonal, alguma Cami, Cá ou Mila gripou-se uns dias antes do vestibular e assoava o nariz com uma frequência de dar dó, não fosse tão alto o barulho. Em certo momento, resolvi desencanar dos sons alheios e me focar na leitura das noventa questões e seus enunciados compridos.

A prova
Simpáticas, as ficais mostraram o lote lacrado de provas ao abrir, entregaram ,organizadamente, as cores de cada caderno para que a aleatoriedade reinasse. Deixaram avisos e horários no quadro negro para que todas evitássemos perguntas toscas. Sem relógio, minha sala ganhou alguns adesivos na parede, que iam do 4h30 até o 15 minutos, para que soubéssemos quanto tempo faltava para acabar o exame. A cada meia hora, retiravam um desses adesivos.

Às 13h30, pontualmente, foi dada a largada para que pudéssemos abrir as diversas páginas do Enem e resolver as questões. Ganhei a prova cor-de-rosa e logo identifiquei que a primeira prova era Ciências Humanas, uma das que me favorece. Comecei com o método que costumo utilizar em qualquer avaliação: leio com atenção, faço asteriscos em duas alternativas que me parecem encaixar na pergunta, vou para a próxima. Assim fui, até que 1h30 depois havia terminado as primeiras 45 questões. Fiquei feliz em ver que caiu Simone de Beauvoir, ditadura militar, Ziraldo, bandeirismo, escravidão no Brasil e no mundo, globalização, colonialismo e muita Idade Medieval.

Passadas pelas questões de humanas, era a temida hora de encarar a prova de física, química e biologia, as matérias que eram meus pesadelos do colegial. Não tive tempo para estudar e me preparar como deveria, porém, achei que a prova focou bastante na tabela periódica. Minha memória, depois de meia dúzia de anos, já não comportava fórmulas e macetes do assunto. Porém, consegui realizar metade das questões. Para responder a outra parte, fui guiada pela eliminação de alternativas bizarras e alguma força divina, admito.

Ainda faltava meia-hora para que eu pudesse sair com o caderno da prova em mãos e mesmo já tendo preenchido o gabrito do exame, optei por esperar para levá-lo comigo para casa. Era necessária alguma paz que me acompanhasse até em casa. Já fora do complexo cheio de edifícios presbiteriano, rasguei a sacola de plástico onde guardei os dispositivos eletrônicos que levei e liguei meu celular. Doze minutos depois, estava em casa. Cansada pela habilidade perdida de se responder perguntas por horas a fio, cheguei e abri a banana que levei e não comi. Abracei todo repouso possível, afinal, ainda teria que encarar as provas de matemática, línguas, artes e tecnologia da Informação e a redação.

O segundo dia
Meu corpo já desacostumado a passar horas a fio realizando testes penou: senti dores na nuca, enxaqueca e um princípio de gripe se iniciou. Dormi a noite de sábado para domingo realmente mal. Acordei três vezes e, medicada, fui apagar só às 4h da manhã. Acordei às 10h, e ainda exausta, cogitei ficar apenas trabalhando ao invés de me submeter a mais uma tarde de provas. Reclamei via mensagens instantâneas para minha mãe, que mora longe. Sem mimimi: um antigripal e antiinflamatório depois, vestida, resolvi partir. Dessa vez, sem almoço, afinal o tempo estava curto. O café da manhã, contudo, foi reforçado: uma tigela de iogurte com granola, chá de camomila para acalmar os ânimos e esquentar o corpo e alguns biscoitos de castanhas. Na bolsa, uma banana média e mais biscoitinhos integrais. Água, uma garrafinha, como no primeiro dia. Febril, chamei o elevador às 11h45 e fui caminhando devagar até o Mackenzie.

A espera
Chegar muito antes da prova tem o bônus da certeza de que o exame será realizado, verdade. Poucos falam, contudo, sobre a ansiedade que aumenta quando é necessário esperar por quase uma hora para ter a folha em mãos. As fiscais já haviam se tornado conhecidas, algumas Camilas firmaram amizades entre si. Eu estava caindo de sono. Me permiti uma soneca, alguém me avisaria caso roncasse ou estivesse babando quando a prova começasse. O importante é que já estava à postos, sã e salva. A redação era o que me salvaria do fracasso numérico, pensava. E não é que eu estava mais que certa?

