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De babaca em babaca

11.28.2016 -




A gente sai de um cara babaca pra outro. Eu, minhas amigas, as meninas que leem o que escrevo, mulheres que sequer conheci esperando algum ônibus na Afonso Bovero. É impressionante.

Minha mãe acha que tenho algum encosto, meu pai pensa que falta ser dura o suficiente e meu irmão aconselha sempre que eu não responda, largue, suma. É ridículo, mas ser mulher e expressar sentimentos, vontades e qualquer indício de VIDA ainda é  um lance com o qual o caras não sabem lidar.

(e aqui, vem cá: a gente também tem traumas, tá? a gente também já se deu mal pra cacete e continua tentando, a cada novo boy que causa rebuliço no estômago. aliás, se tem alguém que tenta aqui, são as criaturas que não contém o cromossomo Y)

E aí que cai no nosso colo lidar com um montão de situação lixo. Do tipo: cara que fala umas coisas lindas e depois vira a Sibéria em pessoa (geralmente quando a gente se apaixona também e demonstra "cedo demais"), umas desculpas mais esfarrapadas que pano de chão gasto,  sumiços e voltas triunfais que ficam cagam a estabilidade das nossas semanas.

É cansativo, é um saco e paciência é artigo de luxo por aqui pra dar chances e apostar de novo as fichas num rolê que murchou. É nojento e até revoltante acompanhar os desdobramentos de amigas que choram porque foram elas mesmas e colocaram um pouquinho de autenticidade e coração sem saber pra onde o relacionamento ia.

(parem, por favor, parem de ser babacas, caras. alertem os amigos, conversem com os primos, deixem de lado essa palhaçada de que mulher boa é a que pisa e precisa ser conquistada. a gente só quer dormir abraçadinha, rir um pouco & dar uns beijos na boca, porra)

Ninguém contou pra eles que um dia a gente tomaria a frente, chamaria pra sair, diria que quer algo casual, faria as vezes da parte interessada SIM e ai do lesado que não compreendesse isso. Enquanto a maioria treme na base, inventa desculpas ou some pra reaparecer meses depois, uns poucos ainda tem coragem de ver até onde vai a graça. É nesses poucos que a gente precisa apostar as fichas, migas.

Vocês, os rasinhos

6.11.2016 -


a minha geração é ridícula. melhor: sentimentalmente ridícula. além do medinho trouxa de se comprometer, rola uma despreocupação com o outro que me tira do sério. nada de "e se fosse com a sua irmã, gostaria que um cara a tratasse assim?". não, é aquilo: ela, ainda que pronome pessoal feminino e da 3a pessoa, é gente. só ouço amigas reclamar dos sumiços, dos absurdos e das babaquices que escutam, vivenciam, desesperançam. quando foi que repartiu a alma em tantos pedaços que esqueceu a delícia que é estar ali, inteirinho?

é bizarro. eles se partilham entre três ou quatro garotas pra não se entregar por inteiro pra uma só. como se fosse crime. tal qual ainda beirasse o ridículo ou cafona demonstrar afeto, sentir carinho, gostar de segurar a mão na rua. uma pergunta simples, como: "você tá solteiro?" se torna o maior dos trampolins pra que o próprio tropece na própria fala. tem uma garota, lá. mas assim, nada sério (ou seja: ainda quero ver você pelada). "só que tem essa mina e umas outras no rolê, como você, certo?" - errado, um equívoco; há muito já cansei da brincadeira sou-de-muitos-pra-não-ser-de-ninguém. meu limite de maturidade não é aceito pra adentrar esse playground.

prefiro mesmo a delícia de separar o kit e pular pra dentro do mistério alheio, sem receio, ojeriza ou parcimônia. acho sexy conhecer família, acho incrível acordar ali ao lado, com bafo matinal, acho importante desvendar horários, maus hábitos e esperanças que a criatura com quem trocamos fluídos carrega nas horas vagas. e acho, também, de uma bundamolice tenebrosa esse lance que inventaram pra que a gente obstrua a passagem de bons sentimentos e segure o máximo o muro das decepções intactos. se todos desencantarão, hora ou outra, pra que tanto esforço para se mostrar suficiente, gélido, fechado para balanço? sério, além de covardes cês são uns panacas.

a minha geração não nota o papel de idiota que segura firme pra reiterar que é livre, é desapegada, é incrível sozinha. é emocionalmente rasa, é feita da falta de flerte, da inexistência de trocas e da extinção dos namoros longos e respeito pelo que passou. todos insubstituíveis, enquanto teclam superficialidades e combinam rolês que furarão no dia seguinte. todos ocupados demais para responder mensagens, receber (& dar) carinho, olhar menos para o próprio umbigo. ser frio é o novo kitsch, contem a eles antes que seja tarde, jovenzinhos que amam signos.


Você é incrível demais pra sofrer por um amor meio bosta

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Quis chorar. Segurei firme. Dessa vez não. São 22h34 e acabo de descobrir, surpresa, surpresa: ele tem alguém. Aquele lance que tanto me enoja e faz revirar os olhos tava acontecendo ali, sob minha intuição certeira e detalhes pegajosos. Normal não era. A demora em responder. A enrolação a cada saída marcada. O tanto que se abriu, num primeiro momento e foi fechando a janelinha do "pode ser você" na minha cara, nos meus braços, depois dar pernas já desnudas. "Você é incrível demais pra sofrer por um amor meio bosta, Camila", repito antes de dormir. É nesse novo mantra que vou me agarrar pelo resto da existência.

