é engraçada esse nova moda dos relacionamentos modernos de responder só quando PUDER
REALMENTE (aka. quiser de verdade, já que a pessoa teve tempo de ler e ficar online outras diversas vezes, né) e marcar coisas, mas se rolar uma preguiça maior ou chover, não dar nem a mínima explicação, né?
por um tempão eu tentei ser como esses migos aí, cheios de ~leveza~ e palavras superficiais e me protegia também de engatar conversas profundas (e reveladoras) ou abrir a portinhola do meu peito pra quem parecia valer o rolê - a maioria não fez jus ao privilégio, de fato.
mas, parei de gostar das pessoas? nem um pouco. pelo contrário. deixei de viver coisas ótimas, quando quente e servido o buffet do amorzinho bom? cêjura. e agora, a partir de hoje, se começa já cheio de arapucas, desculpas, armadilhas e enrolação, eu busco ler um livro, ver um filme ou ir beber com as amigas. de boa, eu mereço mais que a covardia gelada de quem se protege, se protege e não vive.
"Camila, Te acompanho desde de sempre, mesmo! Sou do interior de SP, vou tentar ser breve: Conheci um rapaz raro, do qual abre até a porta do carro se for preciso, porem, ele não faz meu estilo em nenhum sentindo - chego a enjoar só de falar o nome dele ou quando falam dele. Ele quer namorar comigo e eu não quero, não combina, não tenho paciência. Não sei se é questão de ego mas, na ultima balada que fui ele estava e eu fiquei "brava" pois vi que viver sem mim ele consegue. Quem sou eu pra exigir dele algo? Até repensei no caso do namoro, mas não quero namorar por namorar. Aí vem a pior parte: me vejo namorando um babaca, que só responde minhas mensagens quando quer e me vê quando bem entende! Tenho medo de estar perdendo uma oportunidade com uma pessoa legal, o que você acha disso? Tem como construir algo aos poucos? Aprender a gostar da pessoa? Grande beijo, A."
Bom, já que cês são rebeldes e não respeitaram minha regrinha das quatro linhas, dei uma editadinha nessa questão e vamos analisá-la! Quem nunca teve um cara bem "mais ou menos" (pros nosso padrões, vejam bem) aos pés e desdenhou? E, claro, assim que ele pisa com outra garota, ou demonstra que nem é tão apaixonado assim, ou, como a amiga disse, que consegue viver bem sem ela, piramos. Falta, afinal, aquela pecinha que se chama alguém-nos-querendo-tanto e a autoestima, que tocava o céu, baixa pra -10% inesperadamente. Normal.
Há algumas questões que precisam ser levantadas nesse caso, em específico: vocês já se deram uns beijos? A pegação é boa? Que tal o sexo? Se esses forem pontos positivos, acredito que valha dar uma reavaliada no garoto, sim, oras. Química, fogo e paixão são ingredientes que deixam a vida da gente incrivelmente melhor. Se é o jeito do rapaz que a irrita, calma, que isso também é adaptável. Agora, caso você não o suporte enquanto pessoa, se só de estar perto do boy você sente náuseas, o cheiro dele a irrita, a risada é péssima e afins, não vejo muita saída.
O lado bom dessa situação é que a vida não é composta só de dois garotos - nesse caso, o bonzinho que nos quer mas não conseguimos sentir nada ou o babaca irrecuperável que nos arde o coraçãozinho. É uma fase e você pode deixar ambos irem, livres, para que caras bem mais legais apareçam!
Talvez seja difícil, eu sei, mas pense comigo: forçar a barra de uma situação que não rola naturalmente quase nunca desce bem, assim como querer desesperadamente mudar homem que não presta, cheia da esperança de que com você será diferente. Eu aposto nas novidades que virão por aí, A.
Boa sorte!
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Quer que eu responda a sua questão/pergunta/problema ou dê um help, uma luz, uma mão? Envie para o meu e-mail: camilapaier@gmail.com ou por mensagem privada em QUATRO LINHAS que eu juro que ajudo você. Respondo uma por dia!
