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Cazuza vive

4.04.2012 -

A cada 4 de abril deve rolar uma baita festa lá em cima. Como deixar passar em branco a data de uma das personalidades mais energéticas, ambivalentes, polêmicas e autênticas que o Brasil já se permitiu aplaudir de pé ao admitir que sim, podia ser sexualmente como bem entendesse, e possuía mesmo o epidêmica Aids? Se tiver como ignorar o legado que poesia, musicalidade e irreverência deixados tão cedo por um artista tão único, alguém me avise como. Cazuza foi, mas deixou aqui viva a sua necessidade urgente de mudanças - o tal transitório - um contágio imediato de rebeldia necessária pra que a vida não estagne; ousadia, paixão, impulso: liberdade.

Feito estrela cadente, flamejou país afora por pouquíssimo tempo, mas suficiente para nos fazer felizes com suas estripulias, entrevistas marcantes (mas também, desbocadas), sua jovialidade ariana de fazer e deixar pra pensar bem depois, a excentricidade que conquistou ao mesmo tempo admiradores e insuportáveis "caretas" opostos. Jogado aos pés de todos nós em suas confissões musicais, tocantes lá no íntimo. Exagerado de nascença, compositor de mão cheia, um garoto que não chegou a mudar o mundo mas continua a mudar um pouquinho cada um de nós sob efeito de suas letras: assistindo a tudo lá de cima, com sua marcante e singularíssima voz, o sorriso de garoto levado, o bom é que Cazuza não mais transita no mundano, mas vive.

Foi todo o amor de uma vida da mãe, Lucinha. Abandonado, nunca, por quem sabe apreciar a qualidade de um dos mitos de uma década, que ainda é lembrado como sinônimo de genialidade e coragem. Preferia o Toddy, ao tédio. E quem não? Falava da solidão que nos ataca, do que amor que a gente sente, do entusiasmo, da angústia. Da culpa de estimação que a gente carrega e poucos, pouquíssimos conseguem gritar por nós. Agenor de nome, 54 anos hoje, fã de Cartola e, simultaneamente, Stones, Who, Beatles, Novos Baianos, gente diferente, boa e engraçada. Dono de um astral altíssimo, rei das dores de cotovelo embaladas numa MPB elétrica, gostosa de ouvir, esse é o Cazuza que canta nossos exageros e falhas, medos e revoltas. Sei que por aqui o céu nasceu nublado, mas agora está limpo, de tão azul. Anil. Se chover mais tarde, sei que serão as lágrimas de um poeta de sentimentos bipolares e vontades sempre impensadas. E entendo: não mais o corpo, mas a alma intempestiva ainda dança o blues de iniciante que somos todos nós.


As mais grotescas atitudes masculinas:

3.01.2012 -

As mina REALMENTE pira, quando:

- Vocês somem por horas: Isso não se faz com o coração de uma jovem (ou nem tanto) moça. Se vocês descobrissem pelo menos metade dos nossos horripilantes pensamentos e minhocas que criam aqui na cuca com esses desaparecimentos sem aviso prévio, aposto que acabavam. Desde traição, até acidente e morte, a gente prefere saber bonitinho onde vocês estão, se vão demorar e a que horas aproximadamente, chegam (mesmo que fiquemos brabas por demorar tanto).

- Não respondem mensagens: Se nós deixamos de responder um mísero torpedo por estar sem crédito no celular ou ter visto tarde demais, vocês enviam outros mil, enlouquecidos. Quando somos nós, logo tacham de "chatas", "grudentas" e "noiadas". Responder custa só o preço de uma SMS e nosso agradecimento sempre vem com um sorrisão e algum agradinho, pensem nisso.

-Olham para outras descaradamente: A gente sabe que tem muita menina bonita por aí, mas não precisa que vocês atestem isso com algum longo e fixo olhar para o corpinho que passa. Discrição, nesse quesito, faz sim milagre!

- Mudam de humor repentinamente: De repente, nos beijam, fazem juras de amor e confessam que adoram o nosso jeitinho de ser. Dois minutos depois, ficam pensativos por horas, mal nos tocam e muito menos falam, respondendo com murmúrios trôpegos de quem nem queria na verdade. Não dá pra entender, meninos. Andam pegando nossa TPM emprestada, é isso?

- Julgam nossas roupas: Depois de horas revirando o armário e experimentando de cinco a dez modelitos até se achar bem o bastante para sair de casa, escutamos frases como "bem estranha essa sua blusa" ou "por que você veio com esse short?", com aquele olhar reprovador que só vocês, homens, sabem aplicar e uma esfriadinha no humor que nos faz sentir mal em se sentir bonita. Relembrem: não reclamamos de regatas, sungas ou roupas de dormir que vocês às vezes saem com a gente na rua porque "não estão nem aí". Com o tempo, até achar bonitinho a gente aprende. Vale o exercício, meninos.

- Dão papo para mulheres do passado: Assim como adicionar nas redes sociais todas as ex-peguetes e ex-namoradas, ou ainda falar com as jabiracas porque "são legais e agora, suas amigas". Façam-nos o favor, hein! Se é com a gente já tem muito mimimi, então pensem: se tá no passado, é porque, com toda a certeza, tem motivo. Cuidem é de nós, musas do presente e de uma felicidade então possível para o futuro, tchê!

- Mudam na frente dos amigos, agindo com frieza: Já nos damos o trabalho de estar no meio de um monte de macho enquanto preferíamos estar tomando café após fazer compras com as amigas, certo? Ao menos preocupem-se em fazer com que nos sintamos bem. Não deixem de nos abraçar, pegar nossas mãos, apertar ou dar um beijo só porque os amiguinhos vão pensar que você tá todo in love. Macho mesmo ama e nem tá pro resto do bando, chegando até a causar inveja ao amigo solteirão invicto, que ao ver um amor bacana e tal, se sente é solitário.

- Riem das nossas colocações numa discussão ou chamam de "louca": Se somos tão doentes mentais, por que estão com a gente então? Pensar duas vezes antes de usar sentenças como "sempre", "nunca" ou "é" numa briga ajuda horrores. Antes de falar filtrar pela mente, idem. A briga geralmente termina, mas na nossa cabeça, frases mal colocadas podem se abrigar por semanas.

- Esquecerem da nossa existência durante todo o dia: Sabemos que vocês se matam no trabalho, vão para a academia, almoçam com os amigos e ainda tem a faculdade. Fica difícil mesmo até respirar, claro. Mas e dois minutinhos para digitar uma mensagem (seja on-line - e-mail, Facebook, Twitter, MSN) ou via SMS, não rola? Com certeza nos faria pular de alegria até pisando em merda na rua com algo do gênero, ainda mais inesperadamente. Remember us!

- Nos beijarem pouco: Ao longo do relacionamento, deixar de dar aqueles beijos de tirar o fôlego que no começo faziam toda a diferença é um baita erro. Acabamos nos sentindo menos amadas e meio prostitutas, believe me. Ou seja: nos beijem sempre, nos beijem muito, mesmo depois de comer a gente aceita esse ato verdadeiro de quem ama mesmo.

- Ou, simplesmente, a falta de atitude em si: Nenhuma de nós merece um cara que, não liga, não manda mensagem, não beija, não briga, não discute e nem sai com os próprios amigos. Que, além de não correr atrás, não corre na nossa frente ou de nós. Pensar duas vezes e agir uma costuma ser o melhor a se fazer. Não ser um sedentário emocional, idem. Portanto: exercitem, guris, a arte de estar num relacionamento e curtir todos os dias cada pedacinho delicioso de descobrir cada vez mais alguém. Cuidado diário é essencial!

Bons filme para se ver a dois

2.08.2012 -
Todo casal de namorados acaba por se tornar quase cinéfilo - os mais coerentes, é claro. Quando achamos quem comente com a gente, inteligentemente, as cenas, o enredo, e até mesmo as músicas da película assistida seja em DVD ou em pleno cinema, se torna rotineiro ver tudo quanto é filme em companhia de quem ainda nos mime, faça cafuné e sirva quase de almofada. Claro que isso talvez não aconteça com todos que tem um relacionamento estável, ou bacana, enfim. Mas comigo foi assim. Ainda é. Uma das diversões preferidas nossas é ver filmes e mais filmes. Melhores se bons, alguns risos e comentários quando nem tanto. Pois bem, como me pedem dica e opinião de praticamente tudo (e eu tenho), vou tentar dar, de vez em quando, uma iluminação pra quem também namora e acaba sempre ou no impasse entre filme sangrento versus comédias românticas e um dos dois achando muito boring a função toda. Porque, sabem, filme bom não precisa necessariamente ser mulherzinha demais ou masculino total. Sendo inteligente, instigante, ou mesmo bem feito, acho que acaba sendo válido pra ambos os lados. Alguns de nossos prediletos:

- Entre segredos e mentiras (All Good Things)



Muito bem feito, traz o ótimo Ryan Gosling sendo mais uma vez, muito bom ator, e a querida da Kirsten Dunst numa trama de mistério, drama e uma série de fatos que vão narrando a história baseada em fatos reais de Daniel Marks. Dinheiro, vontades opostas e uma psicopatia que vai tomando conta do protagonista são o recheio do filme. Gostamos bastante.

- Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds)



As mais femininas podem não curtir tanto, pois tem bastante sangue em várias cenas (é Tarantino, ok, ok). Mas então, é de uma produção espetacular. Divido em capítulos que tem como finalidade narrar um último acontecimento no final - que não revelarei qual, é claro - fica difícil tirar os olhos da tela. Se passa em plena época da Segunda Guerra Mundial e quem gosta bastante de filmes que tenham a ver com, é a pedida certa. Inteligente, boa fotografia e com Brad Pitt em ótima atuação. Não é dos mais "recentes", eu sei, mas ainda assim, recomendável.

- Sem limites (Limitless)



É inacreditável, mas usamos apenas 20% da capacidade do nosso cérebro. Eis que é oferecida a um escritor com bloqueio criativo uma droga capaz de o fazer utilizar 100% de toda sua inteligência. Não vou me prolongar muito mais para não tirar a graça em assistir, mas tem Bradley Cooper de De Niro em ótimas atuações, com enredo que também prende a atenção. Me surpreendi com o final.

- Confiar (Trust)


Pedofilia, uma adolescente que, mesmo com a gritante diferença de idade é apaixonada pelo infrator e um pai que enlouquece ao saber da situação toda. O drama é muito bem construído, Clive Owen e a menina Liana Liberato atuam muito bem e nos fazem entrar diretamente na pele dos personagens que encenam. Teve uma passagem rápida pelos cinemas e demoramos para conseguir locar, todos estavam sempre fora da locadora. É ótimo.

- Millennium (ou "Os homens que não amavam as mulheres")



Há duas versões. A mais antiga (e original), sueca. A recente, de Holloywood, com James Bond e alguns pontos incomuns ao primeiro filme. Da trilogia intitulada 'Millenium', tem tudo para ser um dos melhores filmes de 2012. Já tendo assistido aos dois (o último está em cartaz nos cinemas), fico com a versão americana - porém, indico que vejam as duas, a outra é bacana idem. Da fusão entre um jornalista investigativo (Daniel Craig) e uma hacker e investigadora pessoal excêntrica e excepcional (Rooney Mara) afim de desvendar um mistério que há 36 anos atordoa a família Vanger carrega muito suspense, improbabilidades, e um encaixe perfeito no final, demonstrando a esperteza de quem criou a história. Vale a pena.

- Meu malvado favorito (Despicable Me)



Tenho adoração por filmes infantis, quem sabe por vasta convivência com meus irmãos mais novos. Esse é fofo na medida certa, tem malvadeza sem ultrapassar qualquer limite e acaba sendo engraçado e bom de se ver tanto para o público infantil como para os menores. É incrível acompanhar a mudança de um homem mau com direito a carteirinha e tudo em um pai amoroso. Dá vontade de adotar a menina mais nova.

- Rebelde com causa (Youth in Revolt)



Assistimos por acaso a esse filme na televisão um dia, mas por ser engraçado e ter Michael Cera (de Juno e Superbad, que também adoramos), resolvemos continuar vendo. É engraçado de um jeito leve, e como costumeiro, vemos o ator se dar mal muitas vezes - dessa vez, como Nick. Apaixonado pela garota dos seus sonhos, Nick às vezes reage como ele próprio, e em outras ocasiões, como seu alter ego, François (sua versão má e delinquente, é claro). Com direito a amigo indiano, o tabu da virgindade e planos e mais planos para ter Sheeni só para si, é um filme legalzinho de se ver numa tarde de domingo, é leve e diferentão.

- Um parto de viagem (Due Date)



A dupla Robert Downey Jr. e Zach Galifianakis acertou em cheio nessa comédia. Não somos muito fãs do gênero (quase sempre a fraqueza em não rir dos filmes atuais nos faz não locar nenhum), mas resolvemos dar uma chance ao ruivo de 'Se beber não case' e o atual Sherlock Holmes. E deu certo. Me surpreendi positivamente. Zach continua atuando como ser bizarro, e tira do sério inúmeras vezes Peter, o personagem de Robert, enquanto os dois se vêem obrigados a cruzar os EUA juntos. Indico!


É lógico que a lista não para por aqui, mas essa semana, é isso. Tenho ainda alguns (muitos) para assistir, e dicas nos comentários serão sempre muito bem-vindas, meninas! Espero que gostem, e assistam, para fugir de sempre um ser forçado a fazer a vontade do outro e tal. Besos!

Frases que gostaríamos de escutar, só que bem na verdade não

2.06.2012 -


Ler somente quando contaminado com bom humor. Grata.

- Gorda nada, você nunca esteve tão magra. E linda. (em meio a um ataque de nervos - e flacidez - tepeêmico)

- Aquela sua amiga é tão sem graça, não sei como tantos caras chegam nela. (desmistificando que todos os homens dão preferência às sonsas)

- Claro, amor, prefiro ir fazer compras no shopping junto contigo a assistir qualquer programa esportivo e másculo na televisão.

- Acho o seu bumbum o mais bonito do mundo, só olho para todos os outros decentes que passam porque é automático. (simplesmente porque às vezes eles olham, e quase sempre a gente nota mas se faz de louca)

- Adoro essa sua agressividade na TPM, é excitante. (ao invés de reclamar e culpar todos nossos pequenos ataques no período fatal do mês)

- Não sabia o que era mulher de verdade até conhecer você. Aquelas minhas ex-namoradas não chegam nem aos seus pés, em quesito nenhum. (para evitar qualquer neura quanto ao passado do moço, uma boa e eficaz solução)

- Entendo que tudo em que você gasta é extremamente necessário, afinal, está sempre impecável. (no lugar de criticar nossas compras exageradas)

- Prefiro o seu cabelo sem chapinha e você sem maquiagem. (para nos poupar do excessivo trabalho de estar sempre linda pro querido e sim, gastar mais tempo ao seu lado)

- Sei a diferença entre magenta, pink, carmim, rosa, vermelho e vinho. (todos homens deveriam aprender a distinguir tons de cores, por favor)

- Vamos assistir aquele drama romântico água com açúcar que eu sei que você vai morrer chorando enquanto assiste? (porque todos deveriam nos achar bonitas mesmo se debulhando em lágrimas intermináveis)

- Você deve ter tido um dia cansativo, vem cá que vou fazer uma massagem nos seus pés enquanto deixo que assista ao seu seriado de mulherzinha favorito. (porque quem faz geralmente isso somos nós)

- Esse seu amigo gay é engraçado (porque poucos sabem conviver em harmonia com opções sexuais diferentes. alguns fingem)

- Tenho uma surpresa pra você hoje à noite. (nos surpreendendo e fazendo as mulheres mais felizes do Universo)

- Pode usar batom vermelho. Acho sexy e não me importa muito que os outros achem também, afinal, você é minha. (vale para saia curta, roupa justa e também saltão)

- Hoje à noite vou deixar de ir à academia para cozinhar para você à luz de velas. (meu atual sonho de consumo)

- É, você tem razão, melhor eu tomar um remédio para a gripe. (braço a torcer e nossa felicidade!)


Agora imaginem todas essas frases ditas. Graça minguante, relacionamento monótono. Bom mesmo é ser desafiante como é.

Querido diário: Mulher por um dia

1.18.2012 -

Vasculhei a agenda da minha mulher/namorada/irmã/mãe logo pela manhã e resolvi seguir à risca todas as árduas tarefas de ser mulher que ela passa diariamente. Acordei, e já no café da manhã, acostumado a comer o que bem entender, sem me preocupar com calorias, glútens e glicídeos, parece que um alerta vermelho me tomou conta: não engordar, não engordar, bip bip bip. E bem, coloquei adoçante no café (nem um pouco comparável ao adoçado verdadeiro do açúcar) e comi um pequeno pedaço de bolo - escolhi a cota de doces do dia, como previsto. Corri para a academia, já que o tempo era curto. Constrangedor fazer os exercícios de glúteos com bombados me secando sedentos por carne. Como cansa essas aulas de jump, pump e demais aeróbicos. Senti saudades do meu treino cheio de ferro pra puxar. No banho, duas vezes shampoo e massagear bem, fazer com que saia tudo. Sabonete normal, sabonete íntimo, hidratante antes de se vestir, um tal de leav in nas pontas capilares ainda úmidas, enfim: superficialidades. Pior parte: secar o cabelo. Um calor do inferno, a mão quase pegando fogo. Sequei de qualquer jeito, mas ainda bem que deu pro gasto. Coloquei um vestido qualquer e a primeira sapatilha que vi, afinal, combinar é para os fracos. Li, então, mais uma vez as anotações na cadernetinha cor-de-rosa: salto alto, maquiagem e saia. Baita frescura. Quase morri pra fazer tudo perfeitinho. Equilibrar o corpo em cima de 12 cm cansa, e é difícil. Ao vê-las com destreza saracoteando por aí, imaginava ser moleza. Que nada. Na bolsa lotada de badulaques afim de achar as chaves, quem disse que consegui? Dez minutos depois e tudo pra fora, só então encontrado o chaveiro enorme e de mulherzinha.