Dane-se se durou três semanas ou cinco dias. Eu sou maravilhosa. Um baita amiga. Profissional invejável. Inteligência rápida, criativona e ótima de texto. Sim, tem aqueles lapsos de atenção e uma hiperatividade que não passa. Mas, ainda assim, ótima. Que mais dizer? Sobrevivente em meio ao caos do próprio roteiro, ainda mais numa cidade enorme como São Paulo. Corajosa, óbvio. Quantas garotas tem coragem de largar tudo, pela terceira vez, e arriscar possibilidades e conforto pela aventura? Dá pra contar no dedo as criaturas desse mundão que enfrentam tudo de peito tão aberto, língua tão sincera e com uma transparência de cegar gripados. Ou seja: incrível, eu.

Mesmo que não tenha me formado ainda em faculdade alguma das que comecei. Ainda que não conte com milhões na conta - pelo contrário, verdade. Olha esse corpo, menina. E nem anda se exercitando! Olha a capacidade de ver bonitezas mesmo no lixo dos dias. De se manter positiva, enquanto tudo desmorona. Você ainda dança, e não merece ser assistida tão de perto por aqueles que jamais seriam capazes de captar a sua sensibilidade, toda laço de fita. Problema é dos idiotas que deixarem escapar a chance de ir nesse show que é a sua tentativa romântica de viver até o limite.

Repete amanhã, ao acordar. Em frente ao espelho, mentalmente, enquanto espera o metrô: você é uma porcaria de um diamante imenso e brilhante em meio ao aterro dos dias e a última coisa que merece nessa vida é ir dormir triste por causa de cara que prefere a canalhice. Você é ouro reluzente numa mina já esgotada e chafurdada por tantos, onde poucos conseguiram achar o brilho da luz do seu túnel. Você é som num universo com problemas sérios de audição, alienado inclusive. Você é incrível demais e ele só uma bosta que causou semanas de ansiedade e aprendizados minúsculos. Vai, dê descarga - e faça o favor de purpurinar por aí!



5 consequências ótimas de levar um fora

6.10.2016 -



Me apaixonar é desses passatempos que adoro. Tento ficar quietinha, mais entretida entre textos, jobs e amigas; dificilmente rola. Ou estou perdidamente encantada por algum boy no rolê, ou estou na caça do mesmo. Em raras situações, aproveito – meus casos têm durado pouco, infelizmente.

Mas a verdade é que o amor é dos núcleos importantes pra mim e, quando há flores nesse jardim, ando saltitando pelas cidade, inebriada com o perfume de coisa boa que tá funcionando. Minhas motivações aumentam, acho energia para a agenda cheia, ajudo as migas todas a acreditar também, só mais um pouquinho, nesse saco de sensações variadas que é a paixonite aguda ainda viva.

Portanto, quando tomo foras (ou, deus me livra) ou as coisas simplesmente não funcionam mais e o coraçãozinho dói, tenho tentado encontrar motivos para seguir firme no mood da alegria. Daí é preciso encontrar consequências boas naquela droga interna em que estamos, certo? Eu selecionei cinco que são importantes e podem te ajudar a pensar mais positivamente sobre mais esse ‘não’ da força divina, justo agora. São eles:

1) Apetite que diminui
Já reparou que aquela ansiedade louca de comer um doce após o almoço some quando estamos nos recuperando de um pé na bunda? Aliás, que almoço, né? Normal sentir falta de vontade de comer ou até nojo quando o prato está ali, na frente. Se era o empurrãozinho que você precisava para entrar na linha e maneirar nos carbos, agradeça!

2) Volta do foco à própria vida
Ah, sim. Esse item é bem importante. Não sei vocês, mas eu, quando apaixonadinha, perto as estribeiras das minhas to-do lists, viajo mentalmente para cenários futuros, passados e até mesmo inexistentes. Se o coraçãozinho cheio de amor nos ajuda a ficar mais dóceis e tragáveis, tiram o foco total que ostentamos quando a única preocupação é o próprio umbigo – e tá tudo bem quanto a isso também!

3) Inspiração ad infinitum
zSe você levou um desses foras dolorosos de recuperar, calma. Escreva. Para a pessoa, para desopilar, para você. Ajuda a esvaziar a mente de ideias negativas, é um ótimo paliativo e faz você reorganizar o que sente. Para redefinir quem é você, escreva. Para entender melhor cada detalhe do que rolou, coloque no papel. Para se sentir melhorzinha, abra o app de rascunhos do celular e mande ver. Ou, se quiser, mande pro boy também, oras. A gente só morre um pouquinho nos sentimentos que deixamos entalados.

4) Priorizar filmes de suspense/biopics/ficção
Nem pense em começar Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças ou Blue Valentine (não, não, não!). Sei que você quer chorar e escutar Adele ou qualquer coisa que mate a tristezinha interna. É justo, claro. Mas, por um tempinho, por que não investir em biopics? Posso indicar ao menos duas ótimas: “The Beach Boys: Uma História de Sucesso” e “O final da turnê”, ambos do ano passado, fresquinhos e com ótimos atores. Se distraia e deixe os assuntos românticos um pouco de lado, por ora. Aos pouquinhos – e assim que memórias novas com boys bacanas forem criadas – você volta pro lado Love da força, ok?

