Calmila.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A anti-heroína

6 suspiros

Já falei que ser boazinha cansa? E que ser legal, também? É. Ainda mais quando não reconhecem os seus esforços, quando você se desdobra e pensa estar no caminho do bem, no rumo certo e não: não valeu de nada. Não adiantou. Se sentir impotente, diante de tanto pedido de perfeição aos quais você realmente não se enquadra, é inevitável. E como reagir à tudo isso? Se trancando no quarto, e fazendo greve de fome. Belo feito, não? Foi o melhor que consegui.

Tem que dar o exemplo. Não tem escolha, e sim imposição: tem que. Deveria, vago demais. Deixa ainda no ar algo de que você "poderia", caso não quisesse, não dar exemplo nenhum. Não pode gritar no gol da Holanda, e muito menos festejar. Tirar os farelinhos doces da cuca é crime. Olha o exemplo, guria. Gostar de polenta, é quase uma obrigação. E sair com mil casacos, idem. E a minha personalidade, aonde fica? Ah, escondida. Secreta. Tem que andar de pantufas pela casa, e não pode deixar o banheiro molhado. Tem duas mentes pequenas registrando tudo, e pior: seguindo o que faço. Não pode arrotar o a-e-i-o-u, e muito menos, falar palavrão. Rir do parentes bizarros, é pecado. Buceta, porra, caralho e filha da puta, que é isso? E os modos, menina? É, você tem que ser perfeita. Estudar, e não pegar nenhuma recuperação. Se vestir, e não exalar sensualidade. Exprimir opinião apenas quando pedido. Colocar e tirar a mesa, ou então, lavar a louça. Levar o cachorro para passear, e não esquecer de trancá-lo depois. Buscar os irmãos no colégio, e levar aonde lhes convém. Gritar? Nunca. Respoder? Castigo. O exemplo, esse bandido, apenas atrapalha a minha vida. E apenas os bons irmãos mais velhos, para saberem bem do traiçoeiro a que me refiro. Perfeição nunca foi ideal meu. Gosto de me esbanjar na vida, seguir minhas vontades, deixar o coração comandar. Falar o que vem à mente, comer apenas o que gosto - e sim, sou distraída aos montes. Quem se importa mesmo se por dentro você anda se sentindo perdida, se por fora o que você vê no espelho e um lixo, ou se, você anda precisando conversar? Faça o que tem de ser feito, com maestria e perfeição, para receber um sorriso. Algumas palavras. E ah, esqueça que você tem dezoito anos, e também que será jovem por apenas pouco tempo mais. Há muito a ser feito, e seu papel é ajudar! Parece que voltamos ao início do século XX - pelo menos, na minha casa.

Mesmo com tantos elogios de conhecidos, de como existe maturidade nessa menina, de como ela tem juízo, de como é bom tem uma filha assim, que faça tudo e se desdobre pela família, não agrado. Parece que tenho que ser perfeita. Per-fei-ti-nha (e esquecer o "complicada", na lata do lixo). Não sou. E me cansa fingir ser. Faço o que posso, e não reconhecem. Ainda pedem mais. Querem muito mais! Que eu trabalhe, e seja uma motorista impecável. Que eu me contente com tudo o que tenho. Que arrume meu guarda-roupa todinho, e ainda, escreva ainda melhor. Que não esqueça a toalha molhada em cima da cama, ou as roupas sujas no banheiro e a bolsa, na sala. Pressão não adianta nada não, senhores pais. Sou carinhosa e amiga das crianças, não tá de bom tamanho já? Não. Tem que ser quase uma mãe. Ir dar a sua caminhada, e correr para vestir e irmã menor; e na sequência, esperar o irmão do meio sair da aula, para buscá-lo. Sufoco!
Me pergunto então: e se eu usasse drogas, aparecesse muito de vez em quando em casa, pedisse dinheiro à todo momento, tivesse vários piercings e muitas tatuagens, cabelos coloridos e amigos imprestáveis, será que meus pais dariam valor à tudo o que faço, ao meu empenho algoz, ou ao que pelo menos soa como uma tentativa? Quiçá. Talvez, o que tenha ocorrido, é o que acontece nas melhores famílias: acostumei muito mal meus pais. Penso com alívio, que pelo menos não tenho homem algum ao meu lado, monitorando se minha celulite aumentou, ou meu peso está nas alturas. Pelo menos sou cobrada de uma vez só, e por apenas duas pessoas. E agradeço à Deus, por todo e qualquer defeito, que com certeza de fábrica veio. Sem eles, ninguém notaria minhas qualidades, que são muito mais marcantes e envolventes. Amém!