Fui a caminho de uma depilação e unhas marcadas no salão de beleza. Na rua, foi de uma escrotidão sem tamanho pedreiros, entregadores de gás e demais motoristas buzinando, tentando me bolinar e dizendo bagaceirices sussurradas.  Me senti nu. Eu, que achava mais um dos dramas femininos sentir nojo ao invés de orgulho em frente a uma atitude dessas, agora dou razão às mulheres. Foi um saco a manicure palitando meus dedos e canibalizando as carnes em volta da unha. Coloquei esmalte preto mesmo, num protesto meio indireto a essa moda de azul, amarelo e verde, coisa homem nenhum curte. E a depilação? Me dói só de comentar. A cera esquentando, a depiladora me vendo peladão ali, e o susto no puxão. Um atrás do outro. Queria gritar, mas mantive minha macheza intacta. A tortura é praticamente espartana. Dirigindo até o trabalho, também me assustou a quantidade de xingamentos e preconceito quanto ao dirigir. Ouvi centenas de "só podia ser mulher" e "volta pro fogão". O qual, depois de ser assediado pelo chefe e pelo porteiro do prédio comercial no rotineiro e ter que aguentar amiga falsa no emprego, tomei conta para o jantar.

Parece simples vendo na televisão aqueles pratos que os chefs preparam. Só que não. Na prática, é bem ao contrário. Assinalado para a noite, frango ao molho de champignon com arroz à grega e Caesar salad. Tudo muito complexo cortar direitinho, isso em cima daquilo, mexe aqui, desliga ali e espera até que a outra parte esteja pronta. Calor, fome e ainda mais ter que deixar a mesa arrumada. Enquanto esperava ela chegar. E que demora. Liguei uma vez, disse que estava a caminho (só não em que rua exatamente). Dez minutos pareciam duas horas. Me senti como qualquer moça se sente quando um cara se atrasa, e sinceramente, que chatice. Eu ali, Amélia. Pra minha surpresa, não parou por aí: o rio vermelho resolveu chegar justo neste momento. Não tinha ideia de como inserir aquele mini objeto chamado O.b. Achei um daqueles absorventes mais normais e coloquei. Cólica, que dorzinha insuportável. E nada da querida chegar. O jantar na mesa, eu exausto, e recebo apenas um sms: "não vou poder ir aí hoje, querido. te ligo amanhã, ok?". Raiva, revolta (deve ser algum desses resquícios de TPM), e todo esforço pra porra nenhuma. Resolvi tirar a maquiagem, colocar um daqueles pijamas minúsculos que elas vestem - e juram que serve pra alguma coisa - e ir dormir, frustrado. Mas com um aprendizado: moleza nenhum no dia de quem nasce sem nada no meio das penas e pelos no peito. Completa uma das missões mais impossíveis que já desempenhei, admito: mulheres, guerreiras são vocês. Sexo frágil somos nós, que numa gripezinha já quase ficamos de cama por dois dias inteiros e que, se obrigados a manter o pique com tantas tarefas complicadas, não conseguiríamos. Prometo nunca mais ironizar quando você reclamar de dor ou cansaço, e cuidar de você sempre que der.

Ass: Homem machão que merecia pelo menos uma semana nesse ritmo de vida e aprendeu a lição

A cola

1.12.2012 -


Se prolifera nos mais inesperados casais, mas se bem atentos a gente quase nem nota. Justificam como amor incondicional, vontade intensa de se estar junto, desejo maior entre todos os queres possíveis. Nasceram grudados? É lógico que não. Tanto que, ela é leonina, e ele, capricorniano. E o que deveria ser cumplicidade, acaba se tornando grude: se não se veem todos os dias, ela surta. Caso ele vá num churrasco com os amigos à noite, ela pira. E se ela resolve ir num pub com colegas dos tempos de colégio? Ele enciuma. Vão às compras juntos, começam a estudar na mesma universidade, almoçam no mesmo lugar e jantam senão na casa de um, na do outro. É a tal cola que, no começo parece aconchego, mas com o passar dos meses se torna só sufoco.

Os outros incompreendem tamanha ligação inseparável. É uma demonstração excessiva de carinho em público, quase sempre cheia de nhe nhe nhe's e diminutivos em demasia, deixando enjoados com tanta carícia quase todos que se fazem presentes em tais momentos. A vida própria de cada um parece não mais existir. Só falta ele começar a assistir as sessões de depilação da moça, e ela, se meter nos momentos de privacidade dele no banheiro. Perde-se o contato com amigos mais agitados, entes queridos, o mundo entorno. No começo, o desligamento mundano parece uma anestesia contra as chatices que a gente é obrigados a enfrentar. Por um tempo, acredito que seja estável estar praticamente acorrentado por espontânea e livre vontade ao lado de quem se ama. Até que a mesmice pega com tudo. E aquilo que parecia o melhor vício adquirido, começa a se tornar uma obrigação. Perde o brilho inicial, o cheiro de novo, o estigma de novidade dentro do que é costumeiro. E um dos lados nunca compreende bem porque tanto abatimento ao se estar preso num mundo paralelo e que não acompanhas as piruetas travestidas de mudanças que a vida da gente dá.

O tempo para um respiro solitário só faz bem. Algumas horinhas para se sentir completa na própria companhia, idem. Renova a saudade, faz valorizar o quanto é importante e deve ser prezada a companhia com quem apenas faz de nós pessoas melhores, dá um gás para que voltemos loucos de uma falta que precisa ser preenchida somente com quem sabe a senha exata para fazer da nossa existência leveza. Sem grude excessivo, mas com vida própria o bastante para compartilhar a cada segundo quando unidos num mesmo momento - sem a necessidade de ter, mas de poder sentir, mesmo que longe, que um sentimento existe e não vai acabar tão assim prematuramente por se avançar cedo demais algumas etapas necessárias. Pressa para o que é durável e infinito: ainda bem que eu não tenho.

Quem é a leitora do Calmila? Responda e contribua!

12.19.2011 -

Os garotos que

12.16.2011 -
 

 Não sou muito fã de Tumblrs no geral, sigo alguns (poucos), pois fico mais entre blogs mesmo. Porém, buscando imagens fofas como faço periodicamente, comecei a reparar nessas, com alguma frase lembrando a importância de algo meigo que um cara, quando gosta da gente, faz. Vi então, que era o The Boys Who.
Fica a dica pras queridas que gostam de se deliciar os pequenos detalhes de um relacionamento, retratados a cada dia por uma imagem de algum ato, pensamento ou romantiquice desses moços que nos mostram construtivamente a cada dia o quanto são importantes - esses garotos que, abraçam, fazem rir, brincam com nosso cabelo e viajam conosco. Um brinde à boniteza do amor!


As imagens são realmente muito fofas e escolhidas a dedo, então, vale a pena a conferida, meninas Espero que gostem, e bom final de semana!

Beijocas,

Como esquecer um homem em dez dias

12.15.2011 -

1º dia
Então, você tomou o pé na bunda, ou ele foi morar fora, quem sabe o relacionamento não estava mesmo dando certo: não importa. O relevante agora é a sua solidão que samba no peito mais que qualquer coisa. Se ainda houver resquícios de um amor mal acabado, vai se triste. E difícil. Caso você também não soubesse mais se deseja tanto assim, a companhia não fosse mais lá essas coisas – e nem os momentos de maior intimidade, pense: nem foi tão ruim assim. A tristeza vai aparecer, é claro. O vazio vai apitar, e até que a ficha caia, o estado é de imersão em monotonia. Por isso mesmo é que, quando sozinha ou ao menos longe dele, chore. Bastante. Até que se sinta a tristeza saindo pelos poros, desaguando no queixo e expurgando o agora “ex” aí de dentro. Lacrimeje até dormir feito criança, cansada de sofrer. Se tranque, compartilhe consigo mesma o próprio momento de fragilidade. Faz parte do processo de cicatrização.

2º dia
Você acordará exausta. As músicas de amor não farão mais aquele sentido; darão raiva. Ou nojo. Casais vivenciando o amor pelas ruas deixarão você com náuseas. Esteja preparada, pois esse é o dia do extermínio. Coloque numa caixa tudo que gera forte lembrança do cara. Tá certo, até as suas coisas trarão memórias de alguma frase dita por ele numa tarde de domingo ou numa segunda-feira pela manhã. Porta-retratos, bichinhos de pelúcia, roupas dele que ficaram na sua casa, cartões, tudo para a caixa. A limpa virtual também pode ser uma boa, caso você deseja que uma melhora rápida. Tire fora da sua lista de amigos, dos contatos do celular, dos e-mails enviados. Recalque nada: é tudo temporário. Se um dia houver espaço, circunstância ou vontade de uma amizade, é só reconectar. Deixe o espaço mais vazio do seu passado recente para, logo em seguida, completá-lo única e exclusivamente com você, num futuro também breve. Não ter que encarar algo que a fará estremecer de tristeza a cada dez minutos só ajuda no fechamento da ferida.