5) Ter uma desculpa para cortar o cabelo
Essa consequência é a minha favorita! Quando um boy caga pra mim, é direto demais e me magoa e o lance acaba sem futuro, corro pro salão. Talvez soe frívolo, e tudo bem quanto a isso. Contudo, a gente sabe o poder que um corte novo faz no ego & auto-estima. Sai umas pontinhas e você já está pronta para uma fase nova. O rosto ganha uma franja e de repente se inicia um ciclo mais wild e menos quadrado. Mais que sereias ou signos, é na força das transições capilares que acredito!

Cêjura

6.06.2016 -


é engraçada esse nova moda dos relacionamentos modernos de responder só quando PUDER
REALMENTE (aka. quiser de verdade, já que a pessoa teve tempo de ler e ficar online outras diversas vezes, né) e marcar coisas, mas se rolar uma preguiça maior ou chover, não dar nem a mínima explicação, né?

por um tempão eu tentei ser como esses migos aí, cheios de ~leveza~ e palavras superficiais e me protegia também de engatar conversas profundas (e reveladoras) ou abrir a portinhola do meu peito pra quem parecia valer o rolê - a maioria não fez jus ao privilégio, de fato.

mas, parei de gostar das pessoas? nem um pouco. pelo contrário. deixei de viver coisas ótimas, quando quente e servido o buffet do amorzinho bom? cêjura. e agora, a partir de hoje, se começa já cheio de arapucas, desculpas, armadilhas e enrolação, eu busco ler um livro, ver um filme ou ir beber com as amigas. de boa, eu mereço mais que a covardia gelada de quem se protege, se protege e não vive.

Umas coisas que eu queria te dizer

5.20.2016 -
As minhas amigas pedem que eu seja mais racional. Menos Tom, mais Summer. Consigo? Se fosse heavy user desse cérebro criativão que deus me deu, jamais escreveria esses lances tão abertamente. Nunca que uma porrada de meninas ia me mandar mensagens quentinhas que colorem a tarde. Nem em um milhão de anos eu teria algum propósito nessa vida. Ainda bem que digito com o coração.

Volto algumas semanas e releio aquelas palavras inesperadas, recebidas às 19h de uma quinta qualquer. Eu estava envolvida com outro cara, perfeito no pacotinho de vantagens que tanto procuro. Você tinha ficado na pastinha do carnaval de 2015, assim como o celular que me furtaram num bloco de Pinheiros e amizades que não fazem sentido algum hoje. Tinha tentado alguma coisa enquanto a season SP ainda rolava, fiquei sem entender bem porque paramos de sair, depois de nos falar e viramos estranhos com gostos demais em comum. Até que eu resolvi dar essa chance.

E o live and touch foi melhor que eu esperava. E agora sei bem pouquinho o que fazer com esse samba no peito e vontade de fazer as coisas darem certo. Lembra o papo das conchas que você catou e me deixou solta por aí? Agora eu o entendo, agora talvez você feche ainda mais a mão pra que eu caia sozinha de novo num oceano de possibilidade gauderias, paulistanas, inglesas. Sei pouco demais do meu futuro pra ser aposta de qualquer um, fato. Mas, poxa, a gente vai se deixar perder no meio da correnteza por aí, mais uma vez?

A quantas pessoas a gente realmente se conecta? Existe brilho em todos os encontros que envolvem marchinhas, álcool e vontades baratas? Não quero a gente pare de se falar e comece a amortecer a queda fofinha que foi se achar um pouco um no outro. Tenho medo de me tornar a-menina-chata-que-mora-a-800-km-e-está-um-pouco-apaixonada-e-gosta-demais-de-conversar. Tudo bem a gente não ter transado ainda (até prefiro, até gostei da experiência), tudo bem os seus atrasinhos (porque depois a gente sempre se diverte), tudo bem se você correr pra longe ou disser que as coisas vão encontrar um jeito de acontecerem.

 As minhas amigas dizem que a idade cobra e devemos ter ao menos um dos pés no chão. Tudo que eu queria é voar pra longe desse marasmo. Esse 'coraggio' tatuado no antebraço direito não é em vão.


Sobre gatos, cachorros e crianças

5.19.2016 -

Prestava atenção enquanto ele tragava o cigarrinho de artista, pacientemente. Ainda bem que eu já estava sentada na escadinha de concreto daquele prédio comercial lustroso, já fechado. Dessa maneira, o sustinho daquelas palavras foi menor.
"Cara, eu quero muito ser pai. Tipo, muito. Eu vou ser, na real. E aí vou fazer manutenção, todo ano, pra ver como andam as coisas e manter tudo em ordem, entende?"
Eu entendia, óbvio. E assenti com a cabeça. Soubesse ele que há duas semanas ou menos eu havia apavorado o cara do momento por, justamente, falar demais em crianças, bebês e parentinhos. Naquele minuto, eu só consegui rir - e sentir cada milímetro do meu corpo ainda mais impelido a pular no colo dele. Não podíamos. No outro dia, revisando os fatos mentalmente pra me sentir bem, eu tive certeza: mais que atraída ou excitada, aquele era um cara que eu conseguia levar à sério.

Das seis fotos que escolheu para os aplicativos, três delas mostravam dois gatos; um filhotinho, malhado com olhos verdes e outro laranja, estilo Garfield, também bem nutrido. Aquilo mexeu com a minha libido. Dei meu like, recebi de volta. Tinha uma profissão que considero massa, uma vida interessante e sabia falar sobre seriados. Marcamos numa chopperia do Bom Fim, perto para ambos. Caí na paixonite quando fui conhecer seu apartamento e o vi brincar com os felinos, tão logo abriu a porta da sala.
"Adotei esses dois com a minha última namorada, mas ela nem quis saber deles quando acabamos. Agora são oficialmente meus"
O modo como os dedos dele afundavam no pelo macio dos bichos, a atenção que ele dispensava ao colocar água e comida no potinho, religiosamente na medida. Aquela paixão de quem tem noção da própria selvageria e se compadece da natureza não-humana. Nada de "odeio gatos, são interesseiros" ou "prefiro cachorros, tenho alergia ao pelo". Pelo contrário. Era sexy, extremamente sexy.