Largo no chão a capa de mulher-menina-perfeita-maravilha, e analiso no espelho: aquele piercing no nariz realmente ficaria ótimo. Ruim assim, péssimo de qualquer maneira.

* Texto de agosto de 2010.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Fadas modernas madrinhas

3 suspiros

Bela Adormecida tinha Fauna, Flora e Primavera, quase madrinhas e à sua disposição: três simpáticas fadinhas que a vestiam, alimentavam e quase cuidavam como filha. Cinderella, em meio ao choro sofrido de quando tudo parecia desastre, viu surgir iluminada a sua própria salvação, com varinha de condão e um toque de mágica. Hoje, o simsalabim é muito mais o dinheiro por nós gasto que apenas palavras mágicas e pó de pirlimpimpim nos deixando majestosamente belas.

São Vilmas, Marlenes, Cleusas e Edilenes. As minhas ao menos, estas. Tem a que cuida dos meus fios para que, loiros - e cada vez mais claros, se depender da moça - continuem fortes, na medida exata e sem pontas duplas, radiantes. É sentar na cadeira nem tanto alta, vestir a capa preta por onde me assustam ao cair alguns pedaços do meu DNA capilar, e ao secar, sair do salão renovada. Conhece meu medo de curto demais, mostra orgulhosa o efeito final, é só sorrisos e abraços após o benfeito cuidado em mim. Quase magia, posso até chamar de alguma feitiçaria do bem que, em uma hora e meia a cada alguns meses me renova como mulher.

A outra, me vê nua, grunhindo em meio ao calor e a dor. Como se foi o tempo em que mulher e pelos tinham alguma concordância, tenho pavor e me dá certa agonia. De 21 em 21 dias lá estou marcando presença e deixando alguma boa quantia para sofrer nas suas mãos, atacada pelo cera quente. Conversa comigo afim de distrair e faz seu truque numa rapidez que me surpreende. Vê eu e demais "sobrinha" em posições constrangedoras na maior naturalidade, tudo afim da tal beleza deslumbrante que dura pouco mas nos deixa sentir limpas enquanto ainda é preservada.

Para pegar em nosso pé depois de um dia suado e transformar nossas unhas ou roídas ou de cantos comidos (a pelezinha viciante, e quem não rói com certeza deixa a ansiedade ali atacar), só mesmo sendo uma benção ao nosso feminino ego. Escutam reclamações frequentes de namorados, noivos, amigas e familiares, vão desde a televisão ao jornal em assuntos que nos espairecem, opinar quanto a cores e contam histórias de vida. Lixam, cortam, aparam, retocam e na maior paciência, nos detalhes minuciosos, enfeitam a gente com um encanto que vai durar uma semana, no pé se bem cuidado, duas. Nada de poção, palavras ou sortilégios mágicos: profissionalismo e empenho que nos deixam com a sensação temporária de lindeza necessária. Acabamos sempre voltando, com o querer aumentado e a vontade de deixar no lugar aquilo que com o tempo cultivamos. São bem mais que fadas: também mulheres. Madrinhas, apenas emprestadas, porque sendo femininas como nós, sabem bem a importância que hoje em dia mais se intensifica de querer estar bem, desejar estar bonita.

Abracadabra, uma ligação, hora marcada e a gente lá: depois da ida e do processo de transformação, nem tão rápido como nos desenhos infantis, mas potente e real, muitas vezes mais eficaz que beijo para acordar ou salvação em torre, cabelo, unha e depilação são quase o suficiente - porque mulher satisfeita é mulher acomodada - para nos fazer sentir quase princesas. Reais, mas não da realeza.