3º dia
Trabalhe bastante. Ou estude muito, caso você não possa. Se você está de férias, leia. Compre aquele livro que há tanto tempo quer e tem esquecido. Gaste suas horas numa livraria procurando por literaturas que te deem algum prazer. Culinária, moda, gramática, biografias, histórias de vida. Só fuja dos manuais de relacionamento ou livros dramáticos. Investir em algo leve é também uma boa. Caso escolha por arregaçar as mangas e fugir para o mundo burocrático, seja prestativa e pró-ativa, impedindo que a mente fique vazia e o demoninho tente adentrar – ou lembrar do querido. Se jogue em novos projetos, se esforce para focar em algo que realmente trará benefícios e prosperidade lá na frente.

4º dia
Compre. Ainda desconheço melhor terapia. Ao menos para mulheres. Caso o dinheiro esteja curto, seja final de mês, ou você não esteja dispondo de verba suficiente para se esbaldar com alguma nova roupa, acessório e afins, dê um passeio pelo shopping, ao menos. Experimente roupas, veja vitrines, passeie por gente diferente, observe a vida em movimento passar por você enquanto as horas também pedem passagem. O importante é abrir um espacinho, mesmo que pequeno, para que o consumismo – nem que seja de um doce na praça de alimentação – faça você se sentir momentaneamente no céu. É capitalista, mas também é hipócrita quem contestar que um novo par de sapatos luxuosos ou um vestido que caia perfeitamente bem conseguem elevar a autoestima de qualquer uma.

5º dia
Mexa-se. Atividade física libera endorfina, o que deixa qualquer pessoa mais relaxada e contente. Acho válido desde academia com direito à musculação ou aulas agitadas como pump ou jump, pilates, yoga, futebol, natação, caminhada, corrida, artes marciais, balé. Contanto que a concentração seja exercida e o corpo se movimente. Ter saúde só faz com que a gente ache a vida mais tolerável. Melhor de tudo: ainda dá para ficar sarada, cuidar mais de si, e invejar o povo por aí. Talvez tenha até o cara arrependido mais tarde, notando tudo que tinha e perdeu. Depois é só caprichar no bronzeado.

6º dia
Dia de beauté. Marque um dia para realçar a linda que existe aí dentro. Ou ao menos mude o cabelo, o que sempre nos dá aquela sensação boa de vida alterada, né? Cabelo, unhas, sobrancelha, massagens modeladoras, depilação: um dia pra você sair de lá se sentindo a musa suprema com certeza aumenta as chances de o pensamento deixar de ser “sou baranga, perdi o homem da minha vida” para “ele é só o idiota que deixou uma mulher dessas passar”.

7º dia
Saia com as amigas. Nada melhor que o humor contagiante de quem nos conhece bem, junto com os papos colocados em dia, e a reafirmação dos laços com essa partezinha de família que a gente acaba escolhendo para figurar também como pessoas importantes. Rir, beber uma cerveja, sair para dançar, bater perna no shopping, ou simplesmente nada melhor do que não fazer nada, mas só estar na companhia daquelas queridas que tanto nos fazem bem. Podem vir ótimos conselhos e deve vir muito colo junto no kit, então, é bom aproveitar e se divertir!

8º dia
Viaje. Nem que seja um final de semana. Ou mesmo um dia. Se puder, suma por um mês. Vá conhecer novas cidades, ver novas culturas, aprender um novo idioma, desafiar à si mesma longe dos lugares já demarcados com tantas lembranças. Só tende a fazer bem, além de enriquecer a experiência, lidar com situações novas e ter a ótima oportunidade de, quando voltar, ensaiar um recomeço de vida tendo apenas você como protagonista. Costuma funcionar bem.

9º dia
Faça coisas que gostaria de fazer mas, que com ele, era impossível. Vá ao cinema, mesma que sozinha. Caminhe naquele parque em que ele detestava. Aproveite para comer também as coisas que, estando com o moço, você deixava de lado - ou porque ele não gostava, ou para se manter lindinha. Vá em festa gay, fique em casa feito mendiga, durma até não poder mais. Flerte com outros caras, caso você já esteja bem suficientemente para. Comemore tendo um dia anti-o-nome-do-seu-ex, fazendo tudo que antes você tinha que tirar da cabeça. 

10º dia
Aceite. Só então, pare para refletir. Pós, contras, listas do que você amava no relacionamento e daquilo que já estava dando vez à sua impaciência. Mas tente não ficar triste: ciclos são assim mesmo, e quando termina, é porque era para acabar. Dê a chance de alguém por quem você teve um sentimento forte de ser feliz, coisa que, pelo visto, com você não estava acontecendo. Pense nisso só um pouquinho. Olhe para trás e veja os dias ótimos e momentos resgatados que você viveu, o quanto também valhe a pena exercer a própria independência, a grandiosidade de estar em conjunto com a única pessoa por quem o amor será incondicional, sempre e cada vez mais: você.

Dias de Clarice

12.09.2011 -

Trinta e quatro anos atrás. Minha mãe uma criança, nem ao menos pensando em me ter. Provavelmente, brincando na grama, vivendo a vida de interior onde se come pão feito em casa, e massa caseira toda semana. Meu pai, menino da cidade, passeava por aí em seu triciclo e corria, veloz - sempre aventureiro. E talvez nem tenham acompanhado de perto toda a cobertura desse evento todo que foi, a morte da ucraniana mais brasileira que mais acrescentou, em termos literários, para o país. Você, Clarice. Adicta fervorosa do cigarro, sempre à mão. Representante intensa das letras, mesmo depois do acidente de sua casa queimada. Nos deixou órfãos, cedo partiu. Sedentos por mais, quem sabe. Palavras tão bem manuseadas por seu pensamento, colocadas em ordem por suas mãos, batendo à máquina de escrever, outro vício. Feminina. Uma mulher com alma de anjo, queres passionais, de ser-humano que queria ser mais, se superar sempre, a cada escrita. Singular ao mundo brasileiro, foi pessoa universal, provinda do velho continente (ainda assim, querendo interminavelmente, pertencer a essa pátria, ser reconhecida como cidadã do maior país da latino americano). Dificultosa, como intrínseca. Visceral. Essa era a sua persona, nos contam todas as ótimas biografias já lançadas com a temática do seu existencialismo. Não pelo que vi, ou meus pais não me contaram - tão jovens que eram. Sobretudo, desse jeito que nos narram pelas diversas biografias, pela dimensão ensurdecedora que suas palavras tomaram apenas hoje em dia. O reconhecimento gosta de chegar, aos que melhores foram, e tanto se dedicaram ao longo de uma vida, quase sempre apenas tardiamente, o que é uma pena.

E se viva, como veria todo esse alvoroço à sua volta? Com temor, ou algum contentamento? Frases clichês, fragmentos esdrúxulos, trechos que não a pertencem levando seu nome e assinatura redes sociais, trabalhos de faculdade, presentes com cartão e dedicatória país afora. Para quem leu, e é admirador há mais de anos, um nojo. Realmente desgostante. Eu, que por volta dos quinze anos (ou seja, há quatro), me vi iniciada numa leitura capaz de fazer submergir por horas, habitar temporariamente outras galáxias, uma realidade inexistente, porém, impactante de tão detalhada, hoje quero continuar gostando da sua literatura, Clarice, mesmo que um mundo clichê me faça ter náuses e um pouco de ciúme por não saber ser apaixonado da maneira avassaladora como seriam, caso realmente lessem suas obras. Se consideram fãs do que conhecem apenas superficialmente - porém, infelizmente, essa é uma das ressalvas do mundo atual. Duvido que você fosse simpatizar.

Enfim, ao invés de sentir uma felicidade possível em ver seu nome na boca do povo, nos sites e jornais locais e de demais estados, é a perplexidade desse saboreio frívolo a única coisa que consigo sentir. Que, mesmo após esses trinta e quatro anos, pessoas leiam e consigam apreciar um texto inteiro seu, no lugar de apenas se apaixonar por uma frase amputada. Que amanhã, ao comemorarem seus noventa e um anos (prefiro os números escritos em extenso, é mania minha), quem realmente é adicto da sua literatura a explore da rica maneira que só consegue quem tem sensibilidade suficiente para suportar: lendo-a inteira, não apenas em aplicativos ou nas errôneas junções de palavras que pelas suas frágeis mãos não foram escritas ou datilografadas. Tão logo acaba esse modismo de querer conforto no desconhecido, disseminando por aí o que mal conhecem, elegendo como "escritores favoritos" de temporariamente algum outro que pareça dar conselhos por meio da escrita, e volta a paz em torno daqueles que conseguem contemplar com destreza uma literatura preciosa, pensante e na qual a gente se inunda e mergulha com prazer. Singularíssima, excepcional. Absoluta.

Como perder uma mulher em dez dicas

12.07.2011 -

- Indiferença exacerbada: Não corra atrás, esqueça que telefone existe, evite mensagens de texto. Faça da sua frieza a arma mais eficaz para atingir o centro caloroso dos sentimentos femininos da dita cuja. Cague para a vida dela, se está bem, se tem problemas. Aja como se tanto sua vida com, quanto sua vida sem ela fossem a mesma.