Convivíamos há uns dois meses. Relação dessas apressadas, um sentimento maluco que bateu em ambos e demorou pra achar o caminho de saída. Gostava de beber whisky e fumava charuto uma vez por semana. Trabalhava feito cavalo e se dava a esse e outros luxos, o que eu considerava bastante justo. Eu o acompanhava no álcool algumas vezes, em especial quando trocava a bebida fortíssima por cerveja. Sofria por não ter tempo e tampouco espaço pra adotar um vira-lata cheio de amor pra dar.
"Daqui uns anos, vou estar mais velho e comprar uma casa. Aí vou adotar um cachorro e chamar de Tennessee"
"Por que esse nome? Sei lá, atípico, no mínimo"
"Já deu uma olhada no que tem naquele estado? Umas folhagens muito doidas"
Era desses que chamava cães de rua no Ibirapuera e perguntava raças. Cachorreira que não sou, admirava tanta paixão pela brincadeira, pela efusividade em quatro patas que também ele transpirava. Me sentia protegida, mas também energizada ao estar na companhia de outro mamífero true.

De repente, ele me dizia que não curtia crianças nem cachorros, e de-tes-ta-va gatos - os meus animais prediletos. Mais que um choque, qualquer esperança de levar aquilo adiante brochou internamente. Era ele um homem ou um robô? Que confiança depositar em quem passa a vez na roda de bebê recém nascido, não baba ao ver um filhote de pug ou desconfia da independência felina? Num desenho infantil ideal, meus bonequinhos seriam de papel; mas com um quintal enorme, árvores com frutas no pé, algumas crianças em volta e Garfields e Boos em volta. Vivos.



4 rolês complicados que passamos com os boys, resolvidos!

5.18.2016 -

"O crush lê e não responde"

Se isso irrita você, primeiro de tudo, fique de boa. Já tentou falar que irrita? Se sim, chega de palavras. É hora de mostrar, com atitudes, que se ele quer ser o seu rolê, deve respeitar algumas coisinhas que a deixam desconfortável. Quando ele resolver responder, no tempo dele, faça o mesmo. Visualize, sorria internamente e vá ver um filme; fazer uma hidratação, chamar uma amiga no aplicativo ou ir ficar um pouco com a  sua família. Parece jogo, mas é uma boa mostrar como você se sente. Vale se resguardar um pouco mais e ficar de olho pra ver se, com você mais fechada, ele se toca e fica mais abertinho ao flerte. ;)

"Ele marca comigo, mas se atrasa"
É chato, eu sei. É um atraso tolerável? Você fica mais nervosa ou geralmente acha o que fazer enquanto espera? Se esse comportamento for padrão dele e as horas juntos valerem a pena, ok. Se não a deixar maluca e fizer perder compromissos, tudo bem. Contudo, caso ele saiba que você não curte espera e ainda o faça, reavalie. A longo prazo é muito possível que um relacionamento desses não tenha força e consistência pra durar, certo?

"Deu o fora em mim, mas segue curtindo minhas fotos no Instagram"
Well, well. Previsível, é o mínimo. E dá um ódio, uma raiva, né? Quem diabos ele pensa que é pra ficar dando like de pena, ou melhor, de amizade? Poxa, mano. Zero sensibilidade e empatia. O mínimo, ao dizer um não dos bem grandes, é que o boy pare de seguir você ou controle o dedo que clica no coraçãozinho, né? Bem, espere. Se isso prosseguir, vá falar algo, sim. Oras, ou cês saem, se veem e se amam, ou que ele deixe você em paz. Minha dica para as mais radicais é: bloqueie o perfil dele. Sim, ué. Se dói ainda, não tem porque deixar que toquem a ferida, dear.

"Ele quer algo a mais, mas quero só amizade"
Ele chegou em você? Você deixou claro que não rola nada a mais? Tudo às claras, A+B, preto no branco? Então, se afaste um pouco. Nada de tratar mal ou ficar muda, não. Porém, vale cuidar os comentários e demonstrar amizade e nada mais. Se, ainda assim ele insistir, vale uma conversa ainda mais explícita, dizendo que você o adora enquanto pessoa, mas não sente nada/quer ficar sozinha/ gosta de outro boy. Bem simples, guria. Em último caso, se o migo ficar estranho, entenda e dê um tempo para o rapaz. Se ele a achar ótima e gostar de você mesmo, voltará aos poucos e isso irá passar.


Ainda não

5.17.2016 -


Ah, ontem foi ótimo. É, ele é bacana. Gosto de virginianos. Sabe, eu tava no Bullguer e fiquei até meio em dúvida se ia ou não. Tinha feito a tal entrevista em inglês, tive que voltar e tomar banho correndo, tinha que ajudar a Mari antes de encontrar o pessoal pra jantar. E depois o tal date. É date que chama quando a gente vai sair com uma pessoa que não vê há mais de ano, mas já pegou? E tinham dito que paixonite de carnaval não dura. É, mas ainda não rolou.

