Mostrando postagens com marcador Da Alemanha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Da Alemanha. Mostrar todas as postagens

Da Alemanha: É hora de dar tchau.

8.16.2011 -

 
Três malas abertas pelo chão. Várias necessaires espallhadas pela cômoda aguardando o momento final. Sacos e mais sacos de lixo e roupas para doar. Assim está meu quarto enquanto escrevo esse texto. Há um prazer em não se fechar as malas que só quem viaja compreende. Prolongamos a despedida até o último momento possível, queremos eternizá-la. E assim como quando deixei Florianópolis, chove copiosamente agora em Weingarten. Até enchente vi aqui, pela primeira vez. As últimas fotos da cidadezinha, que eu faria antes de ir, não acontecerão mais, já fotografei com chuva e a experiência não foi das melhores. Prefiro manter as imagens da pequena e ensolarada cidade, que tão calorosamente me acolheu nos último dez meses, secas.

Estou a escutando agora “Os segundos”, da banda Cidadão Quem. Ele diz “Foi pouco tempo, mas valeu, vivi cada segundo..”. Essa frase é a mais clichê e mais honesta que poderia existir nesse momento. Você mesmo acompanhou aqui, por um curto espaço de tempo, um pouquinho da minha vida na Alemanha. Claro que faltou falar sobre muitas coisas, aspectos, acontecimentos, mas não me arrependo de ter levado adiante o convite da querida Camila. Tentei ser o mais fiel possível em meus textos sobre como eu via o que me cercava. Mas, sem choramingos, o momento agora é de alegria. Alegria em rever a casa da mãe, os amigos, as colegas, apesar de que é uma alegria triste, pois ela é acompanhada da dor de deixar para trás os novos amigos e as novas colegas.

Visitei alguns países além da Alemanha, vi quadros, castelos e praças que nunca imaginei um dia chegar perto. Elas existiam apenas nos meus livros e pesquisas. Eu já poderia morrer e dizer que realizei boa parte dos meus sonhos, certo? Errado. Há muito mais para ver nesse mundo do que nossos desejos todos juntos um dia idealizarão. Então, se com minhas palavras pouco refinadas, eu consegui de alguma maneira trazer para vocês esse gostinho, já me sinto realizada.

O vôo de volta pra minha terra é hoje, coincidentemente terça-feira, como nossa coluna semanal aqui no Blog. Portanto saiba que você aí me lendo está voando comigo neste momento. Compartilhado minhas lágrimas de emoção por voltar, passar.. deixar... Obrigada por terem também feito parte desse momento tão especial em minha vida.

Ah, mas não pensem que vocês se livraram de mim, não! Continuarei colaborando com o blog, porém agora de Santa Catarina mesmo.

um beijo.

Meirielle. (@meirits)

Da Alemanha: A capital

8.09.2011 -


Sim, eu disse que ia para Berlim no post anterior e fui. Foi uma viagem maravilhosa, apesar da metade do tempo ter chovido. Sabe quando você se sente fazendo parte do mundo? Eu vi a vida acontecer por quatro dias diante dos meus olhos. 
 
Não tem como não se apaixonar por Berlim. Muito parecida com Londres e um pouco de Amsterdam, por conta dos trens, metrôs normais e de superfície, gente do mundo inteiro, museus, memoriais, esculturas em lugares inesperados e feiras das mais diversas. A pior parte? Ter que voltar para casa.
Berlim é uma atração completa. Não só por ter o parlamento e toda a parte político-burocrática da Alemanha, como ministérios e consulados, mas por conter em seus espaços a história viva desse país europeu. A cada marco, memorial, um pedaço de uma história recheada de guerras, conflitos e muito sofrimento popular é contada. Mas também exibem muita força e união que tiveram os alemães para se reerguerem das cinzas e dos escombros.

Só Berlim sozinha (pois existe um perímetro chamado grande Berlim) tem 3,4 milhões de habitantes, das mais variadas nacionalidades. Penso que somados aos turistas, tenha mais alguns mils. Cafés simpáticos, gente perdida com mapa nas mãos, artistas de rua tentando ganhar o seu, trânsito caótico em dia de chuva, e mais tantos elementos que juntos montam o perfil de uma grande cidade estão por toda parte.
Fiquei muito emocionada em vários momentos e não teve jeito de conter as lágrimas ao ver fotos e documentações sobre a segunda guerra mundial. Logo depois que se cruza o portão de Brandemburgo (esse da foto), caminhando à esquerda, se chega ao memorial em homenagem aos judeus assassinados por toda a europa. Os dados são arrepiantes. Os números estarrecedores. Até na Grécia morreram judeus vítimas do nazismo. A cada depoimento de um sobrevivente meus olhos se inundavam e eu me perguntava: como é que isso pôde um dia acontecer? Pior, como ainda acontecem atrocidades pelo mundo e não fazemos nada a respeito! Em outro memorial eles agradeciam aos heróis silenciosos. Os alemães que ajudaram a manter vivos e escondidos judeus por toda Alemanha durante o longo período das trevas. Até mesmo a lista de Schindler está lá.

Por praticamente toda a cidade há marcas no chão por onde passava o muro de Berlim, que dividiu por 28 anos a Alemanha entre capitalistas e socialistas. Esse ano, agora no dia 13 de agosto, (não)se comemora os 50 anos da construção do muro, que já hoje não tem mais o mesmo papel. Muitas foram as pessoas assassinadas por tentarem cruzar a divisirória e ir para o outro lado. Em um dos memoriais do muro (o mais oficial) eles mostram com fotos como foi que deu-se naquele bairro a passagem do blocão de concreto, dividindo um cemitério ao meio! Pode-se subir em uma torre e visualizar com bastante clareza as marcas da imbecilidade humana.

Berlim é isso. Arte moderna nas galerias, pinturas do passado nos museus, e memoriais que não deixam as pessoas esquecerem o que foi esse país um dia. Uma gente misturada, de todas as cores e estilos. Construções grandiosas e imponentes exibem uma potência que na verdade ainda tenta compreender porquê o machucado ainda não sarou.

Abraço,


Da Alemanha: Que bonito é

8.03.2011 -
 
Eu já disse algumas vezes que moro no sul da Alemanha né? Precisamente no estado federativo de Baden-Württemberg. Pois bem, isso faz toda a diferença quando o assunto é moda. Gente, as pessoas se vestem de maneira extremamente peculiar aqui. Especialmente em Weingarten, cidade com pouco mais de 30 mil habitantes.

Com certeza você reconhece um turista alemão facilmente no Brasil. Roupas tom pastel, pochete, chapeuzinho e alguma sandália de caminhada. Se calhar, usando a sandália com meias!!! Aqui também há essa classe, mas ela não é a dominante. Não que eu esteja fazendo julgamento de valores, quer dizer, estou, não queria dizer na lata, mas as pessoas se vestem de forma tão confortável aqui que a gente até releva a feiura das roupas e conjuntos.

Eu não sou nenhuma Glorinha Kalil ou adjacentes, nem fashionista ou seja lá o termo das entendidas de moda, mas tem horas andando na rua que sou tomada por um sentimento de vergonha alheia fora de série.
O alemão daqui é bem parecido com aquelas pessoas de fotos dos anos oitenta sabe? Jaqueta jeans, calça alta (sempre), cortes de cabelo estilo “mulets” e tudo isso muitas vezes combinando um verde limão com pink, ou uma saia longa vermelha com blusa amarela. Uma graça de se ver passar. Mas é claro que essa escolha por cores berrantes tem um sentido muito especial. Foram anos de vida na miséria entre e durante guerras. O consumismo entrou por um lado e foi combatido por outro durante a separação entre Alemanha capitalista versus socialista. Por isso as pessoas falam através do que vestem. Das recatadas às extravagantes, passando pelas jecas. Não se importam como que você está pensando sobre a aparência delas. Boa parte das pessoas em geral aqui são assim, e isso é um ponto bem positivo. Ninguém é escaneado de ponta a ponta quando chega usando alguma combinação extravagante nos lugares. Ou muito menos julgado “mal vestido” nas festas e baladas.