A redação
Uma menina estava com um lápis e foi repreendida. Outra garota portava uma caneta que, além de não ser transparente, era azul. Uma amiga homônima fez a gentileza de a emprestar a cor ideal para a leitura do TRI. Um silêncio abissal tomou conta da sala. As provas, enfim, seriam distribuídas. Como no primeiro dia, recebi a cor rosa (uma das minhas favoritas, o que tomei como um sinal positivo).

O Enem é também um exercício de paciência quando faz seus inscritos passarem cerca de cinco minutos com a prova em mãos sem poder abri-la, conferi-la, realizá-la. “Nada de abrir a primeira página para ler, de cantinho, o tema da redação!”, avisa uma das fiscais. Toca o sinal: finalmente podemos começar.

Violência contra a mulher! É isso mesmo, MEC? Índices de agressões, propaganda contra o feminicídio? Uma felicidade gigante explodiu por dentro de mim ao pensar nos sete milhões de estudantes que pensariam, ainda que por alguns minutos, em toda essa situação apavorante que garotas como eu, senhoras, meninas, trans, passam todo dia. Lida a proposta, parti para Linguagens e Códigos, onde me sairia melhor.

Estratégia pessoal
Sabendo que as questões que exigem leitura eram minhas melhores companhias, me empenhei nelas. Li, reli, e sublinhei o que e o quanto julguei necessário. A prova de Inglês exigiu muito mais de interpretação textual que gramática, o que com certeza me favoreceu. Questões com Chico Buarque, Cecília Meireles e hip hop apenas elevaram meus níveis de tranquilidade e satisfação. Terminada a parte feliz do exame, espiei Matemática - apenas para ver o grau de dificuldade. Surpresa, vi muitas perguntas que talvez soubesse responder, como as de probabilidade, porcentagem e que exigiam leitura de gráficos. Porém, fazer a redação na pausa entre os dois tipos de conteúdo foi a tática que escolhi - e tudo correu da melhor forma dessa maneira.

Matemática e o fim
Cheguei a contar: das 45 questões dessa parte da prova, consegui resolver 20 delas. Sem consultar o material de matemática uns dias antes (admito, preciso ser franca aqui), sem tempo para longos estudos, sem ver números, fórmulas e aulas do assunto há, pelo menos, cinco anos. No ofício de jornalista, uso pouquíssimo números, contas e resolvo o que preciso na calculadora. Ou seja: ou minha memória anda em melhor estado que pensava, ou a complexidade da prova não era das mais elaboradas.

Às 17h30 terminei de preencher cada bolinha do gabarito e entreguei rascunho, prova cor-de-rosa e minhas questões respondidas e assinadas para a fiscal. Terminava ali o par de dias mais cansativo dos últimos finais de semana. Ainda bem que o ano é 2015, o Exame Nacional do Ensino Médio é cada vez mais bem elaborado e pude dormir tranquila por algumas horas assim que pisei em meu apartamento.

Zodíaco do Guia: O estudante de cada signo!

10.14.2015 -


Você acredita em horóscopo? Nós do GUIA entramos nessa vibe do esoterismo e resolvemos fazer uma brincadeira sobre signos e os perfis que, supostamente, representam cada estudante. Será que a data que você nasceu influencia a sua forma de lidar com os estudos? Vamos ver!
Os signos de Fogo, característicos por sua bravura, inquietude e impulsividade, certamente são aqueles colegas destemidos que dão opiniões controversas e desafiam professores. Tranquilos, os colegas de Ar tendem a ser calmos, centrados e adoradores das artes. Com os pés praticamente fincados no chão, os donos do elemento Terra prestam atenção no que é dado em aula, copiam as matérias e estudam com antecedência para as provas. Já os seres de Água são volúveis: em alguns dias, se retraem e decidem que é melhor prestar atenção ao que a professora diz que ter que estudar tudo depois; em outros, chegam saltitantes e falantes e nem mesmo o diretor é capaz de pará-los.