Ele ligou, insistiu. Eu tinha comido o hambúrguer mais sensacional de São Paulo, de frango e com cebola roxa. Vai, eles disseram. Contei do fora horrível e do boy que levou a sério uma gravidez jamais cogitada. Narrei direitinho os outros barcos furados que dei pé, corda e âncora pra me enfiar. O povo teve que ir indo. Ele tava à caminho. Um amigo esperou comigo, fofo, né? Ali ele, ó. Fulano, esse é ciclano. Ciclano, esse é fulano. Calma, calma: ainda não é agora.

Fomos no Empanadas. Era quarta, dia de futebol. Quer ficar virado pra tevê? Vamos trocar então. No mesmo emprego? Ah, eu sai de lá, zero chance de crescimento. Um pessoal ótimo, mas uma galera escrota também. É, sou bem doida de largar tudo pra investir nuns lances próprios. Me arrependi de ter voltado pra cidade onde cresci, pra um quarto que nem meu é mais, pra casa dos pais. Eu jurava que ele era de Londrina, ele tinha certeza que eu já era formada. Pois é, mas ainda não é agora.

Daí vem a melhor parte. Chocolate, morango com champanhe ou Cosmopolitan? Ele compenetrado pra fazer um trabalho manual digno da viagem. O beijo surpresa no meio da calçada da Vila Madalena. As trocentas voltas sem rumo pelas ruas da Zona Oeste. A mão dele, enorme, pressionando a minha. Aquela química que ficou esquecida numa caixa em um porão qualquer do ano 2015, ainda mais incandescente. Os dois apagados no carro, em frente ao meu prédio, na Itapicuru. Acha que agora sim, certo?

Não, que nada. Surpreendentemente, ainda não. Vinte e quatro anos na cara pra perder a virgindade que é se divertir deliciosamente de roupa. Tão acostumada a ser vista como pedaço de carne, até estranhei alguém a fim de almoços e cafés pra também provar das minhas ideias. Daqui a pouco, daqui a pouquinho, sim.



Obrigada

5.15.2016 -


Me desculpa, mas por que diabos você me dá corda? Eu sinto vontade de mandar isso e seguro na ponta dos dedos o apertar do Send. Por que não rola? Por que você alimenta a minha imaginação pra, no último minuto, agradecer a minha oferta de diversão tal qual quem se abstém da sobremesa?
Por que ainda não bloqueou meu número? Por que parou de dar dicas sobre Perdizes, bairro onde cresceu e estou hospedada? Por que me apertou até que eu dissesse aquilo que você gostaria de ouvir?
É minha última noite na cidade dos brilhos, vamos passar acordados. Tenho nem 24h mais nessa cidade e queria fechar com a chave dourada que só os caras que exercem algum fascínio sobre a minha mente ingênua possuem.
Obrigada por ter sido cortês, ainda que paulistano bobão típico. Obrigada por ter respondido em meio aos voos e partidas de futebol. Obrigada pela escrotidão prévia pra fingir que termina aqui essa historinha ridícula que perpetua há uns anos.
Toda uma polidez e preocupação em transparecer o cara bom que você reafirma para si mesmo que adoraria ser - que é, mas só no universo de grana, loiras gostosas e camiseta da CBF que arrumou para se distrair. Vazio, leve, oco. De nada.

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Eu só quero se for Bonnie & Clyde

5.10.2016 -



A real é que naquela combinação existia espaço pra apenas um protagonista. As garotas novinhas já se juntam, em bando, pra comentar "me beija" nas fotos que ele posta no Instagram - mesmo que as minhas sejam completamente mais apelativas (e sensuais). É provável que ele tenha uma guria em cada cidade, tal qual todos os músicos com alguma relevância na terra brasilis.

Nesse momento da vida, eu sou a menina porra louca que faz uns free-las de produção e tenta a sorte com sites próprios; zero estabilidade, tirando a cama na casa dos pais. Ele, no alto da sua relevância de líder de banda, mal teve tempo de ver em primeira mão o comercial que emprestei o rostinho pra marca gaúcha e ainda não rodou na televisão.

E, agora noto: jamais seria Bonnie e Clyde, dessas parcerias aventurescas, inseparáveis e podrinhas que admiro. Não tinha impulso nenhum de Johnny & June, ou John e Yoko - pelo contrário, tudo que ele deseja é uma menina low profile que fale baixinho, use jeans e camiseta branca larguinha e preserve aquele ar de mistério, que na verdade é mais falta de o quê contribuir. Toda essa vivacidade desajeitada e espontânea, meu grande trunfo, era incapaz de ser lida na linguagem autocentrada que ele falava.

Passei dias odiando a mim mesma numa reconstrução interna maluca para tentar redefinir quem diabos eu sou. Fugi de boys amáveis, ignorei caras bacanas até que finalmente consegui deslanchar um encontro que parecia razoável e valia o make e a grana investida. Atravessei o bar até encontrar o cara parrudo, germânico e animado. Ele sorriu e não era você.

Ele amou Spotlight - filme que detestei - e não era você. Ele me fez beber pouquinho e tomou coragem pra sentar na cadeira ao meu lado; decididamente, não era você. Falava sem sotaque (não era você), tinha fôlego e desenvoltura na cama (porém, não era você), enviou mensagem assim que chegou em casa, fascinado com a parceira de crime que visualizou nua, crua e sincera demais dentro daquelas horas (doeu, mas não era você).