Evidentemente que isso eu presencio na cidade pequena. Das vezes que fui à Munique (a cidade da Oktoberfest oficial), no estado vizinho, me senti até deslocada pela elegância em um ou dois lugares que frequentei. Mas acham que alguém notou ou me mandou algum olhar de julgamento? Necas de pitibiribas! Nada. Zero! Na minha cabeça a voz da minha avó dizendo “não acredito que saísse de casa com essa roupa” e ao meu redor gente querendo se divertir sem dar a mínima para o que os outros pensam sobre como eles se vestem.
Aqui, parece que quanto mais exêntrico melhor. Tenho certeza que isso ainda é reflexo do militarismo que fez o país ser apenas preto e branco durante anos. Por isso as pessoas mais velhas escolhem sempre um tom só de roupa, em contraste às mais novas.

Os jovens se vestem de forma bem parecida. Acho que todos saíram de um catálogo da H&M. Tem ainda a maneira diferente como os jovens turcos se vestem. As meninas pesam na maquiagem e penteados marcados pelo uso de laquê. Já os meninos parecem mini-mafiosos, para deixar bem claro a origem que têm.
É difícil em uma só vez falar sobre tantas vertentes diferentes de moda que há nesse país. Mas uma coisa é certa e precisa ser dita: o valor das roupas aqui é irrisório. Sim, existem as lojas de marcas famosas e caras, mas as de departamento fazem liquidações constantemente e é difícil conter-se diante das promoções. E apesar de baratas, as roupas são de qualidades boas até. Por isso você não dinstingue a profissão de alguém, nem o nível social através do que a pessoa está vestindo. E se isso não é fantástico, não sei o que mais pode ser!

Hoje, enquanto você me lê, estou chegando em Berlim, a capital da Alemanha, umas das cidades mais queridas e influentes da europa, e também roteiro certo entre os mochileiros que se aventuram pelo velho continente. Estou ansiosa para ver como é a vida por lá, hábitos, sotaques e por conta do post de hoje, vou dar uma atenção especial ao que eles vestem.
Haa e fiquem ligadas, que logo logo teremos uma surpresa made in Germany para as seguidoras do Calmila.
Beijos e até semana que vem,

@meirits

Da Alemanha: E na memória, Amy!

7.26.2011 -

 Essa coluna semanal é sobre a Alemanha, mas como sou muito fã do trabalho da Amy Winehouse, não consigo pensar em mais nada para escrever hoje, portanto, farei um link entre os dois. Vou descrever como foi a repecussão da morte dela por aqui. 

Os noticiários alemães estão bem mais focados em cobrir os acontecimentos na Noruega, por questões de política e segurança que se relacionam muito mais com a Alemanha, do que a morte da cantora. Mesmo assim o ocorrido em Londres foi também bastante comentado.  

A maioria dos canais televisivos e revistas, de maneira geral, cobriu a morte dela como a imprensa brasileira. Um diferencial que percebi foi um artigo comentando sobre a luta da cantora contra a depressão e bulimia. No Brasil preferem atacar somente o uso das drogas. 

A revista Der Spiegel, uma das mais conceituadas da Alemanha e super conservadora também, praticamente uma VEJA, é a que traz mais artigos em seu site. Comentam toda a trajetória artística e pessoal de Amy, pontos altos e falhas, muitas fotos e, ao mesmo tempo que elevam sua imagem à diva, escrevem sobre a vida dividida entre os palcos e as drogas, de maneira bem taxativa pregam contra o uso de substâncias ilícitas. 
A revista Focus, que tem a capa igual a Época, traz o título “Bem-vinda ao clube dos 27” em eu artigo principal, uma alusão aos outros famosos e conturbados artistas que morreram na idade dos 27 anos, como vocês com certeza já leram por aí. Janis Joplin, Jimi Hendrix, Kurt Cobain e outros tantos. São infelizes coincidências da vida mas para estas pessoas em especial, como suas vidas não eram só mais uma entre as tantas entre a multidão, o foco no que faziam, produziam e consumiam é dado em lente de aumento. 
A revista RollingStone versão alemã traz uma matéria interessantíssima sobre a “dança com o diabo” que era a vida pessoal de Amy com a imprensa. O artigo dizia coisas como querer sair do clichê e não se utilizar da morte dela para moralizar o discurso sobre drogas, mas que só pelo fato de estarem comentando sua morte já significava que estavam dentro do sistema que  justamente escreviam se opondo. Eles terminam o artigo dizendo o seguinte: “Não existe uma luta contra as drogas. É um jogo. Quando você para de vencer, ela ganha.” 

Love is a losing game é um hino para mim. A voz da Amy me acompanhou durante tardes a fio no estágio. E agora sobramos nós com o curto legado da garota branca com voz de negra que falava com propriedade sobre as dores da mulher amargurada. E quem volta ao preto, ao luto, são os fãs como eu, que tinham a esperança de que a estrela de Amy voltasse ao colorido da vida sem abusos e sofrimentos. Mas o que podemos nós fazer pelos outros? E se ela quisesse mesmo morrer? Ou consumir drogas para aliviar um dor intensa na alma? Não de hoje que poetas, escritores e artístas em geral extravazam seus sentimentos no uso de substâncias “tóxicas”. 

Se sua beleza e profundidade musical era dada sob esses efeitos, e se a vida dela assim teve que ser, que assim seja. Paremos de tentar encontrar respostas onde não há dúvidas. Só digo mais uma coisa: Espero que o céu seja open-bar!

Da Alemanha: Enfim formados

7.13.2011 -

Ontem fui prestigiar a formatura dos meus grandes amigos aqui de Weingarten.  Essa turma linda e animada aí da foto (os 5 da frente).  Bom, formatura não, que aqui não tem esse nome. Se chama “festa-pós-exames-finais”, mas vou usar a nossa palavra que é mais simples.

A cerimônia de formatura é muito diferente das que temos no Brasil. A começar pelo não uso de roupas especiais, ou nada que identifique os formandos. Perguntei se isso é assim só aqui ou por toda a Alemanha, me disseram que em poucos lugares, apenas nas maiores universidades do país, eles fazem cerimônias como aquelas de filmes norte-americanos, mas são poucas. Esse ano eles inovaram, por influência do meu amigo Felix, que teve a ideia de todos usarem um chapéu parecido com aqueles do filme do Harry Potter. Ainda no âmbito vestuário, o mais chique que vi foi um salto super alto de uma das formandas e um tubinho preto. A maioria vestia roupas normais, vindos do trabalho, ou com a maquiagem um pouco mais caprichada e acessórios brilhantes. Nada além disso. Sem aquele estresse de penteados melados com gel, vestidos caros e pés esmagados em sapatos finos e opressores!