Veja o que diz o tipo de estudante de acordo com o seu signo:
Áries – O ariano é aquele colega que sempre termina as provas antes, presta pouquíssima atenção em aula e manda bem nos exames, lidera os trabalhos em grupo (ainda que, com pouca paciência) apresenta temas polêmicos nos debates e seminários. Costuma adorar as aulas de Educação Física, onde pode extravasar sua incansável energia.
Touro – Você pode pedir para o colega taurino o caderno para copiar ou qualquer material emprestado (assim como dinheiro emprestado para comprar lanche na cantina quando você esquecer o seu). Ele costuma estudar com firmeza, por meio de técnicas comprovadas e com muita organização. Fala pouco em sala de aula e tende a ter boas notas nas disciplinas de exatas.
Gêmeos – Amigo de toda a galera, é comum que os pais deste aluno recebem notificações, bilhetes ou advertências devido à capacidade verborrágica que ele possui. Há dias em que chega na escola quieto, calmo e cheio de vontade de aprender. Em outros, despertam elétricos, mexem no celular durante toda a manhã e cutucam o colega da frente sem parar. Por serem dois, alternam períodos de desleixo com os materiais e provas e fases onde viram alunos aplicados.
Câncer – Caprichosos, estes alunos são reconhecidos por seus resumos bem feitos, letra bonita e livros e cadernos limpinhos e em ordem. A preguiça é a maior inimiga deste signo: são inteligentes e determinados quando interessados pela disciplina, contudo, nas que desdenham é preciso que a mãe, tão importante e amiga, puxe a orelha deste caranguejo.
Leão – Vaidoso, adora quando seus trabalhos geram destaque ou se sai bem nos exames.  Tende a se preocupar com as avaliações um dia antes da prova, porém, por ser charmoso e rei do seu ciclo de amizades, facilmente acha um colega disposto a lhe ensinar o conteúdo. Ao receber o resultado e ver que a sua mente perspicaz botou pra quebrar, vai adorar exibir aos quatro ventos o boletim.
Virgem – O virginiano tem grandes chances de ser o queridinho dos professores: presta atenção em sala de aula, dificilmente esquece os livros das matérias do dia, se dá bem em disciplinas onde os outros têm mais dificuldade e fala pouco nas aulas – contribui apenas com falas pertinentes ao assunto. Aprende rápido e possui seus métodos próprios de ensino, o que talvez o entedie frente a tantas explicações e perguntas do colégio.
Libra – Pacífico, tranquilo, um bom colega: o libriano costuma ser político, evitar fofocas e panelinhas e focar no que interessa em frente ao quadro negro. Raramente se envolve em questões filosóficas, profundos debates e ideias polêmicas; no geral, busca temas leves, amigáveis e interessantes para suas apresentações. Costuma levar boas notas nas aulas de Artes.
Escorpião – Fechado, introspectivo este estudante gosta e ir à fundo nas matérias que gosta: se for de seu interesse Física, saberá tudo sobre a matéria – desde termologia até eletricidade. Preferirá que os colegas falem por si quando em apresentações de trabalhos, porém, os pontos principais serão ideias suas.
Sagitário – O sagitariano é o engraçadão da aula e faz piada de tudo: de uma palavra nova no vocabulário em Inglês, de alguma gafe da professora, até mesmo do seu próprio fracasso quando prefere jogar games ou ouvir música no lugar de estudar. Seu senso de humor incrível combina com o ensino de idiomas, assim como a vontade de pegar uma mochila, jogar nas costas e atravessar o mundo!
Capricórnio – Louco por Matemática, Física e Química, é provável que o caprica tenha nojo de Biologia e foque em Português apenas porque pensa bastante sobre sua futura carreira e o mercado de trabalho. Sério, contido e obstinado, é provável que tenha boas notas e passe de primeira no vestibular – é só se focar!
Aquário – Ei, planeta Terra chamando, aquariano! Descolado, transita fácil entre os mais diversos grupos de amigos. Tende a sentar no fundão da sala, tirar fotos da matéria escrita no quadro ao invés de copiar e aprimorar seus estudos com buscar na internet. Na hora de criar redações, sua criatividade alta se manifesta.
Peixes – Sensível, sereno e da paz: o pisciano é um estudante atrapalhado. Confunde os horários de aula, esquece tarefas de casa, falta em dia de conteúdo novo. Possui uma capacidade de ensino e memória quase sobrenatural, entretanto, se deixa levar pela árvore da rua, o cãozinho que passeio com sua dona, outra galáxia – tudo isso enquanto a professora discorre sobre hidrocarbonetos.
E aí, você se identificou com o seu? Os astros torcem para que sim!