O seu maior delito foi seguir pisando no meu coraçãozinho nem sempre aparente, mas pulsante e vivo de sentimentos esquizofrênicos a cada troca de foto ou novo post de Instagram. Onde não puderes amar, não distribua likes de compaixão. Não existe mina só gata e muito menos tadinha nesse guichê.

Bem mais que bunda

5.04.2016 -


"e tem a bunda mais bonita do universo, que com certeza vale mais que caráter"

Foi o que ele tinha dito numa daquelas conversas onde eu rancava atalhos pro meu coraçãozinho enquanto ele, pacientemente, dava sinais recíprocos. E eu que sou dessas orgulhosas que a combinação bons genes +corridinhas tem feito no meu corpo até sorri na hora. Depois de unir as palavras gostosa, bonitona, gata pra cacete e afins, sempre logo depois de cada uma das razões para me dar o fora, conclui: ele me viu depressa demais. Tivesse parado um pouquinho mais para avaliar a quantas meu peito acelera a cada minuto ou o tanto que eu conhecia de mundo, teria visto que existe conexão entre cérebro, quadril e peito - bem além do que ele conseguia visualizar.

"caso tu ainda queira tomar um Mocha Branco e tentar me ouvir calminha e zero agressiva, fica o convite"
Disse eu, remando sem saber pra uma correnteza ainda mais longínqua; numa última tentativa de reanimar qualquer afeto já esboçado. Mas a real é que uma das únicas coisas que ele sabia a meu respeito era o sabor favorito do Starbucks. Por que eu quis? Nada, porque toda vez que falava comigo precisava ser às pressas, urgente e em muitas outras respondia apenas quando podia. Até aí, nada de surreal. Porém, se conhecer o outro representa toda uma infinidade, como fazer sem cautela? Digo: se você foi a dois ótimos encontros e iniciou toda uma ponte, por quê saltar num bote e me deixar à deriva?

"mas cara, é isso: sempre falando que tu é gata, é gata, é gata. disso a gente já sabe! ele teve sensibilidade de perceber que tu também é uma gênia?"
E como minha melhor amiga, ela geralmente dava puxão de orelha. Dessa vez, fazia coro a umas outras duas que me até me condenavam, mas o viam como ainda mais vilão. E todos aqueles dias conversando? Poxa, mas e quem TATUA coisas bêbado? Faltou sensibilidade. Exato. Gênia ela, dificilmente. Porém, de fato: perguntava pouquíssimo sobre como eu andava e o que tinha feito. A quantas estava aquele possível emprego ou o novo romance. Aliás, sequer sabia que eu andava escrevendo algo. Na maré alheia, a gente só vai até a profundidade que o outro permite.


Engov

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Sou total ciente da personagem caricata de seriado ruim que tenho me tornado. Quem visse as cenas, assentaria com a cabeça, apenas: primeiro o despertar embrulhado, cheio de ressaca. Dois goles de água, um Engov. Que diabos eu fiz noite passada? Cacete, viu. Sei que quase esqueci a carteira no carro dele. Tenho certeza que ele tava puto. Falei demais? Brigamos? Vou mandar uma mensagem a fim de paz, amor e sobriedade, azar. Foi. Mais duas horas de sono. Nada de resposta. Três horas de exercício físico + banho e almoço. Nadinha. 6h de vácuo. Ele ia trabalhar num roteiro, pelo que eu lembre. Matheus, eu cheguei chateada ontem de madrugada? Ah, mas cara de bunda eu tenho quase sempre, né. Mais uma mensagem, que se dane. Por que ele tá fazendo isso comigo? O que, de tão grave eu fiz? Casa da Priscila. 12h depois. Ninguém deixa o celular por tanto tempo ali sem poder dar uma resposta de dez segundos, certo? Certo. Vou mandar um áudio, Pri. É isso. Não é possível esse rolê. Não lembro, realmente não lembro de uma parte e, daquilo que recordo, nada foi assim, horroroso. Eu não quis ir embora do motel, é. Mas poxa, pra que marcar comigo entre outros dois programas? Sexo apressado é o pior tipo de sexo do universo. Se tivesse namorada, entenderia. Detesto que me apressem, ainda mais nua, coberta só de tesão. Tô apreensiva. Passei o dia hora sem fome, hora devorando o mundo pra ver se concentro mais na mastigação e menos nessa angústia. É, nada de resposta. E o pior: ele visualiza! Caralho. Bom, vou pra casa, tentar dormir. Moço, pode ir pela Vasco, pega a André da Rocha e depois a Bento. Nada de resposta, nada. Sono nenhum também. Um filme sci-fi com uma máquina que quer ser humana, ótimo. 6h de sono, intervaladas por despertares assustadiços pra olhar o telefone. Eita, mensagens. Cinco deslizes fatais que ele ODEIA (assim, em Caps) em relacionamentos. Ok, pedi para ir na gravação do clipe. Implorei, também, para conhecer os amigos. E os pais dele, certo. Deixei ele irritado, bebi duas garrafas de vinho tinto e fiquei agressiva. O pior, pro final, óbvio: falei. No meio do sexo. Que queria. Um filho. Dele. No terceiro encontro. Todas essas maluquices que sequer pensei sóbria. Que vergonha que vergonha que vergonhaaaa. Pelo visto, ele levou a sério. E pensou minuciosamente em cada detalhe pra me fazer sentir o lixo do milênio. Isso, sua trouxa, mistura álcool e remédios pra cabeça por puro nervosismo. Vai, se afoga agora nessa mágoa de perder boy ótimo pra (personagem podre de seriado indie) você mesma. Onde diabos eu assino a petição pra exterminar a minha espécie desse planeta? Ou melhor: eu mesma me retiro dessa galáxia egoísta, fria e insensível com todos os bêbados atrapalhados do rolê, isso sim.