Achei fantástico que tudo não durou mais de duas horas. O falatório foi mínimo. O pró-reitor falou, a reitora, quatro prêmios foram entregues - aos trabalhos finais com maiores notas-, o mestre de cerimônias era um dos formandos, teve a fala (hilária) do orador, que em seu discurso  lavou a alma por todos que estavam à beira da loucura devido aos exames finais e entre tudo isso deu tempo para intercalar apresentações de dança, piano, música e teatro, todas executadas pelos estudantes da faculdade. Os organizadores da noite foram também os próprios formandos, inclusive uma das meninas que mora no meu apartamento (aliás ela ganhou um daqueles prêmios que citei, pelo excelente trabalho final. Algo sobre a prática de esporte na escola). Eles não ganham o diploma na hora em cima do palco, como nós, se pega na secretaria, no mesmo dia, ou antes. Por isso a agilidade no processo.

Enquanto tudo acontecia as pessoas podiam se servir de pró-seco, suco, cerveja, tudo à vontade (bastava pagar, claro). Nada de bebidas alcoólicas probidas, e mais, quem vendia era o AsTa, a entidade representante dos estudantes, dentro da faculdade, diferente da nossa realidade nas universidades brasileiras, cuja venda de bebidas alcoólicas pelos DCEs se não acontece de forma ilegal, não acontece de jeito nenhum. Ao fim de tudo, um coquetel foi servido (de graça para a minha felicidade) à todos os presentes. Comi folhado e quase chorei, pois nunca encontro para comprar nas padarias (não se esqueça, eu sou gorda!). Tudo muito bom, música ao vivo, gente fotagrafando para todos os lados, ninguém chorando desesperada porque acabou o curso, fui então me informar sobre quanto custou à cada formando a tal festa e – pasmem – custou 3 euros. Vou repetir. Custou a quantia absurda de três euros para cada um ter o momento oficial de encerramento do magistério. Bom, também não teve baile depois, de ninguém. Cada um foi para casa, beber (com certeza) com amigos ou familiares.

Falando nisso, aqui em Bade-Württemberg estão todas as escolas de ensino superior especializadas em magistério na Alemanha. Elas não são  universidades, mas tem também a função de formar professores para as escolas do país inteiro. Eles se formam em três cursos ao mesmo tempo. Exemplo: matemática, religião e ed. Física, ou; artes, alemão e química. E poderão exercer a profissão das três matérias. Para formar-se basta passar com notas acima da médias nas provas finais, que são escritas e orais (tenso). Se você não atinge a nota necessária (o um aqui é o dez para nós no Brasil) tem apenas uma chance no semestre seguinte para refazer as provas. Se falhar novamente, deve escolher outro curso ou carreira para fazer (eu disse que era tenso).

Ao longo da noite eu fui relembrando da minha formatura, na UFSC (Federal de Santa Catarina). Lembrei de cada um dos meus colegas, dos professores, de tudo que passei no curso até chegar ao intercâmbio. Os alemães adoram tradições, festas centenárias, mas o fim do curso não é uma delas. Não sei se somos nós que exageramos e damos valor de mais à este momento ou se eles se importam de menos. Fica o questionamento no ar. Quanto à mim, estou refletindo agora se de fato aquela pompa toda foi necessária. Precisamos provar pra que, ou melhor, para quem, que somos capazes de concluir um curso superior? E você o que prefere, o jeito brasileiro de celebrar ou como os alemães?

Abraços,
@meirits

Da Alemanha: Tá na mesa!

7.06.2011 -

Se você aí que me lê é da geração TV Colosso, já pescou sobre o que é o post de hoje! Comida! Preciso esclarecer que o alemão não vive só de  chucrute e batata, como todos pensam, mas pratos que envolvam esses dois são de fato bem típicos por aqui. Esses ingredientes são históricos na culinária germânica, nas épocas de guerra e entre elas, a batata, o pão, o chucrute (repolho fermentado em conserva) e a carne de porco, foram basicamente os únicos elementos presentes na alimentação desse povo, pois tinham fácil preparo e acesso. Mas hoje, depois de muita luta e trabalho, o tempo das vacas magras passou, e a culinária alemã é uma das mais tradicionais e famosas do mundo.

Viajando pelo sul da Alemanha, tomando café da manhã em hostels, padarias e compartilhando um apartamento com três alemãs, pude notar como o pão é um elemento fundamental no cotidiano dessa gente. As variadades pelo país chegam a 1200 tipos. Nos mercados a gente pode se servir sozinho dos pãezinhos que preferir. Para um turista ou estudante estrangeiro é um verdadeiro baque, mas logo nos acostumamos à tarefa árdua de ter que a cada dia experimentar um pãozinho novo. Até eu já me arrisquei na cozinha e fiz um pão de atum semana passada, influenciada pela mãe de um amigo que fez, e eu além de experimentar precisava pegar a receita, pois era muito gostoso. Ela me deu a lista dos ingredientes em um lindo envelope dizendo “leve a ideia consigo ao Brasil”. Com certeza, farei novamente.

Existe uma preferência nas padarias por pães e bolos doces, mas é um doce diferente do nosso, não tão açucarado. Há pães feitos com todos os ingredientes que você possa imaginar, e isso em padarias comuns e pequenas, como as daqui de Weingarten. Eu moro ao lado de uma, se chama “Frick”, o prédio onde moro é dessa família. A padaria tem “apenas” 180 anos de existência. As receitas foram passadas de geração para geração, dá até outro sabor à comida quando se come conhecendo a história de um local assim.
Mas claro que eles não comem pão seco, né minha gente! O pão é acompanhado de frios e geleias. Para quem gosta, existem infinidades de frutinhas silvestres que no Brasil não há, logo, infinitos sabores de geleia (essa nova ortografia tá de sacanagem né!?). Eu prefiro um acompanhamento salgado, que vai de um bom molho até as mortadelas italianas. Apesar de tudo ser muito fresco e saboroso, eu não consegui me habituar ao fato de que eles não almoçam como nós. Os cafés da manhã abastados dão a deixa para pequenos lanches ao longo do dia, e às dezoito horas a maioria das pessoas está em casa jantando. Desde os tempos de escola eles são programados com horários diferentes dos nossos, e isso prossegue ao longo da vida. Minhas colegas de casa vivem a me espiar na cozinha, pois eu almoço mais tardar às treze horas, todos os dias, e claro, elas sabem que a cada refeição algo bom surgirá.

Apesar da Alemanha ser um país perfeito para um vegetariano viver, pois os produtos bios e veggies tem um espaço enorme nos mercados e também entre os consumidores, dentro da Alemanha há também espaço para as salsicharias famosas. A salsicha, como uma vez contei à você, não é simplesmente como a nossa. São 1500 tipos diferentes. Dos mais variados sabores, para as mais diversas ocasiões. A carne de porco em geral, como disse no começo, é a preferência número um. E isso se nota nos pratos dos restaurantes ou mesmo no valor da carne no mercado. Não há açougue como os do Brasil. São espécies de lojas de carnes, cuja carne é em sua maioria de porco, vitela e frango. O alemão quando vai ao Brasil, fica além de encantado com as belezas naturais, espantado com o tanto de comida que consumimos e desperdiçamos.
Apesar de todas as diferenças que existem entre nós, não pense que nossa culinária está longe de ter sofrido influências germânicas. Você já comeu uma cuca? Sabe de onde vem esse nome? Bolo em alemão chama-se “Kuchen”, e é isso que uma cuca é, um bolo simples feito de massa de pão ou de bolo mesmo, cuja receita foi introduzida pelos imigrantes no século 19, em sua maioria no sul do Brasil. O repolho cozido acompanhado de joelho de porco também é bem apreciado em várias localidades brasileiras. Fora os prato típicos que se comem durante as festas de outubro no sul do país.