Sufragistas: músicas para homenagear as conquistas do voto feminino

10.12.2015 -


A luta contra a desigualdade entre homens e mulheres ainda não teve fim, mas é fato que a situação melhorou muito no último século. Há não tanto tempo assim, o sufrágio feminino – direito de as mulheres escolherem seus representantes por meio do voto – nem sequer era realidade. Esse direito só foi conquistado pelas brasileiras recentemente, em 1932, pelas americanas em 1920 e pelas inglesas em 1928. As suíças votaram pela primeira vez somente em 1971. E, é claro, com muita luta envolvida.

A origem dos movimentos por direitos vem de bem antes, em torno do século 18. Considerada uma das primeiras sufragistas, a segunda primeira-dama dos EUA, Abigail Adams, escreveu ao marido, John Adams, uma carta em que dizia “estamos dispostas a nos rebelar e não obedeceremos nenhuma lei à qual não tivemos voz nem voto”. Apesar da ameaça, o marido sequer a ouviu – assim como todos os homens da época. Filósofos como Herbert Spencer não admitiam nem a hipótese de a mulher estudar, que diria votar. “Cansar demais o cérebro produz moças de busto chato que jamais poderão gestar uma criança bem desenvolvida”, dizia ele.

Mesmo entre os defensores da abolição da escravatura, nos EUA, as mulheres não tinham apoio. Inconformada, a escritora Elizabeth Cady Staton organizou, em 1848, a primeira Convenção dos Direitos da Mulher, realizada em Nova York, lembrado hoje como marco inicial do movimento sufragista americano. Ali foi escrita a Declaração dos Sentimentos, uma versão feminista da Declaração de Independência dos Estados Unidos, que começa com a frase: “Acreditamos serem estas verdades evidentes: que todos os homens e mulheres foram criados iguais”.

A sociedade, como já era de se esperar, recebeu mal o anseio sufragista. Mulheres agredidas nas ruas, insultadas pela imprensa. Mas apesar do preconceito, elas foram em frente e, em 1851, reuniram-se para a Convenção de Ohio, onde a defesa do voto feminino foi, de uma vez por todas, alardeada para o mundo. A responsável foi a ex-escrava Sojourner Truth, ao subir na tribuna e dizer as palavras até hoje repetidas em reuniões feministas do mundo todo. “Olhem para mim. Olhem para o meu braço. Eu lavrei a terra, plantei e juntei tudo no celeiro e nenhum homem poderia me liderar! E não sou eu uma mulher?”, disse.

Já as inglesas foram muito mais radicais. Lideradas por Emmeline Pankhurst, fundaram, em 1903, a “União Social e Política das Mulheres”, que recentemente a Scotland Yard, a polícia britânica, classificou como a primeira organização terrorista do país. Não é para menos: sob o lema “Ações, Não Palavras”, as suffragettes, como eram conhecidas as integrantes do WSPU, imprimiram um ritmo violento à campanha pelo voto. As ativistas chegaram a incendiar um posto de correio, apedrejar as vidraças da Câmara dos Comuns e dar fim a um ato suicida.

A Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918, foi decisiva para as mulheres: obrigadas a ocupar os postos de trabalho deixados pelos homens, elas não voltariam mais a posições subalternas. Nos Estados Unidos as primeiras eleições com a participação das mulheres ocorreram em 1920 – mais de 50 anos depois de os escravos libertos adquirirem o direito de votar.

É claro que um momento histórico tão importante como esse não poderia ser esquecido. Em homenagem às primeiras suffragettes, preparamos uma playlist celebrando a emancipação feminina e a conquista dos direitos que vem se consolidando cada dia mais. Ponha os fones de ouvido, prepare o coração e vem se divertir com nossa seleção girl power de músicas!