Poeira

-

Esses dias, fui a um bar com uma amiga que não via há alguns anos. Falamos sobre a vida, os desamores, os empregos conquistados e aqueles meses todos longe. Citamos uma amiga em comum - mais parceira dela que minha, que nunca mais vi. Perguntei como andava a menina.
"Tá namorando, tá superbem, guria. Feliz, mesmo. O cara é muito gente boa, um fofo"
"Mas e ela segue sendo ela? Digo, tendo aqueles surtos e saindo dos lugares bufando?"
"Super! E sabe o que ele faz? Ri, se importa um pouco e depois ela volta, sempre"
"Guria, mas que ótimo! Ela achou alguém que aceita ela, direitinho como ela é, né?"
"Sim! E sabe o que ele diz? 'Ah, se eu fosse me importar com todas as vezes que ela acaba comigo e depois se arrepende, já teria surtado. Se colocar no papel, qualidades dela valem à pena'"
"É, acho que no fim das contas é sobre isso que é o amor: gostar tanto do lado bom que os defeitinhos pareçam pó, pontinhos de luz, praticamente nada"


Esses dias eu consegui sentir algum carinho por você

11.03.2015 -

Cheguei em casa tarde da noite depois daquela terça-feira e desabei. Primeiro, como quem teve dia de cão e precisou domar trinta leões para colocar em ordem as redes sociais, as pendências de saúde, as finanças e seus números insuportáveis. Depois, ao tomar a dimensão daquela conversa pacífica, da boniteza das palavras trocadas, do quão maduros, crescidos e estranhos nos tornamos. Ainda assim: chorei; de alívio, de alegria, de inundar as memórias mundanas e banais que já representaram a circunferência da Terra e o sentindo de mundo por aqui.

Há muito não havia ódio, há tanto quis escrever qualquer banalidade, como: sonhei contigo, como anda tudo por aí? Avisa tua mãe que ando forte, independente, ainda mais destemida e, finalmente, com a vida debaixo do braço. Uma felicidade ao abrir as suas fotos e ver como você anda depois de alguns anos, ter o coração sob controle e sentir o sorriso esboçado, desses de quem pensa: fomos de uma alegria insuportável enquanto durou, ainda que tudo tenha terminado em sirenes de emergência, fim de festa e alguns barracos. Guardo você num espacinho singelo por aqui que fica perto da divisão das "primeiras vezes", na divisa dos sentimentos confusos - é especial.

Demorei, é verdade, pra que esse estado sublime de amor pelo passado fosse possível. Foi necessário atravessar primeiro a raiva, depois o nojo, então alguma pena e desprezo para, só então, ter coragem de reabrir a porta do quartinho dos fundos que abriga as lembranças legais do casal amigo que fomos sem algum pé atrás e qualquer desconfiança. Contudo, foi transformadora a experiência pacífica de travar uma conversa sem mágoas arrastadas ou dores que latejam. Foi, inclusive diria, mais que o fechamento de um ciclo: o ganho de um passe pra que se viaje em paz e visite locais sem medo do outro, de repente, aparecer.

Ambos temos esse problema em costurar passados e dar o ponto final, você sabe. Ainda no último minuto, perdedores da partida desastrosa em final de campeonato que foi a prorrogação do nosso relacionamento, havia todas aquelas promessas de futuro possível, reencontro alguns anos mais tarde, eterno primeiro amor - todas palavras impossíveis, eu hoje jamais voltaria a morar em Porto Alegre, você frequenta baladas que nunca satisfariam meu apreço musical.

Ainda assim, esses dias eu consegui sentir carinho por você; desses quase fraternais, que a gente olha pra linha do tempo real e fica feliz ao assistir duas crianças descobrirem a não-inocência dos amores que se partem. Essa ferida, até que suturamos bem, não é? A luz daquele cômodo cheio dos jovenzinhos idealistas que fomos ficou acesa, você já embarcou em outra e eu estou à caminho de, à quase mil quilômetros, ser feliz aqui também. Ainda bem.

Tipos de babaca, parte 2

9.29.2015 -


#004 O sniper babaca
Esse babaca dá nos nervos, mas algo na nossa genética falha e, quando damos por si, estamos presas na rede feito peixe distraído em maré baixa. Ele precisa provar, 220% do tempo, que é macho, adora mulher, ama sexo, transpira masculinidade e é capaz de conquistar qualquer donzela indefesa do rolê. Você promete pra si que não vai pegar, que vai ser firme e forte, que esse boy só vai trazer problemas. Porém, esperto que é, vai tateando pelas beiradas e dá o golpe final quando menos esperamos - cheio de romance, frases feitas e aquele toque de ilusão que poucas resistem (infelizmente). Você, pra variar, dá aquela chance amiga. Ele passa a falar de mulher na sua frente (e AI se reclamar, sua ciumenta), chamar suas amigas de gostosa enquanto você está perto e, descaradamente, atirar pra todos os lados, afinal, ele prometeu algo pra você? Não, né? Então corra pras colinas antes que seja tarde, miga!