Aqui aprendi a fazer dois pratos conhecidos da região de Baden-Württemberg, onde vivo. O Käsespätzle que é acompanhado por cebola, bacon e queijo(um tipo de macarrão, tenho até o utensílio para fazer) e o Zwiebelkuchen que é um belo bolo de cebola (basta clicar nos nomes para gerar as respectivas imagens). Saber cozinhar não é apenas uma arte, é uma necessidade. Além de poder ser um momento desestressante durante o seu dia.

Enfim, acho melhor terminar a participação de hoje logo, antes que todos tenhamos o apetite alvoraçado!

Um abraço
@meirits


Ah! Se você quiser ver mais pratos típicos alemães, neste flickr http://www.flickr.com/photos/19027848@N00/sets/72157602574980340/ existe uma bela galeria para conhecer mais das comidas daqui.





Da Alemanha: Es ist Sommer!

6.28.2011 -

É verão minhas amigas,  finalmente verão! Vocês sabem há quantos dias de frio, neve, mãos geladas, aquecedor no máximo e gripe, eu espero por esta estação? Não, nem imaginam! Eu saí do Brasil na primavera e no dia seguinte me deparava com o outono alemão. Ou seja, fiquei praticamente um ano sem temperaturas quentes. Nunca fui fã do calor. Na realidade nem sou, detesto, mas após meses, semanas intermináveis, muito confinamento e quilos de casacos sobre a pele, posso me dar ao luxo de tirar proveito desses dias de sol tórrido. Também estou animada por finalmente poder conhecer a outra face dessa terra, a cara alegre, já que não existe anti-depressivo melhor do que a produção de vitamina D feita pelo nosso corpo após a exposição moderada aos raios solares.

Agora com os dias mais longos, com sol na rua todos os dias, grama bem verde e fofa, os parques ficam lotados, as sorveterias parecem casas lotéricas antes de sorteio da mega-sena  acumulada e achar um espaço ao redor dos lagos ou das piscinas públicas para sentar-se é uma verdadeira batalha, mas como todos querem é se divertir, sempre dá-se um jeito.

Enquanto vocês sofrem batendo o queixo aí, é minha vez agora de ter quedas de pressão, sudorese em demasia, a pele toda avermelhada por andar sob o sol forte, afinal é isso que é o verão, uma sequência de incômodos até nos cercarmos com água gelada por todos os lados.

Aqui no sul não há a opção de praias, porém não creio que no norte eles desfrutem tanto como nós as nossas no Brasil, uma vez que lá as águas são extremamente geladas e em alguns pontos não é areia, mas pedras, que existem à beira do mar.

Antes de embarcar nessa viagem, em algumas conversas com amigas que já haviam morado aqui, me disseram para eu ficar atenta na mudança de comportamento que o verão possibilita às pessoas terem. Realmente, eu já estava surpresa na primavera, mas agora é fato: o alemão muda de personalidade nos meses quentes.  Mais aberto ao diálogo, brincalhão, as pessoas ficam nos cafés e nos parques, quase até o dia desaparecer, e isso acontece às 22 horas. Parece que todos estavam carentes de contato, risadas fraternas, conversas com estranhos na rua. É muito bonito ver esse desabrochar humano, uma vez que ter sol e calor é banal e corriqueiro para nós da América Latina.

Aqui, assim como no Brasil, são os idosos os que mais sofrem com as altas temperaturas. Não existe ventilador para comprar nos mercados (pelo menos não aqui em Weingarten), mas várias lojas tem sistema de refrigeração (amém). É agora que acontecerão todas as festas típicas e tradiconais das regiões, culminando na Oktoberfest de Munique, em outubro (logicamente), a maior festa da cerveja do mundo!
Eu particularmente não gosto da fervura do verão, nem tão pouco me apetece o frio doentio do inverno. Eu vivo bem é na entressafra. Nos meses que não são muito “isso” ou muito “aquilo”. Eu sou o 48, o número exato entre o 8 e o 80. Nasci na primavera e essa será minha estação do ano favorita até o dia em que me for “dessa pra melhor”. Aposto que se eu morrer de velhice será no verão. Mas, enquanto essa tragédia não acontecer, vou desfrutar esta estação antes que meus dias aqui se acabem.

Abraços,
@meirits

(Sugestões de tema para textos são bem-vindas, mande para: meiri.letras@gmail.com)

Da Alemanha: Dos amores que vem e ficam

6.21.2011 -

O título deveria ser que vem e vão, mas hoje vou falar sobre os relacionamentos germânicos e esses vem e ficam. Duram anos. Vidas.

Já desde cedo, na escola, se escolhe alguém  pra chamar de seu e não se separam mais. Ok, exagerei,  mas a realidade alemã, assim como em outros países europeus, é mais próxima deste exemplo do que dos nossos romances jorge amadianos no Brasil.  E não pense que, por começar na escola, os relacionamentos não são sérios. São e muito! É raro alguém, das meninas pelo menos, contar que a sua primeira transa foi com algum “ficante”. É sempre o namorado oficial o primeiro a explorar as matas nunca antes desbravadas (ai que brega!). Como o alemão não tem cultura de motel, aliás, nunca vi nenhum motel em lugar algum até agora – não que eu estivesse procurando – as relações sexuais acontecem dentro de casa, seguras, com total permissão dos pais e acompanhamento dos ginecologistas, como manda a cartilha. Gravidez na adolescência é raro, mas filhos – bebês – são adorados e muito necessários por aqui, claro, só depois da estabilidade financeira, anos de carreira, viagens pelo mundo e etc. O governo inclusive incentiva a natalidade, dando uma espécie de mesada por filho que o casal tiver, basta solicitar.

Aqui em Weingarten, cidade pequena que é, a maioria das minhas colegas namora. E se estão solteiras, algumas ficam bastante encasquitadas em conquistar alguém. Os namorados moram geralmente bem longe, e isso vale para os rapazes também. Cada um estuda em uma cidade e aos finais de semana eles se encontram na terra natal. Pelo que eu percebo, os alemães ficam solteiros por pouco tempo. Claro que esse povo também não é santo. Pra quem gosta de conhecer alguém em festas, bares, e só dar uns beijinhos e amassos, aqui não é bem assim. Se você beijar um alemão, a mensagem que você está mandando é “na minha casa ou na sua?”. É isso mesmo. Inclusive meu amigo que morou no Brasil me alertou  sobre isso, quando cheguei. Ficar pra eles é sinônimo de transar.

Já as mulheres se dividem entre as cortejadas e as atacantes. As cortejadas seguram o carinha pelo papo até o fim antes de baixar a guarda, muito provavelmente é namoro o resultado. As atacantes são as que dão fama às alemãs. Mulheres mais “macho” que muitos homens. Escolhem quem querem e vão para o bote, simples assim.  Uma amiga minha brasileira definiu o homem alemão como um “pau-mole”, conhece essa expressão? Ela diz que eles são muito lerdos, eu já discordei, digo que eles precisam de muita cerveja pra agir. Cada uma com suas experiências...

Ah, o povo alemão não é nada frio, como nós pensamos no Brasil. Acredite! Só não curtem demostrações explícitas de afeto em público, o que eu concordo. Nada pior do que estar no ônibus, com sono, sete da manhã à caminho da aula, e um casal estar se beijando na sua frente como se estivessem um desentupindo a garganta do outro. Me desculpe se você faz isso com seu namorado, mas essa é minha opinião (e de um país inteiro), o som é perturbador!