- Fale da ex: É regra. Quer causar constrangimento e fazer com que comparações, imagens, diálogos e situações sejam perversamente povoados pela imaginação fértil feminina? Basta citar seu último relacionamento. Qualquer coisa acerca do assunto de quem já esteve ao seu lado, tanto como ódio, quanto como ainda amor, ajudarão um tanto para a fuga da moça.

- Descuide-se: Geralmente, são poucas as fãs de metrossexuais. Mas se cuidar é diferente. Basta lavar com frequência o cabelo, cortar as unhas de pés e mãos, não dar espaço para o chulé invadir tanto os tênis quanto impregnar no corpo, se alimentar de forma balanceada ou normal (em excesso ou em falta geram padrões como "magro demais" ou "gordo demais"). Escove menos os dentes, deixe intacto o desodorante. A linha entre se cuidar ou não, e se cuidar ou aderir à metrossexualidade é bastante tênue. Contudo, desleixo é sempre motivo de repúdio. Não use perfume e nem roupas limpas. Agrava.

- Musicalmente escroto: Tenha um gosto musical medíocre, como funk, pagode, ou as repetidas músicas que tocam no rádio. Desconheça (ou finja) grandes clássicos e bandas que todos com maioridade da carteira de identidade deveriam. Mostre-se feliz em consumir a cultura de massa que a mídia faz engolir os de cabeça e personalidade menos existentes.

- Desilusão Ortográfico Amorosa: Escreva "mais" no lugar de "mas". Logo em seguida, "concerteza", "denovo". Redija "adevogado" - vale para a fala também. Use várias vogais como '"coomo taa?" e algumas exclamações e interrogações pontuando mais que o normal. Se a conversa for via mensagens intantâneas, vale usar a abusar dos emoticons.

- Maus modos: Mastigue de boca aberta, nunca dê espaço para que ela ande na frente ou passe primeiro, não ofereça o braço e sequer a mão quando juntos andando por aí. Palite os dentes, não lave as mãos nem levante a tampa quando for ao banheiro. Destrate qualquer criatura passível da sua agressividade: vale a garçonete, o guardador de carros, o motorista ao lado. Impressionte sendo um ser bruto e total desprendido dos bons constumes.

- Vestes estranhas: Abuse e vista roupas e combinações fora do padrão. Vá de cores berrantes, indiscretas e descombinadas. Vale usar calças skinny ou sarouel masculina (nojo!). Use boinas, chapéus, colares, pulseiras e demais acessórios que costumam não ficar bem em cara nenhum. Vale um brinquinho postiço, piercing na sobrancelha e afins.

- Bebidas ou drogas em demasia: Nenhum mulher quer passear por aí com um vegetal humano ou ir pra balada com quem a faça, de alguma maneira, chamar atenção por meio de vexames, atitudes exageradas ou vômitos no meio da pista de dança.

- Grude: Ligue a cada cinco minutos, mande mensagens melosas com poemas complicados que nem mesmo ela compreenderá, dê bombons, flores e uma carta cheia de declarações e frases apaixonadas, não importando se vocês mal se conhecem ou coisa do gênero. A intenção é realmente essa: que ela se sinta sufocada, e você a perca. Não é? Grude nela, mesmo sendo a atitude mais insuportável numerada.

- Ou, simplesmente, dance: A teoria que ronda os banheiros femininos é de que, ou um cara dança muitíssimo bem, ou fracassa ao tentar remexer o quadril e pés e articular o corpo decentemente. Poucos homens dançam bem. A chance de você dançar loucamente e espantar a menina é consideravelmente alta. Use para o bem, se controlando ao máximo, ou fazendo com que ela se envergonhe e suma da sua frente logo.

Estimação

12.05.2011 -

Quem é essa que chora com cena de novela, e se pega rindo, irônica e erroneamente, quando a briga é séria? A moça que não vive sobrevive sem doce após o almoço, e se uma soneca no meio da tarde tirar, muda o humor como quem vasculha o próprio armário: à procura do espírito que sirva e agrade. Experimenta. Troca. Aprova, mesmo sabendo ser pouca a duração da escolha. Não fosse por um olhar mais atento, quase não reconheceria.

A dita que no cheiro das livrarias sente o consumo coçar-lhe a mão, o cartão querendo asas na carteira. Horas gastas, obras de perto apreciadas, frustração sem sacolas e mãos que abanam, vazias. E então: sapatos. Coloridos, altos, femininos. Como num passe de mágica, a volta estonteante do desejo de comprar instantâneo, brusco. Experimenta um, quer dois. Poderia comprar quatro no cartão. Senta. Reflete, viaja, conspira. Decide: o preto não, já tem três. O rosa aperta o joanete, a praga e herança bailarina. O azul é diferente. Sai da loja de sacola esvoaçada e o mundo carregado naquela caixa de papelão: a alavanca eficaz pra qualquer auto-estima feminina. O salto, onramental ou simplesmente doze, que deixa a visão mundana amplificada, gostosa de admirar.

É a mesma donzela que chega em casa, e cozinha. Reencarna a Ana Maria Braga distinta que há meses nela se perdeu. Sal de menos, açúcar demais e: nada de paixão. Vai de biquíni pro sol escaldante lá fora, dourado, louro, efusivo; todo seu. Em plena civilização, o ritmo do dia correndo às pampas, e o corpo estacionado em direção ao princípio da existência, à estrela maior. Música nos ouvidos, olhos reclusos, quase sono. Redescobre astros e constelações no céu azulado, esquece as cortinas abertas e se manda pro banho de horas. Se desdobra para não dar show aos vizinhos, de toalha no corpo e cabeça. Finge a surdez quando chamada, troveja a voz, quando a urgência se apresenta. Dama paradoxal, quer os leões do sacrifício diário todos vivos: seus percalços são como bichanos de estimação. Zelo comum: recíproco. Alimento e carinho em troca de resguardo. Para que a cuidem quando a vida quiser a engolir, para que a protejam, vociferando os percalços do caminho, um a um. Cansada de ser várias sem agrado e aplausos exaustivos, quer ser apenas essa uma que dê certo, que ganhe o papel no fim do teste. Dentro do que é, tantas. Em cada uma delas, a mesma, na versão atualizada do que o momento pede, a hora necessita. O encontro da parte sensível, com a brava. A mistura de ser impulso com precaução, instinto e admiração. Deixar que a louca se vá, para que venha a santa, benévola. É quando o tempo esquenta que chove inteirinho aqui por dentro. 

Na fuga da ansiosa, se deparar com a compulsiva. No rito interminável de me redescobrir, é que aos poucos me fragmento. É no meu sono que começam meus sonhos; e ao vivo, que encontro determinação para realizá-los. Definir não limita, impossibilita. Aborta espontaneidades e futuras surpresas. Que é quase outono, e não há porque sacrificar os desafios do caminho: nesses que verdadeiramente nos encontramos, pelas beiradas. Os leões tem de ser cuidados e acariciados, com cuidado e parcimônia. Que é quase outono, e o abrigo é necessário: o pior frio é o que congela a alma e impede movimentos.

Relationshit

11.25.2011 -

Se auto enganar é arte de moça. Junto ao bordado, à limpeza e aos dotes culinários, vem com aqueles valores arcaicos repassados pela vovózinha, sem ter espaço no dia a dia louco do século XXI. Ele vai mudar com o tempo, ou quem sabe, eu apenas tenha que compreender que é o jeito dele e fim de papo. Me traiu uma vez, duvido que faça a segunda. Vou dar só mais essa chance, não consigo viver sem o homem dos meus sonhos (melhor com, pior sem), e assim, está exercitado o caminho espacial pra ver o relacionamento se tornar, aos poucos, uma bela merda.

Além da vontade de chacoalhar essas meninas que se enganam em amores tóxicos com gente instável, relações de poder onde não possuem o menor espaço seja para opinar, ou tentar qualquer inovação, eu sinto muita pena. Tendemos a achar que os problemas que enfrentamos a dois são os piores do mundo, até que: escuta-se amigas próximas. E não entende como aquela colega aceita ser chamada de exu pelo cara que ama. Ou, como pode aguentar calada a cabeleireira apanhar de vez em quando, porque pro marido - a quem ela não denuncia, nem revida, nem nada disso - um tapinha não dói e sadomasoquismo está em alta como fetiche masculino. Tem aquela amiga que namora, mas mal faz sexo. E pior: acha normalíssimo. Assim como aquela outra que finge estar tudo bem e tudo lindo, quando no fundo (e a gente que é mulher, sempre sente) está é bem conturbada e triste porque, mesmo depois de meses, nada de o rapaz falar em compromisso, apresentar pra família, ou essas pequeninas paranóias que os padrões plantam na mente feminina - e que a gente sempre cai.

Sou parte dessas gentes que é revolucionária na vida, e também com quem compartilha a vida. Sempre a favor de um melhor entendimento,  tentar adequar as manias, irretocar o já maravilhoso para que não se perca nunca o brilho interessante de quando se começa a descobrir o outro; ser uma eterna insatisfeita tem algum lado bom, querer sempre mais do que existe de melhor não me agrega culpa nenhuma, muito pelo contrário: é um perfeccionismo para o bem geral, não apenas egoísmo disfarçado. Me revolto com essa aceitação, pois comigo não teria vez: feito fagulha no feno, de repente incendiaria. Minha alergia a meios-termos seria fatídica para esses relacionamentos, aceitar o que me aflige, idem.