Calmila Responde: início de relacionamento, drogas e dúvidas

4 suspiros

Oi Camila,

Antes de tudo queria agradecer por responder meu e-mail e dizer que uns tempos atrás, vasculhando na internet, encontrei teu blog e desde então ele está entre minhas páginas favoritas. Me indentifico bastante com teus textos, sempre me ajudam.

Que linda, olá. E muitíssimo obrigada! Espero que possa ajudar direitinho.

Já iniciei um e-mail pra ti mas, não tive coragem de mandar e se tratava da mesma pessoa que vou citar abaixo, só que agora preciso mesmo de uma opinião.

Certo, então vamos lá.

Namorei com um garoto por 2 anos e gostava muito dele. Terminamos ano passado, em julho. Depois dele, pensei que não gostaria mais de ninguém da mesma forma.

Natural pensar assim, hoje em dia é normal vivenciar o romance como se fosse o último. Mas o bom é que sempre depois do fim, a vida dá um jeito pra gente de recomeçar. Mesmo que demore ou a gente se frustre, enfim.

No tempo que estive solteira, fiquei com alguns caras interessantes mas não quis manter algo a mais por simplesmente 'enjoar'. Era do nada, simplesmente não queria mais.

Não eram tão interessantes assim, então. Não a ponto de te fazer apaixonada.

Saí pra um lugar aqui na minha cidade que não curto muito - acredito que foi o destino - mas lá conheci um garoto. Nós não ficamos. No outro dia, ele me adicionou no Facebook, conversamos e nos demos muito bem. Pouco tempo depois começamos a sair.

É legal quando algo começa aos poucos. E a gente vai dando tempo pra saber bem o que tá fazendo, com quem está lidando. Ele demonstrou que queria contato com você e que tinha persistência e atitude, coisas que a gente não tolera em homens que não possuem. Até aqui, bem ok.

No começo, pensei que enjoaria - como já havia ocorrido com outros - mas não. Começei a gostar dele, por um milagre divino. Reconheço que sou um pouco difícil de lidar, e como disse acima, pensei que não gostaria mais de ninguém da mesma forma que meu ex. Estamos saindo há quase 2 meses, já conheço os amigos dele e as respectivas namoradas, a mãe, o avô, o irmão, o primo. Ele me pediu em namoro e disse que, após o namoro de 5 anos, passou 3 anos solteiro e também nunca tinha gostado de alguém como sentia por mim. Não aceitei por não ter muito tempo que nos conhecemos, nem coragem, pra entrar em um relacionamento agora.

Well. Você não enjoo dela. Pelo visto, nem um pouquinho. Ele demonstrou que queria compartilhar um pouco da vida contigo, e já te apresentou família e tudo, e deve ter a levado pra churrascos e festas de amigos, onde tu figurou como uma possível namorada, conhecendo as outras do grupinho. Depois de três anos solteiro, pelo visto escolheu você. E por que, mesmo assim, falta "coragem" pra assumir algo com o moço, menina? A gente morre de aflição e se sente enroladas quando o cara não nos pede nunca em namoro mas, se é o contrário e ele se decide rápido demais, nos assustamos também. Sim, somos mulheres e um poço de contradições, confusões e afins. Mas, não entendi a parte da coragem, não. Será que não foi tu mesma quem colocou na cabeça isso de que seu ex é intocável e nenhum cara fará com que tu sinta mais do que sentiu por ele? Ou será que o cara é bacana, e tudo, mas não é tanto assim e você está começando a enjoar ou já sabe que pode iniciar esse processo de desejar coisa nova daqui a pouco já? Coisas que só tu pode saber, mas acho válidos questionamentos para fazer à ti mesma, guria.

O problema é que quando o conheci, sabia que ele fumava cigarro e bebia. Conversamos sobre isso e ele diz que quer diminuir o vício, para começar a parar. Nos últimos dias descobri, por si só, que ele também fumava maconha. Eu não curto, nunca experimentei, e não sinto a menor vontade. Falamos sobre isso novamente, e ele disse que ia diminuir o 'ritmo' com o tempo, mas acredito que de uma droga pra outra é um passo.