Os casais que eu conheço aqui são muito cúmplices e não há ciúmes nas relações. Cada um sai quando e com quem quer. Não se abandona amigos e amigas por conta de um namoro. Acho que é esse o segredo que mantém as relações tão duradouras. Existe amizade verdadeira entre homens e mulheres sem outras conotações, outro ponto positivo. Mas é claro que existem os solteirões convictos, as ciumentas doentes, os sexos casuais, as traições – muitas até. Tudo que eu relato aqui é o que eu vejo, e as histórias que me contam, de amigas que já moraram na Alemanha e das colegas alemãs. Não se pode generalizar o comportmento de povo algum, muito menos um dos maiores da europa, ou do Brasil, que é do tamanho de um continente! Mas que o nosso jeito de namorar (se é que você me entende), faz falta de vez em quando, isso faz.
Eu não falei nada sobre os relacionamentos homoafetivos porque infelizmente não conheço nenhum gay aqui. Mas das vezes que fui pra Munique e Stuttgart vi bastante casais gays, nas ruas, nos bares, nos parques, nesse quesito a intolerância é zero por aqui. Gays podem casar, adotar filhos, e se forem vítimas de preconceito a legislação está totalmente ao lado deles. A Alemanha é muito moderna e está anos luz em vários assuntos que nós ainda estamos começando a debater. Talvez culpa do passado tenebroso, hoje eles prezam pela justiça.

Para terminar fica aqui meu pensamento sobre as relações humanas: viajamos pelo mundo para entendê-las, mas só as deciframos quando abrimos nosso coração para nós mesmos.

Abraços,

Da Alemanha: EUstereótipo

6.14.2011 -

Estava pensando sobre o que escrever para essa terça-feira e alguns acontecimentos no final de semana me alimentaram a vontade de rascunhar sobre  estereótipo e os preconceitos que este acarreta.
Desde que cheguei à Alemanha nunca sofri nenhum tipo de discriminação por ser latina, pelo contrário, a maioria das pessoas ao me ouvir dizer “aus Brasilien” (do Brasil) faz cara de espanto e/ou exclama um “haa! Nossa que legal! Que sonho! Não parece...” O não parece é sempre a resposta que me deixa involuntarimente indignada. Não parece o quê?? Sempre me dá uma vontade gigantesca de perguntar: - não parece por quê? Você esperava uma mulata, ou indígena, ou que eu sambasse segurando uma caipirinha aqui antes mesmo de dizer hallo? Mas eu não digo nada, deixo a pessoa desconstruir sozinha , em sua mente, o estereótipo formado que tem sobre o povo brasileiro, em especial, as mulheres. Sem contar que 90% das pessoas em seguida pergunta: e que língua fala no Brasil? Espanhol né? Mas essa eu relevo porque quando conheço alguém da Indonésia ou Tailândia, eu nem arrisco dizer que língua eles falam lá.
Mesmo isso acontecendo com frequência comigo,  eu sofro muito menos do que meu colega brasileiro que veio para Weingarten através da mesma bolsa. Ele tem dupla cidadania, nome e sobrenome de alemão, é magro, alto, brancão e loiro de olhos azuis. Quando diz que é do Brasil só falta pedirem a identificação brasileira pra confirmarem se não é piada. Com ele o assunto continua com muitas perguntas do tipo “mas como você pode parecer um alemão e ser brasileiro?”. Acho que não ensinam nas escolas por aqui que muitos alemães foram “colonizar” o sul do Brasil na época da crise alemã de 1800.  Eles só sabem das colônias africanas.

Pois bem, estava eu domingo assistindo ao show do Bon Jovi em Munique, e bolsista/estudante que sou, me localizava  bela e formosa longe pra caramba do palco, sentada na arquibancada do estádio Olímpico,  quando o cara ao meu lado começou a puxar assunto. Por causa do dialéto dele eu mal entendia o que ele falava. Dava um sorrizinho e voltava a face para o palco. Até que ele se tocou que eu não estava entendendo lhufas do que ele dizia e começou a falar em “Hoch Deutsch” (o alemão oficial) e me perguntou de onde eu vinha. Respondi que vinha do Brasil, mas morava em Weingarten, na região de Baden W. O show foi rolando, ele ficando cada vez mais embriagado, e na empolgação das músicas ele bateu sem querer na minha bunda (eu acho). Nem liguei muito pois tenho bunda pra preencher um salão. Alguns minutos depois a cena se repetiu e fui obrigada a me virar pra certificar-me de que ele não estava fazendo de propósito. Não pareceu que era proposital. Alguns copos de cerveja depois a criatura teve a petulância de me perguntar se eu era PUTA! Eu virei pra ele e perguntei: como é que é? O que você acabou de falar? Os amigos dele na hora trocaram ele de lugar e um deles me disse para relevar, que aquilo não era sério e blábláblá. Além de ficar enfurecida, fiquei abismada com tamanha ignorância da pessoa. Eu duvido muito que se fosse uma alemã ao lado dele, ele teria tido o mesmo tipo de comportamento. Mas não podemos afirmar, né?

Em Portugal eu senti na pele a “fama” da mulher brasileira. Meu amigo me contou, sem constrangimentos, que se a menina diz que é do Brasil, 50% dos homens vão pensar maliciosamente na guria, e muitos até podem tentar alguma coisa, simplesmente porque muitas profissionais do sexo, mulheres e transexuais, que estão na europa vem do nosso país. Primeiro: se elas vem do Brasil, do leste eropeu, da lua, isso não faz diferença, as condições de sub-vida são as mesmas. Segundo: se há espaço para que elas trabalhem a “culpa” é delas que vieram para cá na ilusão de casar, enriquecer, ou da clientela?  Tem como classicar todos os seres oriundos do Brasil na mesma categoria? (sem julgamentos de valores) Não, não tem! E de novo estou aqui batendo na mesma tecla, a da diferença cultural. Como eu vejo o mundo, não é como você vê, nem por isso eu tenho que desrespeitar a sua opinião. Agora, falsos julgamentos, preconceito, discriminação por ser estrangeiro, isso já não está mais na categoria cultural e sim na ignorância,  muitas vezes, sócio aceitável.

Por isso, minha gente, mais atenção  ao achar que a nossa fama por aí no mundo é de ter as  mulheres mais lindas do planeta, a descoberta do lado podre e sujo, onde nos classificam como putas ou fáceis, é tenebrosa e quero ficar bem longe dela, apesar de já a ter encontrado.
Salve a Luisa Marilac, que brinca e ri pra não chorar da cruel realidade da vida que escolheu um dia levar. E se ela toma seus bons drinks pra esquecer, nós vamos fazer o que?
Eu sambo na cara do estereótipo! Mas não sambo só por ser brasileira, sambo porque quebrar os julgamentos pré-concebidos deve ser celebrado, quando não arriscado, claro!

Um beijo pra vocês!
@meirits

Da Alemanha: Encarando diferenças

6.07.2011 -



Eu sou do interior, você já sabe disso. Apesar de morar em uma capital de estado, Florianópolis não se compara com grandes cidades do Brasil em termos de diversidades “tribais”, muito menos Jaraguá do Sul (ambas em Santa Catarina). Múltiplos estilos e grupos há, mas nada que choque uma jovem dos anos 2000. Pois bem, vinda de onde venho,  nunca tinha visto uma mulher usando burca antes. Sim, burca, aqueles vestidões que cobrem o corpo inteiro da fêmea, digo fêmea pois só as pessoas do sexo feminino e mulçumanas é que usam. Qual foi então o meu espanto um dia no mercado ao me deparar com duas mulheres de azul e preto em seu manto tradicional? Por mais preparada e despida de preconceitos que eu estivesse, fiquei absolutamente paralizada ao ver de perto caricaturas do mundo árabe que antes me eram apresentadas apenas pelos telejornais. Meu maior contato com o oriente até então fora ter comprado na lojinha de um palestino e só. Nada mais. Por isso a paixão pelo momento que estava passando. Essa cena aconteceu comigo semanas antes do presidente francês declarar estar em vigor a lei aprovada que proíbe as mulheres de usarem  burcas em lugares públicos na França. A Espanha já tinha aprovado lei semelhante. Gelei ao ler a notícia, aguardando o momento em que Angela Merkel apareceria à imprensa alemã para dizer tamanhas asneiras semelhantes. Eu não defendo o uso de burca, nem nunca defendi. Mas não sei mais se sou totalmente contra, e você vai ver porquê.