Quando foi que houve essa virada no tempo e você começou a me tratar tão, tão mal? Há dias cinzentos onde acordo com a névoa e, enquanto caminho e bebo chá pelo apartamento, essa dúvida surge - junto a umas irmãs insuportáveis, como "Vai ser sempre esse romance lixo entre nós dois?" e "Ele não se sente mal, nem um pouquinho?"- e me corrói um pouco antes de ir trabalhar. Foi só sexo, diz a minha amiga. Se os fatos não tivessem rolado tão naturais e de pronta vontade, até apostaria minhas fichas em tanta racionalidade. A real é que adoraria respostas que você, escorregadio, assustado com a velocidade das minhas palavras, sempre fica por dizer.
Teve o beijo logo no primeiro semáforo fechado - eu e meu problema com sinais vermelhos e detalhes ultra-focados. Teve umas conversas onde você elogiou o meu progresso e os pés fincados no concreto paulista. Até algum carinho pela manhã: depois do cansaço, cada um jogado em um canto da cama; calor, exaustão, respiros prolongados. As suas unhas passando de leve sob o lombo das minhas costelas, aparentes, nuas. Se não foi um suspiro de amor, um segundo onde você conseguiu esquecer que sente pena e raiva de mim e eu não lembrei das escrotidões que você aprontou. Foi lindo sentir nossa pele conversar numa linguagem tão específica, tanto tempo à base de maus tratos, os corpos há mais de ano sem se assistir.
Então: carência, tédio, tesão? Uma pequena morte onde ressurgiremos em algum reencontro nos anos mais para frente - você arrependido por não ter se bem aproveitado da minha energia jovial e eu certamente segura, tantos caras depois, quem sabe assentada com alguém que me devote paz e café da manhã. Por que diabos tudo tão bem e, de fininho, a sua pior versão de intelectual trabalhador que vence na vida avisa que é melhor manter distância, tal qual fosse eu um cão raivoso, qualquer paciente com lepra amorosa em estágio avançado - o que é engraçado, afinal, se tinha alguma saudade viva em mim, ela era do seu pau -, você sabe?
É louco que, talvez, sempre exista a distância entre nós dois: mudei pra cá um pouco pra ver no que dava ficar mais perto e ter dias incríveis perto de você, que agora se divide entre aqui e a terrinha do "ora, pois". É doloroso achar que poderia existir qualquer carinho, admiração ou bom senso entre nós - e ver decolar, pela enésima vez, minha tentativa pra que tudo fique bem e a gente não se odeie. Aquele "Tá louca, menina?" assim que vi o carro chegar perto da minha esquina resume bem demais todas as proporções com que você me mede; foi eu rasurar os limites uma vez sequer, sem tratamento, e nunca mais os seus olhos voltarão a me enxergar como a "namoradinha gata do Sul", que é nova mas manja horrores de cultura, história da músicas, tendências de moda.
Há dias em que acordo e perdoo você de tanta burrice - sim, burrice, como chamei a recusa do nosso fim na omeleteria do Itaim Bibi, como volto a nomear esse afastamento sem explicação. Medo do apego? Pavor das loucuras de uma hora e outra? Falta de paciência frente a tanta sensibilidade? Decidi enfiar ainda mais a cara no trabalho e começar a correr pela Av. Paulista, pra ver se desencano, faço uma grana, não enlouqueço. Há noites em que quase questiono, pela última vez, pra onde foi aquela paixão que quase nos deixou doente, se é assim com todas, como cultivar tanta frieza sem congelar. Desisto. Por ora, torço pra que esse ponto final se torna um outro nome próprio bonito pra que eu coloque em título de texto e chame pelo diminutivo. Pra sempre, sei que vou voltar a ter seis anos de idade e acreditar em milagres toda vez que a gente se ver.
Camila Paier nasceu em 20 de março de 1992, exatamente ao meio dia e meia hora – já urrando de fome e mostrando que não veio ao mundo pra fazer silêncio. Como boa ariana, tem ascendente em gêmeos – o que a faz comunicativa por natureza – e lua em libra, que dá aquela equilibrada necessária para fazer pausas e concessões esporádicas. É apaixonada por moda, antiguidades e literatura. Já cursou Direito, Psicologia e Jornalismo, mas o que curte mesmo fazer é escrever.