E a gente é mulher e, justamente por isso, se engana pensando que só porque é feminina tem charme de Miss e é capaz de mudar o mundo. Mundo esse, que quando visto pelas lentes de apaixonada, se torna praticamente um só: ele. Notícia ruim: não mudamos ninguém. A parte boa: nos relacionamos apenas com quem bem entendemos. Ou seja, ou conversamos e pequenas mudanças possíveis em prol de bons sentimentos são realmente efetivadas, ou, com o fator do sábio tempo, veremos aos poucos ruir as bases não tão sólidas construídas em cima de algo que foi se tornando frágil, e deixou-se de notar. O embrulho do estômago, a fadiga constante, a instatisfação crescente: sintomas presenciais, sinais de que o que era flor, tem se tornando então, apenas adubo.

Sumiço

11.11.2011 -

Inesperadamente, ele sumiu. Atende o telefone apenas quando bem entende, responde quase nunca, e tomar a iniciativa em ligar de volta ou a procurar, não faz. E tudo estava bem, você pensa. Era o relacionamento dos sonhos: havia liberdade pro que se quiser e vier, o sexo era ótimo, e até onde você tinha noção, a convivência entre vocês, também. O beijo encaixava, o gosto musical na maioria das vezes, e eram fãs dos mesmos filmes. Você ria tanto quando juntos, que o fazia sorrir na maior parte do tempo também. Agora é a sua solidão atentando o celular a cada cinco minutos atrás de mensagens, o seu desespero checando de hora em hora as redes sociais e a melancolia de incompreender em que parte tudo pifou que nem momentos bons ou sentimentalidades conseguiram salvar o que vocês tinham.

Ele diz estar ocupado, mas passa horas atrás de um carro novo. Coloca a culpa nos familiares, que não colaboram. Nos amigos, que o chamam para mil e uma aventuras. Na faculdade, que anda chatíssima e com inúmeros trabalhos e provas. Ou mesmo, em você - caso tenham brigado, usou uma discussão que se resolveria facilmente entre quem quer ficar junto, e não se afastar cada vez mais, como estopim para zarpar fora. Daí que o rapaz pede um tempo, e você, paciente e amorosa, dá. E diz que irá ligar quando puder; o que reacende aquele tantinho de como era antes internamente. Ficar sem respostas e reações é complicado, eu sei. Porém, frente a um sumiço inesperado de quem deixa de se preocupar se estamos vivas, nos alimentando direitinho e felizes como manda a cartilha, o jeito é se ausentar do mundo, para submergir em si mesma - mesmo que, temporariamente.

Cafona, mas o tempo resolve. Decide nos mostrar o que não víamos, cegas de amor. Faz perceber a fraqueza e a covardia de quem despertou para vida e parou de enganar tanto a si mesmo, quanto aos nossos sonhos alimentados com palavras doces, elogios enganosos e atitudes exageradamente cordiais. Homens, quando somem, é por medo: de deixar que o rumo das coisas apresse, aperte e os prenda num cinto sufocante ao nosso lado. Simplesmente porque são fracos para encarar de frente a ilusão que os próprios teceram. Por pura percepção de que tudo estava ótimo, mas imaturo demais para se tornar maravilhoso. A má notícia é que reaparecem. A boa: quando estamos lindas, felizes da vida, e geralmente, acompanhadas por quem além de não sumir, não desgruda da gente.

E assim, se origina mais uma biscate

11.03.2011 -

Lá está ela, com o coração estilhaçado. Em mínimos pedacinhos que, nem que tente pegar a todos eles assim tão destituídos, no chão da sala, no vão entre a cama e a parede, por entre todas as roupas já vestidas, de fato conseguiria. Mal se move, tamanha a vontade de chorar e permanecer imobilizada na própria dor de ser o que se é, e que o outro desatenta as qualidades - tão únicas -, as características - tão peculiares -, aquele bem que só a gente sabe que gostaria de fazer, caso aceita fosse, dentro da vez que mais valia: a que se amou sozinha, e acabou por receber em troca uma dor de cabeça de quem não consegue silenciar o choro, um punhado de desconfianças quanto à si própria e um buraco no meio do peito, por entre a velocidade oscilante do coração atingido.

Ressentida, incompreende. Por que ela, e não eu? Que ela tem que em mim falta? Que diabos qualquer uma outra possui que se recusa de projetar em mim? Questionamentos, vários. Horas acordada dentro da madrugada solitária onde a atenção não consegue desfocar da desilusão de não ser suficiente pro amor de quem a gente escolhe. Por semanas, vive submersa dentro de uma tristeza tão profunda que ameniza até a pior das tepêemes.

Do aborrecimento, aos poucos vê a raiva tomar conta. Dominar o que antes era azul, e agora escureceu ideias e demais fofurinhas femininas que tanto adorava. De repende, fúria com o mundo. Ódio da sociedade, e dessa hipocrisia deslavada. Nojo da falsidade das pessoas, o dia cinza por dentro, mesmo o sol estando radiante lá fora. Gélida, descrê de todo outro relacionamento, afim de vingar a frustração do seu que não deu certo ou acabou por nem mesmo a ocorrer. Se enclausura numa infelicidade que vê apenas como a única saída possível para extinguir o pouco de sentimentos bons que guardou para momentos perfeitos que vieram a não existir.

E sai pra abstrair. Encontra com as amigas que sempre foram da noite, bebe mais para esquecer que pro prazer de ingerir o alcool. Em frente, dois caminhos: ou mantém seus princípios vivos, sua conduta ereta e a cabeça erguida, e por mais que beba e aproveite, não caia na vulgaridade. Ou, apela para o caminho menos indolor e com maior rapidez para que o bem estar momentâneo se aproxime, o de aproveitar sem nem pensar em consequência nenhuma. Ela, que nunca foi depravada, se vê fazendo coisas que antes nunca cogitou. Não é disso que os caras gostam? Então. Afim de ser desejada, vulgariza seu comportamento aos poucos; um olho nas demais biscates da balada, que beijam vários e saem com algum deles - geralmente o que tem o carro mais bacana, ou a carteira cheia da grana - noite à fora.

Pega o cara que uma conhecida é apaixonada, faz sexo em banheiro de festa lotada, beija outras garotas apenas porque é moda, e claro, pra acender a loucura masculina. Abusa da maquiagem carregada, nas roupas curtíssimas e no comportamento medíocre. Deixa-se filmar quando em privacidade, usa da promiscuidade como um escudo para se proteger de possíveis, porém maturadoras, frustrações. A moça procura a atenção que não recebe da família, o desgosto por perder ou nunca ter tido a reciprocidade no amor numa das únicas tentativas possíveis. Podia ter se conservado um tanto ingênua, e racionalmente, sentimental. Um pouco de cada coisa daria na mistura sensata de pessoa viva com afetos e vivências. Talvez, mais cedo que esperasse, alguém que valeria as lágrimas jorradas e o âmago de se sentir sozinha, mesmo com sete bilhões de pessoas habitando um único e extenso planeta. Ao tomar o rumo de ser assunto das mil e uma más línguas, de jogar fora junto com o bom senso um tanto de amor próprio, deita antes de dormir e, sem ter em quem pensar, vê que mesmo com alguns tantos sentindo desejo em tê-la na cama, porém por outros motivos, não há em quem pensar, ou ligar para desejar um simples (porém motivador do sono pacífico) boa noite.

Originada e sem sentimentos, segue a então biscate com seus saltos altíssimos, unhas afiadas e cores extravagantes destruindo corações de rapazes emocionalmente fracos, ou casais bem estruturados em que lança seu olhar ferino e atiça o veneno no pobre rapaz. Ou pobres de nós, que precisamos aguentar tanta menina vadia pelo mundo por pura desestruturação emotiva.

Bula

9.26.2011 -
 
Indicações:

Em dias de sol. Tempo ameno, sensação térmica em alta. Caminhadas ágeis. Conversas acaloradas. Compras no shopping. Momentos ímpares de alegrias ainda indescobertas. Surpresas em fim de noite. Desafios em meio ao tédio. Opiniões decisivas. Douçura em palavras. Saídas necessárias de cima de qualquer muro. Maleabilidade. Sinais, intuição, percepção. Desejo do mundo na palma da mão. Chocolates, de qualquer tipo. Flores, de qualquer gênero. Escritos à mão. Vida com cor. Abraços apertados. Beijos intermináveis. Carinhos excessivo. Saudade.

Efeitos colaterais:

Risos histéricos e incontroláveis. Confusão mental, dúvida e contradição de atos. Aceleração de ritmo próprio (e alheio). Condutas em desvio. Divagações exarcebadas. Vontades impensadas, delírio. Exaltação. Calor no corpo. Sentimentos de cuidado. Mudez ocasional. Ingenuidade infantil. Impulsividade intuitiva.