Semana passada uma colega do Egito explicou na aula de alemão como uma vez na vida um mulçumano tem que conhecer Meca, se este tiver condições de pagar a viagem e gozar de boa saúde. Ela nos contou a história da tradição e o porquê de se fazer o Hajj, nos mostrou seu tapetinho e sua roupa especial quando se ajoelha em direção à Meca para fazer suas orações diárias. Ela não usa lenço na cabeça normalmente, porque disse que não há necessidade, só quando está dentro da casa do seu Senhor, ou quando vai rezar, “é preciso ter respeito quando se abre um canal com os céus”. Ouvindo suas palavras eu fiquei extremamente emocionada e pensei comigo “essas mulheres usam esses lenços por opção, por acreditarem e terem fé.” Quando encontramos uma freira na rua e ela está usando seu hábito não nos questionamos porquê dessa roupa, ou que ela é uma submissa, por que então deveríamos fazer isso ao vermos uma mulher usando burca? Pelo fato de não enxergarmos os seus corpos?

Creio que essa questão vai muito além das vestimentas islâmicas, é claramente uma briga para medir forças entre os imigrantes e os governos europeus. Os colonizados que voltam ao país colonizador, ou aqueles que ainda se iludem em buscar na europa melhores condições de vida estão a beira de enfrentar uma cruzada moderna.

Isso me lembra o comentário de uma colega francesa que me deixou chocada esse mês em uma festividade dos estudantes africanos, aqui de Weingarten. Eles cantavam, e agradeciam as cidades e os países de onde vinham e onde viviam. Até que começaram a agradecer a Europa e eu me virei pra ela e comentei “eu não agradeceria a europa se fosse eles, não depois de todo o sofrimento que este continente fez o deles passar.” Ela me respondeu com a maior naturalidade do mundo: “que sofrimento? Se não fosse por nós europeus eles nunca teriam se desenvolvido. Eles tem muito que nos agradecer”. Antes de começar a responder com uma aula de história sobre colonização e escravidão nos séculos passados, eu parei e respirei fundo por um instante. Não adianta radicalizar, cada um cresce ouvindo uma verdade em seu país. Cada escola conta uma história do mundo e assim convivemos com as diferenças culturais, nos respeitando mutuamente. Mas fiquei atônita por ver que existem de fato ainda pessoas que pensam assim, apesar de todo o conhecimento que nos é oferecido e as facildades em se ter acesso à notícias que temos, ainda existem pensamentos como estes, e até piores.

Não precisa morar em uma grande cidade aqui na Alemanha para ver em questão de minutos várias etnias diferentes. Dos países da África, do Oriente Médio, muitos indianos,e os turcos, que são uma grande porcentagem dentro da população alemã. Cada qual com suas características, cada um em seus grupos isolados, o que muito preocupa o governo. A questão da integração e o aprendizado da língua são temas que estão sempre em voga na mídia e nos planos estratégcos governamentais. São temas muito delicados quando abordados. Os países europeus precisam de pessoas, especialmente jovens, uma vez que suas populações estão envelhecendo e as taxas de natalidades não estão colaborando, porém não estão mais sabendo lidar com os imigrantes, que antes não passavam de mão-de-obra barata, agora já estão nas terceiras ou quartas gerações e sem perspectivas de emprego, não se consideram alemães, muitos vivem em comunidades restritas e também não planejam voltar para os países de origem.
Por isso que eu digo, a questão da burca é apenas a pontinha do iceberg. As perguntas sobre como irá se desenrolar essa trama são muitas, e as repostas só aparecerão com o tempo.

Fiquem bem. Um abraço afetuoso,
@meirits

Da Alemanha: Morando em comunidade

5.31.2011 -

Não é só nas cidades universitárias alemãs que existe o sistema de moradias estudantis. Cada país, europeu ou americano, tem seus próprios sistemas, ou sofre com a falta de. Aqui em Weingarten nós temos as opções de prédios como moradia estudantil e repúblicas. Os prédios (Student Wohnheim) são administrados por empresas específicas para isso, ou como em outras cidades, dirigidas pela própria universidade. São de 12 a 15 quartos por andar, diferenciando-se entre banheiros comunitários ou um banheiro compartilhado a cada dois quartos. Já as repúblicas, chamadas de “WG” (vê-guê) – abreviatura para Wohngemeinschaft – são bem mais variadas. Podem ser casas ou apartamentos, quartos individuais ou compartilhados, um banheiro por andar ou um para a casa toda, só de meninas/os ou misturadas, que não aceitam fumantes, que tem bichos de estimação, etc. Porém todas, sem exceção, terão um Hausmeister. Aquele senhor responsável pela casa. Ele não é necessariamente o dono do imóvel, no caso dos prédios é como um síndico que faz tudo, põem ordens e regras para a boa conservação do patrimônio imobiliário. O custo mensal de um quarto para estudante é proporcional ao tamanho e se a casa/apartamento é nova ou antiga.
Explicado isso, vamos agora para a parte prática.

Nas moradias estudantis são andares e andares de estudantes de todas as idades, cursos, e nacionalidades. Muitas pessoas desgostam desse tipo de moradia pois, como a cozinha é comunitária e o banheiro também, há um certo relaxamento com a limpeza e higiêne dos locais. No caso das WGs, são os próprios moradores que se dividem na limpeza e organização, geralmente cada um é responsável por uma tarefa diferente por semana, assim, a casa está (quase) sempre limpa, organizada e niguém fica sobrecarregado com as tarefas.
Antes de vir pra Alemanha eu nunca tinha morado sozinha ou com amigos. Imagine você o medo que senti ao ter que morar com estranhos. Não somente estranhos mas também pessoas oriundas de outra cultura e costumes e que viam a mim como a estranha.  Acontece que esses desconhecidos vão se tornando amigos devido ao convívio diário. Dividimos as compras de vez em quando, compartilhamos sentimentos de frustrações com relação às provas do curso, no caso dos prédios se faz festa quase toda semana, organizada por um determinado andar, e assim por diante. Claro que alguns companheiros de casa continuam distantes, mas são educados e dão sempre “bom dia” quando nos encontramos.

No meu caso passei pelas duas situações. Morei semestre passado em um prédio, cuja contrução é nova. Eram apenas cinco estudantes para um apartamento com uma cozinha e dois banheiros. Estava no lucro, mas o valor do quarto aumentou, então decidi me mudar para uma WG mais em conta e cá estou eu. Divido uma casa com três alemãs.  Um banheiro e uma cozinha para quatro mulheres (por sorte temos horários diferentes). A foto no começo deste post é um recado para a casa deixado no banheiro. Está escrito: “favor manter o chuveiro e a privada limpos. obrigada”. Uma das meninas tem esse hábito, conversar através de bilhetinhos.