Então, acho que o problema está aqui. Que hoje 99% dos jovens bebem, temos que concordar. Admiro você por não fazer uso. Cigarro, nunca experimentei. Nem seque cogitei, tenho nojo de fumaça e acho o cheiro péssimo. E sim, concordo contigo que da maconha para ir pra cocaína, ou LSD e Extase é um passo mesmo. Convivi com pessoas que usavam (colegas, alguns poucos amigos), e a maioria se perdeu dentro do mundo paralelo em que pessoas - geralmente, fracas - usufruem de drogas. Não recrimino, não sou contra, nem nada disso. Só acho que há tantas alternativas de felicidade e diversão hoje em dia nessa vida que, se drogar é um pouco burro. Uma escolha falha. Enfim, acho que o que mais te incomoda é que é, sim, complicdo levar um relacionamento com alguém que tem abusado dos usos ilícitos. Como saber o momento em que está "limpo", ou não? E se diz que vai parar, por que não começa já? Hoje, é algo que pesaria na minha decisão de estar com alguém ou não. Nem tanto o fato da bebida, que se não for alcoolismo, considero até um pouco banal pros jovens de hoje. Mas mais pelo cigarro (que destrói os órgãos internos, deixa um cheiro e gosto da boca péssimos e é um nojo) e pela maconha (que ok, dizem que não faz tão mal assim, mas como disse a amiga, é um passinho pra demais drogas). Você já conversou, e ele disse que ia ir diminuindo. Mesmo assim, você parece não aceitar nem mesmo isso - e ele parece ter diminuído mas muito, muito pouco. Já conversou por duas vezes sobre o assunto, e não obteve muita mudança. Se fosse você, tentaria dar uma afastada, pra ver o que sinto. Caso fosse forte demais o gostar e essas coisas de amor, diga que para você ter algo sério e sólido, isso é muito importante. Daí, só esperando pra ver a reação do rapaz.

Ele é um amor de pessoa comigo, me trata super bem, é carinhoso e nos damos muito bem. Tô gostando, mas não sei se devo continuar algo com medo do depois, sabe? Não sei o que pensar, nem o que devo fazer. Me ajuda.

Do depois tu dizes de sei lá, ele ficar cada vez mais adicto? Pode acontecer. Mas se ele disse que ia ir diminuindo, talvez você deva dar um voto de confiança ao moço. Por algumas semanas, ou meses. Tente fazer com que o assunto não se torne um tabu entre vocês, e diga que, pro que ele precisar, você o ajuda. Pense em alguns meios para que ele substitua as drogas por outras coisas (chiclete por cigarro, chocolate por maconha - talvez eu esteja sendo ingênua, mas dizem que pode dar certo). Como descreveu, pelo visto isso a incomoda bastante, deixe isso claro, mas de forma sutil. Ele vai entender, e se quiser estar mesmo contigo, vai acabar se viciando cada  vez mais em ti e largar toda e qualquer drug do caminho. Conheço alguns casos em que isso aconteceu, ou seja: é possível sim, ainda mais que ele é jovem. Desejo boa sorte pra ti e muita disposição, não desista assim tão fácil de algo que tem a feito feliz. Tentar é sempre válido. Um beijo!

Quer enviar a sua pergunta/dilema/desabafo para mim também? Escreve linda pra camilapaier@gmail.com e então basta esperar!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Síndrome de bração

7 suspiros

Não adianta, e cura, até agora não encontrei. Capturadas algumas imagens de mim mesma, e aquela ansiedade comum para depois de passadas para o computador, poder admirar a fotografia de momentos bons. Ou não. Que bração é esse aí, que antes de sair de casa eu não tinha sinal algum de existência? Deve ser a gordurinha localizada, que escolheu se impregnar justo numa das partes mais delicadas do corpo feminino. Meio bonecão do posto, um tanto de herança italiana, e se pudesse lipar uma parte do corpo: o braço, sem dúvida alguma. Fininho, engana uns bons quilos a menos. Mas a deprê é mesmo quando de dieta, nos enganamos um pouco quando a vista é diretamente do espelho. E nas fotos da noite passada está lá, imenso e presente bração.