#005 O babaca fantasminha
Vocês se conhecem. Se encantam. Saem, gostam dos mesmos drinks, ele também sonha em morar na praia. É fora do normal a conexão que você sente, como se estivesse em casa ao lado dele e pudesse aparecer de pijama de ursinhos, que nem isso mudaria qualquer coisa. Saem de novo. Se adoram. Ele pega a sua mão em público e é gentil. Até que, puft: começam as ignoradas nas mensagens instantâneas. Demora para responder. Este final de semana vai estar ocupado, sabe como é, tem um casamento no interior. Ok. As puxadas de conversa por parte dele, antes cotidianas, exaporam. Você se pergunta o que fez de errado: foi por que transei, ou por que não? Será que disse algo fora de contexto? Os amigos pareciam ter me adorado. Estranho. Ele realmente sumiu. O tempo passa. Novas noitadas, outras baladas, mil e um jobs. Outros boys, também. Ele reaparece, como se qualquer intimidade nunca tivesse sido cortada assim, sem explicação, repentinamente. Você quase toma um susto ao ver notícias dele nas notificações. Eis o babaca fantasminha. Você sai com ele, de novo. Tudo maravilhoso, pra variar. No outro dia, conversa sem graça. Na semana seguinte, silêncio. Qualquer hora - ou mês, ou ano - ele reaparece; a capa branca cobrindo qualquer sentimentalidade, a cara de pau charmosa de sempre, a babaquice plena.

#006 O babaca quero-não-quero
Esse tipo de babaca é um clássico e tem aos montes por aí - pessoas, por quê tão perdidas? Ele quer ficar com você. Fica. Tudo é bacana. Vocês se veem com alguma regularidade, a química é legal, ele se veste decentemente e põe bons sons no carro. Beleza. Tudo caminha em vias de algo mais sério. Primeiro, você conhece os amigos dele. Depois o cachorro. A faxineira. Os pais. Ok, vocês tem algo. O contato é direto e divertido. Até que o comportamento dele se torna estranho. Opa, o que houve, gato? A bomba: então, não sei se é isso que eu quero. Isso o que? Algo tão sério, namorar, magoar alguém. Logo aparecer as famigeradas desculpas: esse ano quero ficar solteiro, já me magoei demais com outras meninas, penso em mudar pro exterior em breve, estou trabalhando muito, etc. Você se afasta, afinal, melhor cortar logo (ainda que uma parte da gente morra junto com esse "e se"). Passa um tempinho, ele liga. Precisa ver você. Não guenta de saudade. Vocês se encontram. Parece que dessa vez a coisa anda! Tudo em paz, tudo ótimo, noite juntos. Na semana seguinte, estranheza novamente. Estou confuso. Preciso de um tempo. Gosto de você, mas queria algo mais leve. Eis o ciclo vicioso de algo que começa meio capenga e assim permanecerá, miga. Corre.



Priti,

8.30.2015 -


Amiga que é amiga dá bons conselhos, e dentro dessa chave não concorrem apenas frases bonitinhas e elogios. Demorei pra aprender isso, porém, sei que quando você tenta abrir meus olhos é bem mais por ser quase uma irmã mais velha que por sadismo - aliás, não acho nunca que seus pitacos chegam ácidos de maldade ou em horas impróprias para menores: sei que você fala com a dor dos que também se machucam com tanta verdade. 

A gente paga um preço caríssimo por não se esconder quando o chumbo aperta, mas fiquei feliz em ouvir que "O dia em que tu parar de focar em homem, tu deslancha". Podia ser de forma alegre, porém, meus aprendizados chegam bem mais de uma fábrica de quedas e roxos no corpo que de lições pensadas e articuladas no racional. É engraçado que, ainda que esteja quieta, limando o assunto "caras" das minhas conversas, em casa em sábados à noite e de ressaca de um monte de rapazes de papos iguais e atitudes esperáveis, tampouco estou feliz. 

Respondi com realidade: é justamente por não procurar um pouquinho de amor em cada criatura que despende meia hora do dia pra me dar um teco de atenção que sei que não ando bem. Contudo, talvez seja pra isso que os períodos flats venham vez que outra; pra que descanse da maratona absurda que é ignorar fulano, ir atrás do ciclano, esperar beltrano - participar dessas jogatinas que mais parecem jogo de paintball e acabo sempre baleada, deixando o campo de batalha cedo demais ou me recusando a morrer um pouquinho, ainda que em frangalhos.

Revisito minhas memórias, vasculho uma culpa que a psicologia atribuiria a meu pai, não acho nadica de nada, a não ser: papai é de família portuguesa e fechada, e do jeitinho que lhe coube, dá carinho aos poucos e em conta-gotas, com certeza se atrapalhou na curva em que os filhos crescem e algo nosso ficou por lá. Porém, tive uma infância mais que feliz, de menina mimada. Hoje anda difícil encontrar quem pare pra emendar uma brincadeira na outra, presenteie quando menos mereço algum crédito, ria do meu mau-humor matinal. 

Priti, nem tenho incluído os machos na pauta e isso ótimo. E você ter me feito dar conta disso é excepcional. É igualmente bom conseguir focalizar meus objetivos com listas que são feitas de mais dinheiro, vida saudável, objetos que deixariam meu quarto mais harmonioso. Amiga que é amiga precisa dizer as coisas e minha sinceridade é quase dessas que queimam, mas ó: sei que enquanto eu discorria em excesso sobre homens e agia em dobro, você se continha e evitava o assunto. Segue assim. Continua muito diva sendo um exemplo de moça possível daqui uns anos porque enquanto a gente encuca com umas palavrinhas aqui e outras ali pra um texto bonito, eles mandam mensagem. Reaparecem de outro planeta. Estabelecem contato por telepatia. Vai por mim.