E é assim que convivemos em harmonia. Elas escutam minhas músicas no volume máximo às vezes, eu escuto uma delas estourar bolas de chiclete (que eu jurava era barulho de bola de pin-pong) lá no quarto dela, na outra casa meu amigo passava o dia arranhando um violão, e logo descobrimos que estamos novamente em família. O medo do desconhecido se vai, e na hora da despedida ficam as lágrimas pelos dias vividos em comunhão.

Forte abraço
@meirits

Da Alemanha: O povo daqui

5.24.2011 -

No último texto eu contei para vocês resumidamente a história da cidade onde vivo. Sobre o passado da Alemanha eu conto em outro momento, não quero também me ater só aos fatos históricos. Então, vamos direto ao assunto de hoje. Os hábitos! Aqueles costumes que nos chocam quando nos mudamos para outro país, ou aqueles que nos fazem sentir vergonha de não pensarmos como os estrangeiros.

Com certeza, o que mais me chocou, e choca ainda quando presencio, apesar de fazer muito sentido, é a maneira como alemães assoam o nariz em qualquer lugar. Gente, eles fazem isso em qualquer lugar MESMO. Na rua, no cinema, na sala de aula,  à mesa enquanto se janta – eu fico toda constangida e eles nada. Ninguém se levanta e vai ao banheiro. Por outro lado, ninguém fica sugando de volta, como se faz no Brasil. Aqui não tem aquela “sinfonia nasal” durante o inverno, em dia de prova. Mas mesmo sabendo que é melhor “por pra fora” do que “pra dentro” eu não consigo me acostumar. Sempre levo um susto quando ouço alguém fazendo. Ainda no plano escatológico, não queira dar uma boa inalada no ar dentro de uma balada. Algumas pessoas aqui simplesmente não usam desodorante. Não usam porque não há necessidade. É frio e, de fato eu reparei, a gente não transpira tanto. Mas quando fazem atividade física, ou dançam em festas, como os locais são sempre mal ventilados e muito fechados, tampe as narinas pois o cheiro é insuportável!

Mas calma, calma, isso não é nada perante ao exemplo de civilidade, educação e cidadania que o povo alemão dá. Claro que quando você fizer alguma coisa errada, no mercado, no banco, ou no ônibus, eles vão falar na sua cara, sem cerimônias. Mas no quesito “bio” é lindo observar a maneira como separam o lixo, bem organizada e higiênica. Toda rua, ou bairro, sem exceção, tem seus Müllcontainers (grandes latões de lixo reciclável e orgânico) e separar o lixo é normal, inerente aos seres daqui, nenhum sacrifício. Do mesmo jeito que não se vê lixo no chão nas ruas, não se vê fora dos latões.

Todos usam capacetes para andar de bicicleta. As crianças usam até joelheiras. Os carros param se um pedestre estiver se aproximando da faixa (que se chama Zebra aqui) sempre. Pisou na rua, eles param. Assim eu quase fui atropelada na Itália. É um hábito daqui mesmo. A água da torneira a gente pode beber sem medo (mas eu descofiei, claro). Ela é própria para consumo na maioria das regiões do país e a do sul, eu li que é a melhor e mais limpa (mesmo assim tomei um remedinho de vermes pra garantir né?!).

Um sistema genial que eu conheci e faço muito é devolver garrafas plásticas e de vidro ao mercado. Se ganha de 5 a 10 centavos de volta. Com certeza esse hábito  fará falta em minhas compras no Brasil. Sacola plástica aqui se compra no caixa, por isso a maioria das pessoas leva sua bolsa ou muchila mesmo para fazer compras. Falando ainda em mercado, os produtos industrializados são muito mais baratos que as frutas e os legumes, uma vez que estes são em sua maioria importados, mas isso não impede que se coma menos produtos naturais. A maioria das pessoas que eu conheço aqui tem hábitos alimentares bem saudáveis. Mas por mais naturebas que sejam, ninguém resiste à uma Wurst! Eles inventam mil e uma receitas com Wurst. Wurst pra não dizer que é salsicha ou linguiça, é o famoso Salsichão. Mas na verdade tudo é Wurst. Aquela nossa salsicha do cachorro quente, aquela linguiça da nona, todas fazem parte da família Wurst. São de vários tipos, cores e tamanhos. Para todos os gostos. Ah, aqui se come bem mais carne de porco do que bovina, e o peixe fresco é raro, pelo menos no sul.  O que pensamos quando imaginamos um prato de comida, o alemão pensa que é exagero. Ah, e vai batata em tudo, só pra constar.

Toda casa tem sistema de aquecimento do ar e da água, não importa a classe social. Imagine sobreviver ao inverno de menos 15, como foi esse ano, ou menos 30, como já se registrou aqui, sem isso? Já ventilador até agora não vi em lugar nenhum. Tenho medo de quando o verão chegar.

E para encerrar a participação de hoje com chave de ouro, ela, a menina dos olhos desse país, a cerveja! Ah o alemão gosta de uma cervejinha bem gelada, nada de quente não, como as pessoas inventaram um dia e a gente acreditou. O produto mais consumido, mais adorado e reverenciado. Acho até que vou deixar pra falar da cerveja outro dia. A relação é de longa data e as festas em adoração à esse produto são muitas. E como eles bebem, minha gente, como se bebe cerveja aqui.

Então é isso. Espero ter conseguido passar para vocês um pouquinho da minha perspectiva ao vivenciar o cotidiano das pessoas desse país.

Se tiverem sugestão de assuntos, comentem aí!
Uma grande abraço e fiquem bem,
Meiri (@meirits)

Da Alemanha: Com vocês, Weingarten

5.17.2011 -

Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome... ah como é bela a sensibilidade do olhar. Como é triste quem vê sem ver, quem ouve sem ouvir, vive sem viver. É nas ruas estreitas, nos castelos em ruínas, nas igrejas históricas que as emoções vão me convidando à ingressar na viagem ao meu próprio universo e aos universos satélites que ali vou encontrando. Assim resumo meu caminho por esse continente, que está em pleno descobrimento. Acabei de visitar Portugal, foi uma semana intensa e de muita reflexão sobre quem foram as pessoas que tornaram o Brasil o país que é. Mas sobre isso falarei outro dia. Quero hoje compartilhar com vocês um pouco sobre a cidade onde eu vivo.

Eu moro em uma cidade chamada Weingarten (“jardim do vinho”) ao sul da Alemanha, onde dizem ser terra de gente alegre e radiante. O sul como um todo é assim pois há mais dias de sol por aqui do que ao norte. Acredite, você não sabe a falta que o sol faz até passar dois meses com neve, frio e poucas horas de dia. Essa cidade tem uma história que se inicia na época medieval. Sua primeira fundação data o ano de 1056. Havia um vinhedo e um mosteiro beneditino aqui. Em 1715 demoliram a igreja que existia e em seu lugar construíram uma das maiores basílicas que há na europa. A basílica foi construída em apenas 9 anos, tempo recorde para uma construção de tal porte. Em estilo barroco, ela guarda em seu altar uma relíquia, um dos três fragmentos do sangue de cristo, que segundo o mito, o soldado que furou cristo na cruz ao anoitecer, para averiguar se este estava realmente morto (mais tarde viria a ser o nosso São Longuinho) teria guardado o sague precioso que escorrera do então falso profeta, pois este sangue o curou de um problema de visão ao entrar em contato com seu olho sem querer. Ele então o enterrou e foi percorrer o mundo como convertido. 800 anos mais tarde a relíquia foi achada e divida em três. Um dos três fragmentos teria sido novamente enterrado, e quando encontrado fora dado de presente à princesa Judite, filha do conde de Flanders, que casou com o príncipe da Bavária. Na época das cruzadas ela prometeu que daria esta relíquia à igreja, caso seu marido voltasse vivo. E assim, a relíquia foi parar na basílica de São Martim, aqui em Weingarten. 