Precauções:

Devido ao risco de não haver tédio e sua atividade tanto mental quanto corporal ser estimulada incessantemente, deve-se tomar precaução especial nos pacientes propensos a tédio, silêncios, mudanças de humor repentinas, estagnação e falta de ambição e frieza inexplicada e imediata. Possível deslumbre quanto à realidade ou imprudências. Não recomendado a pessoas apáticas e com falta (ou total ausência) de personalidade.

Apresentação:

Embalagem com 1 moça de idade jovial em constante mudança e processo de evolução. Conteúdo de 1,68 de cintura fina, pernas grossas, encorpada e de ombros e quadris com medidas aproximadas. Possivelmente com meia-calça preta, sapatilhas e saia ou vestido.

Composição:

80 cm de cabelos claros, dois olhos amendoados e escuros e duas orelhas miúdas, com um furo cada em lóbulo inferior. Uma pintinha acima da boca, no lado esquerdo e um risco na metade do nariz. Dez unhas não pintadas e dois pés hipersensíveis, para cosquinhas eficazes. Sangue quente correndo nas veias, voz alta adaptada para fala prolixa e olhos velozes especialmente potenciados para leitura dinâmica. Algumas manias estranhas, um punhado de frases desconexas, sonhos e ideais não realizados. Rebeldia pra dar gosto; temperança, para adocicar.

Contraindicações:

Aos dias nublados, cinzentos e de temperatura instáveis. Chuva fininha. Ventania e frio. Pó. Gente que fale e escreva errado, gente brega, gente que não olha para a própria vida e critíca a alheia. Em solidão. Exposta à hipersensibilidade, grosseria ou feiúras das ruas urbanas. Egos enormes. Falta de espelho. Tédio. Sono em demasia. Vergonha alheia. Mau humor matinal. Preguicite aguda. Pés com meia. Indecisão. Com melancia, tomate, ovo cozido ou guizado.

Posologia:

De surpresa, de relance, nos momentos necessários - que dependem de cada pessoa e podem ser uma vez ao dia, três na semana, a cada cinco horas. Quando precisa se fizer a faísca em meio ao caos que apenas esta profilaxia possibilita. Para os que não aguentam fortes emoções: uma vez na semana é o suficiente. Para aqueles que buscam aventura em meio à subalterna vida urbana: pela manhã para começar o dia, é o recomendável. Três vezes ao dia para excessivos é o essencial para evitar futuros enjoos.

Superdosagem:

A superdosagem intencional ou acidental não representa perigo. Manifesta- se por extrema intensificação dos efeitos do produto: pensamento acelerado, ações impensadas, ideias estimuladas, fala incontida, radicalismo, força de opinião. Cuidar apenas vício e surto ocasional, logo relevado pela própria medicação.


Laboratórios Paier&Pereira LTDA.

Caricatura

9.24.2011 -

Como é a primeira vez que fico tempo bastante, no caso, seis meses com alguém, achei digno comemorar - embora pra algumas pessoas seja algo banal, pra mim não é. Então, também quis dar algo diferente e que de alguma forma marcasse, tivesse com ele sempre e fosse bem nosso, pro meu namorado. Mandei fazer uma caricatura nossa, e ficou bem legal, eu curti. Além disso, dei algumas outras coisinhas que pra nós tem algum significado, numa caixinha de coração e tal. Podem me tachar de brega ou cafona, mas gosto dessas coisas. Eu chamo de ser romântica mesmo. Se é pra amar e estar com alguém, que se esteja mesmo e não por pura comodidade ou insegurança, não acham? Comigo é assim. Meu namorado, esse lindo e primeiro pra mim em tantas coisas, merece.
Bem, na caricatura, estou eu no notebook (já que fico no computador tempo demais mesmo durante a semana, fugindo apenas durante os sábados e domingos), e sentada na futura Ferrari dele, que adora carros.
O resultado ficou demais, e a noite foi ótima. Os créditos, claro, ao Rogério, que foi quem fez. O achei pela internet mesmo,  procurei algum que fosse aqui no Rio Grande do Sul, porque queria para logo. Mas para quem mora longe, é uma opção bem bacana também, enviar as fotos via e-mail (que foi como fiz) e aguardar que chegue pelo correio. Recomendadíssimo!

Contato: Rogerio Caricaturas - http://www.caricaturasrogerio.blogspot.com/
(51) 9943.6241 / 9147.6117 

Arianamente astrológica

7.16.2011 -

Pouca gente sabe, e muita confunde: sou ariana. Já fui mais crente em astrologia, contudo fica a dúvida: somos o que lemos, ou sentimos tanta vontade de incorporar características passíveis de possuir que acabamos nos pré-moldando no estilo que deseja nos caracterizar? Enfim. Nasci dia 20 de março, quase quase meio-dia e meia-hora. Logo, por esses horóscopos de figuram em jornal e datam "de 21 de fevereiro à 20 de março", me tachavam pisciana. Minha mãe, filha de Câncer (a mãe mais mãe de todas as mães; não porque é a minha, mas sim porque ainda não encontrei tanto afeto, tanto alento, tanta posse numa só mulher que tivesse filhos e esses fossem ou meus amigos, ou meus colegas com genitora de tamanha proteção), pois bem: minha mãe, mesmo tendo feito meu primeiro mapa astral quando ainda era um bêbe, me queria um peixinho a nada com ela pelos mares à fora. Eu, que tenho um planeta dos românticos no signo de Peixes (sim, Vênus), até me encontrava em algumas características quando menor. Sempre tive um lado meio místico e desbravador, e esse coração submerso em emoções intensas, de profundidade mesmo. Mas e os impulsos, mãe? E esbravejar e a mania de mandar nem que seja um pouquinho, e liderar quase sempre? Ariana que era, e não sabia: torço pro azul, mas desde sempre, amei o vermelho. Ainda criancinha, ficava entre o cor-de-rosa, e o carmim, o rubro. Pioneira, fui a primeira a ler, a ter o primeiro dente caído, a primeira menarca, o primeiro beijo.

Daí que era eu doce de um lado, quando o amor se via no alvo ou em pauta, e daquela minha maneira ingênua de crer e se entregar mesmo: com toda a força que tenho, ainda mais sentimental. Visceral. Extremista, radical, nunca unânime. Você quer? É agora. Amanhã mudo de rota, pego uma ideia pelo caminho, fujo pra algum esconderijo temporário. Ascendente: gêmeos. Por isso a fala precoce, antecedida de qualquer pensamento. Discorrida, quase monóloga. Dizer e expor, ter na comunicação uma necessidade intrínseca. A mania de liderar e já logo dizer: eu, eu primeiro! O desejo vigente de liberdade e independência, fortes desde sempre. Irmã mais velha, comando a trupe aqui de casa - que seguem, sempre, a minha opinião. Palpites esses que, incrivelmente, necessito exprimir. Algumas pessoas dizem: e você opinou? deixou sua marca, né? Sim, sempre. Remexe aqui dentro qualquer furacão que, dependendo o assunto, me faz voraz, me tem atenta e arisca, desafiada a vencer sempre, seja uma discussão, seja apenas um diálogo viajante sobre essas doideras que nos engolem o dia a dia.

Nunca fui fã de andar em bando, sempre mimei demais os meus queridos; que são poucos, a dedo escolhidos. Aos que detesto, ódio completo. Mas também desprezo. Ir com calma tem sido aprendizado e tanto, assim como não dar tanta cabeçada por aí, nos momentos raivosos. Calar essa minha boca que fala demais e insiste em esquecer a importância de pensar antes a fim de não se arrepender tanto, uma outra virtude que venho querendo adquirir - porém não totalmente: que seja conservada essa minha marca de obedecer aos ímpetos, pertencer aos impulsos que ora me coroam feliz, ora me jogam ao fundo do calabouço mais nefasto. Adoradora do difícil, daquilo que gera dúvida ou desafio, me vi munida de um mistério e um alerta de ser aos poucos que não é meu. Deixei a sinceridade para doses homeopáticas, e fui corri atrás, como sempre gosto e tento proceder, daquilo que quis até aqui. Hoje, vou com mais cuidado para que meu fogo não apague assim, de repente. Vai que é preciso esperar até que acenda novamente? Pra passionalidade toda que carrega cada ato, palavra e sorriso meu, um banho e tanto de frio e inverno de quem vive cada dia como o último, sugando a intensidade possível de todo (aparente) pequeno momento.

Ele só não te quer

7.11.2011 -

Senta aqui, deixa eu te falar uma coisa. Ele que some por dias, corre atrás só quando te vê caminhar pra longe, desmarca programas em cima da hora, é sucinto quanto à própria vida e mais superficial que piscina infantil. Esse mesmo que você tanto fala, e todo dia vem com alguma nova furada tentando desesperadamente consertar pra ter em troca um pouquinho de amor marejado. É, ele só não te quer. Simples. Pior de tudo, que nem culpado pode ser. Talvez sim, por não ser honesto logo de cara. Contudo, bem sabemos o quanto a covardia já é item de fábrica em praticamente todo ser bicho homem, e por isso, a prolongação de situações tediosas, insuportáveis e para nós, torturantes. Não é porque terminou um namoro agora, ou nunca teve simplesmente um relacionamento decente. Nem porque é novo, ou anda trabalhando demais, ou ainda, a faculdade exige muito. Pra cada alternativa que você cria, uma desculpa. Chegar a esse ponto obscuro de perder qualquer amor próprio na busca de se achar num sentimento que o outro nem chegou a cogitar existir. Larga esse telefone, apaga o número desse panaca, não espera mensagem nenhuma porque na verdade, o que ele quer é ter em quem afogar a pressão final da noite (ou o próprio ganso), de quem não conseguiu algo na festa, e tenta tentando a agenda-geladeira onde congela quem desperta interesses específios e minúsculos, diante as possibilidades de amor de amor decente tão sonhadas.