Original em: http://guiadoestudante.abril.com.br/blogs/curiosidades-historicas/2015/10/08/sufragistas-musicas-para-homenagear-as-conquistas-do-voto-feminino/

Alícia não vai à escola

10.09.2015 -


Me embanano sempre quando alguém questiona em que série Alícia está ou quantos anos, exatamente, ela tem. À primeira vista talvez pareça irresponsabilidade de irmã mais velha que vive longe, mas é simplesmente porque a caçula lá de casa é composta de diversos outros fatores: os desenhos lindos que me envia pelo correio, as palavras novas que aprende em inglês, o sorriso de ficar quase em olhinhos e uma puberdade que daqui uns dias deve chegar. Minha irmã menor é menos obviedade e bem mais fã dos conhecimentos subjetivos. Dependendo da pessoa, digo que ela tem quase onze anos e está na quarta série; dependendo da humanidade alheia, explico.

Como medir uma criança? Por sua altura? Por seu peso? Pela sua idade? Pela quantidade de amigos? Por seu rendimento escolar? Desde fevereiro deste ano, Alícia não vai à escola. Um pouco por opção dela, outro tanto por decisão dos meus pais. E por mais que isso ainda não seja regulamentado ainda em termos de Brasil, posso dizer que vejo em nossas conversas uma menina de autoestima muito mais ampla, ainda mais esperta e feliz em cumprir suas atividades diárias - a gramática melhorou consideravelmente, assim como raciocínio lógico. O sistema escolar funciona para todos? Infelizmente, não. É arcaico? Pra caramba - afinal, funciona mais ou menos como é hoje em dia desde o século XVIII, se não me engano. Deveríamos estar pensando em novos modos de educação? Tenho cada vez mais convicção que sim.

A escola, que funcionou muitíssimo bem para mim quando em idade letiva, já não se aplicava no início dos anos 2000 de forma tão completa e agregadora para uma dúzia de colegas: os que possuíam algum déficit de atenção, aqueles que eram tímidos demais e esquecidos no fundo da classe pela professora, outras crianças com dificuldades de ensino, relacionamento, adaptação. Vocês podem estar se perguntando, aí dentro: como ela estuda hoje em dia? E a socialização? Há diversas outras formas que não o aprendizado que conhecemos, em sala de aula, um grupo de 25-30 alunos, enfileirados um frente ao outro. Desescolarizar, quem sabe, seja uma via segura para crianças e jovens que cabem apertadas demais dentro dessas caixas que incluem horários abusivos, uniformes obrigatórios e livros e mais livros usados pouquíssimas vezes durante as lições.

Alícia faz um misto de unschooling com homeschooling: um pouco, é educada em casa. Os conteúdos que faltam ela vê com professores, grupos de estudo com outros alunos, em projetos paralelos e ao assistir filmes, ler livros, ir a museus e até mesmo parques. Inicialmente, ela estudaria na Escola da Ponte, que (ainda) não abriu no Rio Grande do Sul. Confesso que eu, que sempre estudei em bons e tradicionais colégios (mérito dos meus pais, sim) tomei um susto quando me foi dito que ela seguiria este padrão. Passado o choque, consegui compreender que cada um possui um ritmo, uma personalidade e que fazia todo sentido que minha mãe buscasse alguma forma alternativa para que a sua terceira filha aprendesse; mas aprender de verdade, e não com teoremas, decoreba e uma prova atrás da outra.

Gosto de comentar que meus pais raramente seguem padrões: optaram por prosseguir com a minha gravidez, ambos jovenzinhos, casaram quando eu tinha apenas 9 anos, estão ficando cada vez mais hippies com o passar do tempo - têm cogitado trocar a vida "agitada" de Porto Alegre pela suavidade do interior, o que eu acho a cara de ambos. Alícia não vai à escola, de qualquer modo, mas aprende e se encanta com o universo que a cerca: os nomes das plantas de praças, os sistemas funcionais do corpo humano, as quantidades e fatores de soma, diminuição, multiplicação, quando em contato com as compras e vendas da família. Eu costumava me achar a mais corajosa do clã, saí de casa, me viro tão distante; que nada - precisa ser muito destemido pra romper com modelos há tanto estabelecidos. Consigo desembaraçar rapidinho de onde tirei essa certa rebeldia, também: de família. Se já tive alguma dúvida, hoje sinto orgulho.