A cidade foi refundada em 1922, tendo o nome oficial que tem hoje e pertencendo ao estado de Baden-Würrtemberg. 44 dias depois da páscoa é feita anualmente uma procissão carregando a relíquia, há mais de 300 anos! Estou esperando para ver de perto, pois católicos da europa inteira passam por aqui.  
A tradição na europa se diferencia da brasileira em pequenos detalhes, um deles é com certeza  as origens medievais que elas tem. Castelos mais antigos que o Brasil, universidades mais antigas que a nossa independência, isso é fascinente de visitar e conhecer. Bobo daquele que preocupa-se em gastar seu dinheiro unicamente em carros, roupas de marcas famosas e baladas, podendo desfrutar a história viva que está edificada em cada canto do mundo, e não só na europa, minha gente.

Os contos de fadas, de reinos e vassalos, de alguma maneira acredito que aconteceram um dia no passado. Assim foi com a minha cidadezinha aqui. São cerca de 25 mil moradores, é um município normal, um tanto quanto pequeno para os padrões brasileiros, mas na europa há menores. Talvez este seja o segredo para manter a organização e calmaria. Cidades pequenas, cidadãos mais próximos aos governantes. Ou não, tudo são conjecturas.

Uma das rotas do caminho de Santiago de Compostela também passa por aqui. Diariamente vejo turistas de todas as idades, geralmente se parecem alemães, com roupas de caminhadas, muchilinhas e as vezes estão com bicicletas, mas essa já é outra história.
Ficamos assim por hoje, vá conhecer a história da sua cidade, seu bairro,  perceba as cores que te rodeiam e apaixone-se. O passado nos explica muito sobre os eventos do presente. 

Haa...  Quem quiser ver algumas fotos daqui, entra no meu flickr:

Um abraço apertado,
 Meiri

Da Alemanha: Vamos começar?

5.11.2011 -
 
Quando se inicia uma viagem? No momento em que se decide partir? Na compra das passages? Ao planejar uma estadia? Na hora em que se chega ao destino desejado?

Para cada pessoa essas são as alternativas, para mim foi no dia em que decide sair de Jaraguá do Sul – SC- e iniciar a mais longa delas: a viagem em busca de outra sorte.

Há cinco anos, em uma segunda-feira qualquer de fevereiro, uma fina chuva encobria Jaraguá  e eu partia da cidade rumo à Florianópolis.

No dia que deixei Floripa para trás, a mesma chuva veio ter comigo novamente, deixando a Ilha totalmente acinzentada. Porém desta vez ela ficou surpresa ao ver que meu meio de locomoção habitual não foi o escolhido. Eu partira dentro de um automóvel muito maior. Uma monstruosidade moderna. Um objeto capaz de pesar tanto quanto uma casa e mesmo assim voar.

A sorte que enfim eu encontrei após 5 anos de buscas incessantes e por vezes cansativas mostrou seu rosto por trás da garoa. Ela estava envergonhada e gaguejava quando precisava falar firme. Mas isso não importava para mim. O importante é que ela me encontrara finalmente.

Por  causa dela, essa sorte atrevida, posso compartilhar com vocês esses momentos que me afetam aqui do outro lado do oceano! Deseje pra você também poder conhecer novos lugares, novas pessoas, respirar novos ares. Atreva-se a ir em busca de novas experiências. São elas que farão seu álbum de viagens da vida valer cada mapa rabiscado, cada tênis furado, cada minuto passado.

No dia em que desci no aeroporto de Frankfurt chovia. E choveu pelos 3 dias que fiquei passeando por Stuttgart. Até que cheguei em Weingarten, onde moro, e o sol se abriu para mim, eu sei que foi pra mim, lá imenso no horizonte, de braços abertos à me recepcionar.  Tão caloroso que me senti quase em casa, parecia nosso outono brasileiro.

Portanto leitores, aqui deixo minha dica : viajar é tão preciso quanto viver.

Viva. Viaje. Não perca tempo!

Grande abraço ensolarado,
Mei.

Calmila pelo mundo: Da Alemanha, Mei.

5.03.2011 -

 
Novidades com outro fuso horário.

Conheci os textos dessa  menina-mulher através de uma grande amiga, e assim como você que me lê agora, a identificação com os sentimentos, momentos e agonias, foi imediata.
Camila então fez-se parte do meu dia-a-dia, apesar de virtual, está sempre ali compartilhando comigo suas ideias e eu correspondendo à medida que posso.
Até que o convite chegou! Uma ideia, um pedido, um sim.
A partir de agora e até o tempo que vocês desejarem , teremos uma coluna internacional no Calmila por semana. E fiquei felicíssima em ser a primeira a postar aqui.
Me chamo Meirielle, nascida em Floripa, criada em Jaraguá do Sul. Sou libriana com ascendente capricórnio. Retornei à capital de Santa Catarina para concluir o ensino médio e fazer faculdade. Pude fazê-lo graças a familiares que moram na grande Florianópolis. Me formei ano passado em Letras Alemão, pela Federal, e em outubro me mudei para a Alemanha, por intermédio  de uma bolsa de estudos que conquistei. Acredito que faz parte da formação do estudante de Letras- Línguas Estrangeiras viver um tempo no país falante da língua escolhida para trabalhar. Em 4 anos de curso, muito desejei me mudar para cá, mas não sou de nenhuma família real, aliás, minha família é bem real, por tanto, a viagem parecia estar muito distante de mim. Até que após concluir o estágio obrigatório com muito êxito, fui contemplada com 10 meses de intercâmbio.
Meus dias aqui estão, infelizmente, contados, mas não por isso  falta-me o que falar sobre o que vi e vivi no velho mundo, por mais clichê que chamar a europa de velho mundo seja.
Confesso que tenho uma preguiça pé-grande dentro de mim, que me impede de escrever mais frequentemente, mas o desafio foi aceito, e o que é a vida sem obstáculos pelo caminho, não é mesmo?
Então vamos lá. Dedos apostos, mente focada, e espero que curtam o que virá em breve!
Um grande abraço da sua nova amiga
Mei .
@meirits
(Sugestões de assuntos? Manda pra mim: meiri.letras@gmail.com)






Bem, darlings, essa é a Meiri (um amor de menina), e como ela falou, vai nos trazer o que achar relevante lá do velho mundo. Seja comportamento, moda, informações pra quem quiser visitar, enfim: dei total carta branca à ela. E as fotos, claro. Quem não se apaixona com a delicadeza das fotografias que tem a Europa como cenário? Ainda não conheço. Enfim, as mudanças no blog estão apenas começando. O layout, temporariamente, será esse. Vai ter mais amor, mais comportamento, mais sexo, perguntas respondidas e moda. Quem sabe, até mesmo make up! É aguardar e ficar atento aqui e no Twitter, viu.
 Tem gente escrota tentando atrapalhar a minha vida? Tem. Fico triste? Nem tanto. Com raiva, talvez. Mas o que importa é que a revolução pra tornar o Calmila cada vez melhor foi iniciada. E claro, contamos com o apoio de todos os lindos e lindas que sempre comentam aqui, que curtem, que divulgam. Esperamos, de coração aberto e amplo, que vocês continuem cada vez mais gostando de retornar aqui. É isso, amados.
Beijoca em todos!

Camila Paier