Você, que quer tanto ter com quem dormir - e que isso não se resuma a um programa especificamente sexual. Mas sim de braço masculino envolto em cintura feminina, duas respirações próximas, pé com pé. Você, que aceita ir pra casa do sujeito que mal deu um beijo na boca e se culpa o dia inteiro seguinte, sabendo que juntamente com sua dignidade e o caráter do cara, suas chances de algo que desenrole tenham caído drasticamente. Você, que cumprimenta ele que vira a cara de tanta vergonha. Você, que liga bêbada no meio da madrugada com aquele punhado de esperança embutido na voz alcoolizada. Você que intima, sufoca, stalkeia e cola no pobre coitado: dá um tempo. Se foque em si. Nutra aquele amor que desde cedo mamãe e papai plantaram e ensinaram que, é importante, sim. É olhando muito pro próprio umbigo que a gente chama atenção em se concentrar tanto sendo nosso centro do mundo que acabamos chamando atenção que puxa, ela se cuida. Melhor: se gosta. O único amor livre de qualquer traição, infelizmente, é o próprio. Tá pra nascer quem prefira o outro a si mesmo, depois de descobrir a maneira boa e sadia de se automimar.

Por isso é que digo: desencane, que uma hora aparece. Não aquele seu tipo cafajeste e sem um pingo de índole, mas um cara bacana que de repente assim, aos pouquinhos, vai tomando espaço e te dando possibilidade de surpresas, estômagos compressos e pernas agitadas. Sem expectativas, deixando toda e qualquer possível irrealidade, imaginação fértil longe do terreno dos pés no chão. Agora, se não é você quem ele quer, caia fora. Vença a insistência interna em achar que, só porque você está ali a todo o momento e fazendo certa pressão, ceder é a única escapatória do sujeito. Há ainda os modos 'ignorar' e 'partir pra ignorância' - o que não se baseia em violência física, mas na irritação tão suprema que chega a ponto de deixar a razão de lado e as palavras soltas, ferinas na sua direção. Se passaram três dias, e o sumiço do moço se fizer uma constante, se você é deixada falando sozinha com frequência, se quem apenas se preocupa e sente esse caos que se tornou a situação toda também é você, se livre. Vá para uma academia, faça compras, se foque no trabalho, saia com as amigas, adote um animal. Tudo, menos descentralizar da sua vida, desse momento tão presente que se inaproveitado passará em branco enquanto você, tentando o impossível, mirou em quem não se deixa atingir tão fácil, não por você.

Chega de desilusão e contos de fada, de cegar à si mesma e não escutar quem tanto tenta alertar quanto aos perigos de um comportamento assim, tão irracional e errôneo. Corações pulsam mesmo, mas será que não dão defeito assim, despertando a qualquer toque que pode na verdade ter sido um esbarrão, um desencontro, um mero engano. Ferrenha seja a boa vontade em desconfiar no começo e se entregar, apenas quando o jogo estiver aberto e os sentimentos, simbióticos. Que amor mesmo, a gente não persegue: se dá conta assim, como quem não quer nada, mas deseja lá no fundo muito que pode mesmo ser. E se beija, e se quer, e sente falta mesmo tendo passado apenas meia-hora longe. E liga. Responde. Procura. Tanto de um lado, quanto de outro, o lucro - que ao invés de líquido, é sentimental - vem em dobro e em forma de sorrisos apaixonados e cafuné na cabeça.

Borogodó: Made in Brazil

7.04.2011 -
Como já havíamos combinado, e tanto me foi pedido, lá vamos nós enumerar alguns dos charmosos mais encantadores desse nosso Brasil. Ouvi algumas opiniões, li outras, e por mim, espero ter montado um time pra guria nenhuma colocar defeito. Vamos então aos moços de borogodó mais pertinente made in Brazil:

1) Daniel Bueno

Nem há muito o que precise ser dito.
Daniel apareceu para o Brasil quando se confinou em Itu, no reality show "A Fazenda III" - do qual se sagrou ainda campeão. Faz o estilo bom moço, paizão (rememora em tudo quanto é ocasião os filhos),
é gaúcho e agora, milionário. Ganhou o apelido "touro reprodutor" do apresentador Marcos Mion por, no programa, ser conquistador e derreter o coração das meninas, às vezes sendo até insinuante. Além de lindíssimo, claro.       

2) Mateus Verdelho

O modelo ficou muito mais conhecido por ser o noivo da panicat Dani Bolina do que por seus trabalhos. Ou na verdade, talvez já o tenhamos visto por aí, porém, seu nome resplandeceu na mídia assim que o pessoal do Pânico na TV fez a maldita gincana que foi incomodar a dançarina pra que ela desistisse de casar. Na minha humilde opinião, os dois além de combinar, fazem um casal muito belo. Que ela valorize o bendito presente que tem em casa, né, meninas!

3) Wagner Moura


O capitão supremo de todo e qualquer borogodó. Wagner não faz o tipo bonitinho-perfeito ao quais fica até difícil escolher o atributo mais condizente. Não. Ele lidera o ranking no quesito "tem um charme que não sei explicar". Inteligente, de opinião e ótimo ator. Charmoso de carteirinha também, claro.

4) Paulinho Vilhena


Lembram de quando ele namorou a Sandy? E de quando ele resolveu usar saias pela noite carioca? Eu recordo. Por último, a namorada (a meu ver) melhorou, mas continua polêmico like ever. Esses dias, cuspiu num dos rapazes do CQC. Igual, tem um quê a mais, mesmo sendo gago em novela das sete.
                                                                                                                                                                
5) André Bankoff


Confesso que não sei muito sobre o cara, mas casualmente, quando estava esses dias em casa no horário da péssima  novela das 19h, vi o moço que, na trama, é apaixonado pela empregada da casa. Super charme de olhos azuis, curti deveras. Alguém aí imaginava que ele já tentou a carreira futebolística? Pois então, bate mesmo um bolão.

6) Rodrigo Lombardi


Não tem mulher que não tenha desejado ser indiana e ter o lugar da Juliana Paes na novela. Além de bom ator, de um charme inquestionável (já que a beleza, de óbvia não tem nada). Quando sorri, consegue melhorar o que já é bom.

7) Thiago Lacerda


Acho que dispensa comentários. Como sou fã de homens altos e barba por fazer, achei ele lindo justo nessa imagem. Era bonito já quando fazia italianos em novelas, mas pra mim, a safra só tem é melhorado com o tempo. Cada vez mais com cara de homão, bem ao meu gosto.

8) Raphael Viana


Não tenho tempo para acompanhar novelas, como acho que já disse aqui. Porém, claro, quando vou ao salão ou em algum lugar que me forçam a esperar e ler revistas, dou umas paginadas, não minto. Daí que há uns meses vi o tal moço estampando as páginas de uma publicação do gênero e me encantei. Participou de Araguaia, recentemente e foi indicação (merecida) de algumas meninas via Twitter. Digno, não?

9) Selton Mello


Além de beleza, inteligência. Papéis bem escolhidos, uma carreira sólida e multifuncional. Rapaz de opinião, Selton se arrepende de não ter curtido tanto a vida. Nada que muitas de nós aqui, suspirando, não possamos resolver pra já. O irmão, Danton, vale lembrar que também é BEM gracinha. DNA bom dá nisso daí..

10) Guilherme Winter


Me esforcei para não colocar apenas atores ou gente que aparece na televisão de meses em meses por aqui, mas ficou complicado. Acho que gente bonita deve atuar bem, ou eles querem mesmo só o pessoal top na mídia pra gente se esforçar e ficar assim também. Mas como vieram várias sugestões de última hora, lembrei que já vi esse moço na tevê, mesmo acompanhando pouco, e que é bem charmoso mesmo. Tem uma voz doce, ainda por cima. Uma única coisa que pesquisando me deixou meio assim: Dança dos Famosos no Faustão. Mas quem é perfeito, não é, gente? Desconheço ainda. 

Essa é a lista então, meninas. É pra vocês, cada uma das lindinhas que lê aqui o Calmila com frequência e gosta, e comenta, enfim. Eu prometi, e mesmo já tendo quem achar bem charmoso e feliz, cumpri a tal lista. Até porque, a gente sabe bem que esses moços de novela, seriado, televisão tem o borogodó lá no alto, mas nada como um único ser que nos tire de órbita ocasionalmente e tenha também algo que não nos faça resistir nem titubear uma vez sequer. Um brinde aos lindos, tanto do nosso dia-a-dia, quanto que os que apenas os olhos nos enchem de felicidade!