Quando dá para cortar de cantinho, não considero afronta ou ilusão nenhuma da vida real. Querer parecer melhorzinha numa recordação que daqui anos olharemos e nos permitiremos o luxo de pensar "como éramos bonitas!" está no direito de cada mulher. Deveria. Pode a barriga estar no lugar, as pernas sem celulite aparente, o peito em evidência, o sorriso na medida certinha, mas estraga a festa esse naco aonde o tecido adiposo escolhe se proliferar. Conversando com amigas, é fácil perceber que não só de genética sobrevive o tal problema: altas, magrelas, gostosonas, baixinhas, de raças distintas e cores de cabelos diversas - todas, sofredoras de se achar um exu balofo após conferir as fotos de algum momento que deveriam ter ficado lindas, só que não. Mesmo abaixo da linha da magreza e se alimentando apenas de orgânicos, cereais e algum chocolatinho, lá estão. Parte maldita de algumas de nós que insiste em não desaparecer por completo, por mais pesada a malhação.

E a inveja daquelas que conseguem manter o corpo todo em equilíbrio, sem neura alguma ou detalhezinho que abomine? Difícil não ter, complicado ocultar - a gente fica apenas se questionando "como pode? que será que ela faz?", e tentando na maior insistência sair bem e não braçuda nas fotografias que estiverem por vir. Os homens, aqueles que falam uma linguagem complexa demais para nós, ladies, e tem costumes ainda mais peculiares a nosso ver, é do que mais se felicitam: ver o braço crescer. Fermentar. Malham, malham, e muitos mesmo após meses de academia não encorpam bíceps, tríceps e demais músculos para nos atingirem. Repassava fácil essa minha insatisfação corpórea. Interessados, neste guichê, por favor!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Da Mei: solteira sim, sozinha... também!

8 suspiros


Eu queria entender, quem inventou que a gente precisa de outro alguém pra ser completo? Mas que coisa chata que é você ser solteira, linda e glamurosa (cof cof) e ter sempre de se desculpar pois ainda não namora, nem nunca namorou. Sério gente, “amor eterno, amor pra vida toda” era lindo na época que se morria com no máximo 50 anos! Me cansa a beleza ter de sempre bater na mesma tecla da autosuficiência, independência, e blábláblá, me sinto besta já e sem mais argumentos que me esquivem do interrogatório.

Não é que eu não queira um companheiro ou seja uma militante fervorosa das solteironas convictas, até porquê em outros momentos por aqui já disse o que penso sobre a vontade de amar, mas acho brega, breguíssimo, quem vive a correr atrás de “bons partidos”. Amiga, partido bom é aquele que luta a favor da justiça social, o resto é ilusão que inventaram pra vender vestido de noiva e livros da Walt Disney.

É tanto mundo pra ver e conhecer que não dá tempo de ficar correndo atrás  das tais borboletas, muito menos esperando elas pousarem no meu jardim. Namorar é bom, ser solteira também. Nascemos e morremos sozinhos. As duas grandes cenas da peça da vida são monólogos, muito provavelmente incompreensíveis aos ouvidos alheios, mas cheios de medo e gratidão.

Não quero que letras de pagode façam sentido, não preciso de hora marcada esquecida ou atrasada e as concequências problemáticas que isso trará. Solteiro não é E.T. , como alguns os amigos casados parecem pensar, nem doente hospitalar que precisa de uma companhia. Chefe casamenteira então, vade retro! Conhecer uma pessoa demanda tempo. Saber se o sexo é bom é rapidinho, mas se é chato ou não, gosta do que você gosta ou não, se se irrita fácil, como lida com as situações cotidianas, se mata barata(!), isso demora à conhecer, compreender e aceitar.

Ainda bem que a nossa espécie evolui e não precisamos mais (a maioria pelo menos) casar por obrigação, namorar somente no portão ou nunca nos divorciarmos. Hoje ergo a bandeira do “deixa que digam, que pensem, que falem” e penso em mim. Somente em mim, apesar de haverem tantas de mim que ser sozinha de verdade é impossível. E não pense que é só discurso, pois acredito que lemas e lemes mudam conforme o vento, mas sempre para nos guiar ao caminho certo, mesmo que este seja desconhecido. Por isso não tenho vergonha de afirmar: “solteira sim, sozinha também!”